Negócios

 

ABCZ exige 100% de sangue zebu para

RECEPTORAS

Normativa abre mercado de 600 mil fêmeas zebuínas

Cintia Rocha

Para Luiz Antonio Josahkian, superintendente técnico da ABCZ, a proposta favorece as raças zebuínas

Primeiro de janeiro de 2014. Esta é a data em que entrará em vigor a normativa que obriga o uso de receptoras zebuínas nas Transferência de Embrião (TE) e Fertilizações in Vitro (FIV) pelas raças Brahman, Cangaian, Indubrasil e Nelore, conforme regulamento do Serviço de Registro Genealógico elaborado pelo Conselho Técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

De acordo com Luiz Antonio Josahkian, superintendente técnico da entidade, a proposta favorece as raças zebuínas, mas, antes disso, existem os aspectos técnicos, com destaque à oportunidade que se abre para a avaliação genética. Segundo ele, a norma permitirá retirar o efeito das fêmeas para a estimação de valores como habilidade materna. “Outro aspecto é que também se traz para primeiro plano a importância da matriz no ciclo de produção”, avalia.

Josahkian ressalta ainda que, como qualquer mudança, certo grau de ansiedade é gerado e explica que será necessária uma adequação dos diferentes setores envolvidos. “Até que entre em vigor, em 2014, teremos tempo para esclarecer criadores e laboratórios”, diz.

Quanto à escolha das raças sujeitas à mudança - que não são todas -, o superintendente técnico da ABCZ explica que se levou em conta o impacto da medida para cada raça. Assim, Gir e Guzerá, por exemplo, ficaram de fora, muito possivelmente pelo fato de que ambas contribuem para a formação de outros grupos genéticos muito adotados como receptoras, caso do Girolando e do Guzolando.

Para o Nelore, os impactos devem ser positivos, conforme Felipe Picciani, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). “Acredito que pode incentivar a retenção de matrizes e a atividade de cria, aquecer o mercado de fêmeas zebuínas rústicas, trazer novos criadores para a raça, aproximar selecionadores dos pecuaristas e incentivar o uso de genética nos rebanhos comerciais que se focariam neste mercado.

Para Felipe Picciani, presidente da ACNB, a medida trará novas oportunidades de negócios

Picciani acredita ser interessante o oferecimento de incentivos ou descontos nos registros de animais TE e FIV nascidos de receptoras zebuínas. No caso do Nelore, as receptoras zebuínas também parecem ser melhores opções para enxertos, posto que os animais da raça são grandes, em sua maioria. “É possível que tenhamos ganhos em relação à facilidade de parto”, aposta Picciani, ressaltando ainda vantagens em termos de trabalho da equipe, manejo, nutrição e sanidade.

Virgilio Villefort prepara-se para atender demanda que surgirá a partir de 2014

OBRIGATORIEDADE X OPORTUNIDADE

Segundo Ary Marcos de Paula Barbará, presidente da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB), quando a normativa foi anunciada, em meados de 2010, a entidade recebeu vários protestos. “Apesar de ser contra a obrigatoriedade, nos comprometemos a desenvolver ações para otimizar o uso de receptoras 100% zebuínas”, confessa. Por outro lado, a normativa pode favorecer o Brahman em função das qualidades da raça para habilidade materna. “Ao analisarmos números de transferências de embriões realizadas na ABCZ em 2011, somente Brahman e Nelore utilizaram 570 mil receptoras que, consequentemente, necessitaram de 1 milhão de matrizes e 2 milhões de doses de sêmen ou 35 mil touros”, avalia Barbará.

“A decisão da ACBB decorreu de votação dos associados em assembleia”, ressalta Ary Barbará

MERCADO

Para Josahkian, os associados já estão se preparando para a exigência. Recentemente, a entidade concedeu registros de animais na categoria CCG para cruzamentos Nelore X Tabapuã (Tabanel) e Nelore X Guzerá (Guzonel). Um dos pecuaristas que tem se antecipado desde o anúncio da medida é Virgílio Villefort, apostando nos lucros futuros que a medida pode render. “O Guzerá certamente vai ganhar muito com essa determinação. No caso do Guzonel, é possível obter um choque de sangue que contribui para o aumento de produção de leite, docilidade, longevidade, rusticidade e facilidade de parto para criação a pasto”, ressalta o criador. Por fim, Josahkian, também lembra que há incentivos para o aproveitamento de fêmeas zebuínas do próprio rebanho. “A ABCZ dá desconto de 75% no valor do registro de zebuínas LA Fundação”, informa.

QUAIS CATEGORIAS PODEM SER CONSIDERADAS RECEPTORAS

De acordo com a norma, os zebuínos enquadrados nas seguintes categorias: a) Fêmeas PO, portadoras de Registro de Nascimento (RGN) ou Registro Definitivo (RGD); b) Fêmeas LA com RGD de Fundação ou com RGN ou RGD nesta categoria; c) Fêmeas da categoria Controle de Genealogia (CCG) que sejam 100% zebu ou d) Fêmeas com 100% de genética zebuína, presumida pelo fenótipo, por um período de dois anos, contados a partir de 2014.