O Confinador

 

INTENSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO

Processo resulta em ganhos de produção e socioambientais

Bruno de Jesus Andrade*

A terminação de gado de corte no sistema de confinamento é realizada em todos os estados brasileiros. No ano de 2010, movimentou mais de 3,7 bilhões de reais, nos últimos 5 anos, 16,09 bilhões de reais.

A atividade emprega hoje 3.683 pessoas diretamente. Indiretamente, inúmeros outros postos de trabalhos foram criados para atenderem os confinadores: em empresas de nutrição animal, sanidade, corretoras de valores e de insumos. Em 2010, os 3.683 postos de trabalhos em confinamento geraram uma folha de pagamento anual de R$ 40,2 milhões de reais. Além disso, o funcionário do confinamento está em permanente processo de capacitação e treinamento, pois esse sistema de produção exige total comprometimento da equipe nos processos que são executados.

O confinamento tem auxiliado o meio ambiente, no sentido de promover a melhor utilização do solo, produzindo resultados 4,7 vezes superior em produção de kg de carcaça / hectare quando comparado com a produção extensiva. Esse movimento é benéfico ao meio ambiente, pois em 2010, se o volume de gado confinado fosse produzido em sistema extensivo, ocuparia uma área 18 vezes maior que a extensão do município de São Paulo.

O consumo desse segmento também é expressivo, estima-se que de janeiro/2011 até o final de 2011 a atividade de confinamento tenha consumido 241 milhões de reais em milho e 338 milhões de reais em farelo de soja. O processo de intensificação é contínuo e nos próximos anos, a inclusão de grãos e farelos nas dietas será maior, tornando a atividade mais representativa.

Um aspecto importante do sistema é que o confinamento permite a oferta de gado gordo para o abate na época seca do ano, quando os pastos estão ruins e normalmente os animais perdem peso. A oferta, por conta do volume de gado criado de forma intensiva, tem sido constante, assegurando ao varejo fornecimento interno contínuo de proteína animal de qualidade.

Entretanto, a atividade de confinamento está atrelada a diversos riscos: na aquisição de animais, insumos, clima e venda do produto pronto. As margens desse segmento são estreitas, com rentabilidade média entre 3% e 5%. Dessa forma, faz-se necessário a criação de linhas de crédito para custeio da atividade de confinamento, para aquisição de insumos para a nutrição animal.

Nas Figuras 1 e 2 temos a distribuição dos confinamentos nos municípios dos estados de Goiás e Mato Grosso, de acordo com o Censo de Confinadores da ASSOCON. No Quadro 1 a estratificação dos confinamentos e sua produção nos estados de GO, MT e SP.

A terminação de gado de corte no confinamento ainda está no início e possui grande potencial de crescimento no Brasil, por este ter área disponível para crescimento, grande produção de insumos e clima favorável. Além disso, existe uma forte demanda por proteína animal no mundo. Segundo a FAO, em 2050 haverá aproximadamente 9,3 bilhões de habitantes na Terra (2,3 bilhões a mais que atualmente), 72% da produção de carnes será consumida por países em desenvolvimento (hoje são 58% da produção), precisaremos, para esse contingente de pessoas, de mais 120 milhões de hectares. A produção de alimentos, segundo a FAO, deverá crescer 70% até 2050. A agricultura precisará de aproximadamente mais 1 bilhão de toneladas e a pecuária mais de 200 milhões de toneladas.

Em seu relatório que fala sobre a produção de alimentos no mundo, a FAO cita como dois potenciais produtores de alimentos nos próximos anos a África Subsaariana e a América Latina. Entretanto, junto à necessidade de maior produção vêm as pressões ambientais para que menos poluentes sejam produzidos e lançados na atmosfera. O ser humano deverá ser capaz de produzir e preservar ao mesmo tempo. O aumento da produtividade, utilizando para isso diversas técnicas hoje já conhecidas, como o sistema de confinamento, é uma saída. Segundo Monteiro e Lanna (2009), a produção de kg de CH4 por carcaça produzida, em média, no Brasil, são atuais 0,78 kg de CH4 / kg de carcaça. Em sistemas intensivos podemos chegar a 0,41 kg de CH4 / kg de carcaça, diminuição de 39,6% na emissão desse gás. Os confinamentos reduzem a emissão de metano e como resultado líquido reduzem em 15% as emissões totais de CO2 equivalente.

É importante ressaltar que a atividade de confinamento contribui para melhor utilização do solo, prevenindo avanços horizontais para aumento de produção. Ao implantar o sistema na fazenda, o pecuarista está aumentando a produção verticalmente, por meio do incremento em produtividade. Um animal confinado ocupa em média 15 m², enquanto que no Brasil, 1 bovino criado de forma extensiva ocupa uma área de 10.000 m². Em 2010, por exemplo, os quase 2,8 milhões de animais confinados economizaram uma área de aproximadamente 2,75 milhões de hectares, área que corresponde a 99% do território do estado de Alagoas ou 18 vezes a extensão do território do município de São Paulo.

Dessa forma, investir na atividade de confinamento será uma saída para regulação da oferta de proteína animal, proteção ambiental e melhoria dos índices sociais com fixação do homem no campo.

CENSO

Qual a real dimensão do confinamento bovino no Brasil? A Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) está iniciando um trabalho inédito para identificar o tamanho desse importante segmento da pecuária no país.

“As estatísticas do confinamento sempre são contraditórias porque vêm de várias fontes, muitas delas sem a vivência do dia a dia da pecuária. O objetivo da Assocon é ouvir 1.500 confinadores para conhecer melhor o perfil econômico e de produção dos pecuaristas que se dedicam à engorda intensiva nas cinco regiões do País”, explica Fabio Maia de Oliveira, diretor executivo da Assocon.

O trabalho de coleta de dados é feito por telefone e pela internet. “A criação do banco de informações é uma importante ferramenta para o próprio confinador, pois facilitará o dimensionamento de linhas de crédito, o planejamento da produção de insumos e a abertura de novos canais de exportação que absorvam o aumento dessa oferta”, ressalta Maia.

De acordo com a entidade, o censo tem por objetivo ouvir 1.500 confinadores cadastrados e o procedimento de participação é extremamente simples. Na estruturação desse levantamento, a Assocon trabalha com dois tipos de questionários:

1. Censo resumido por telefone para atualizar as principais informações de intenção de confinamento anual, como, por exemplo, capacidade estática, número de animais confinados, tempo médio no cocho e ganho médio diário de peso/animal.

2. Na segunda forma de captação de dados, o confinador associado recebe por e-mail um código individual e um link da Assocon para responder a um questionário completo pela internet. Caso o associado queira confirmar se seus dados estão inseridos no cadastro, pode enviar um e-mail para [email protected] com.br com o nome da sua propriedade, município, UF e telefone para contato com DDD.

A coleta de informações por contato telefônico está sendo realizada pela própria Assocon. Todos os dados apurados são tratados de forma confidencial. “Caso o confinador associado não receba uma ligação para responder o censo por telefone e queira participar, ele pode enviar um e-mail para [email protected] com.br com as seguintes informações: nome da propriedade, município, estado (UF) e telefones para contato”, informa Fábio Maia de Oliveira.

Maia ressalta que com este simples procedimento de colaboração para o preenchimento das informações pela internet - que leva em torno de 20 minutos - os confinadores prestam um grande auxílio para o fomento e a atualização do banco de dados nacional sobre a pecuária intensiva. Ao completarem o questionário, os produtores também participam, automaticamente, de um sorteio de 15 prêmios individuais, que totalizarão cerca de R$ 45 mil em produtos.

*Zootecnista da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon)