Sobrevoando

Chianinas

Toninho Carancho
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Na década de 80, não lembro bem o ano, em visita à ExpoLondrina, presenciei uma Exposição Nacional da Raça Chianina. Animais enormes de origem italiana. Verdadeiros gigantes bovinos.

Na época, eram utilizados no Brasil para cruzamento industrial com o Nelore, e nos Estados Unidos se comentava que teriam sido utilizados largamente para fazer o modelo conhecido como New type, aumentando em muito o frame (tamanho, altura) de bovinos Angus, entre outros. Fiquei realmente muito impressionado com o tamanho deste gado, que já conhecia de livros e revistas, mas que não me era familiar. Eles me olhavam de cima para baixo, muito brancos e com pernas longas. Alguns tinham chegado há pouco no Brasil, eram importados. Outros já eram de gerações brasileiras, a maioria vinda de São Paulo.

Hoje, ao que me consta, o Chianina está praticamente extinto no Brasil. Não o vemos mais em lugar algum. Nem em revistas, nem em exposições e menos ainda no campo.

Talvez exatamente pelo gigantismo excessivo, que ocasiona vários problemas, principalmente em gado criado no pasto, e muitas vezes pasto fraco. Tinham tudo para dar errado. E deram.

Voltando à ExpoLondrina, agora nos anos 2.000, me encontrei com um grande amigo, criador de gado de corte e produtor de tourinhos Nelore. Por coincidência, estava acontecendo o julgamento do Nelore bem na nossa frente, ao que ele comentou: “Carancho, não sei qual a sua opinião, mas eu não vejo mais o julgamento do Nelore porque os touros que os juízes escolhem como melhores são exatamente os que eu acho piores e os que os meus compradores não levariam de jeito nenhum.” Pensei um pouco e concordei com ele. Aliás, muita gente pensa assim. Eu também penso assim, apesar de sempre assistir aos julgamentos por esporte. A maioria das pessoas acha sacal, mas eu gosto. De qualquer forma, resolvemos fazer uma brincadeira de escolhermos nossos tourinhos preferidos (acho que estavam julgando a categoria Júnior Menor) e esperarmos os resultados “oficiais”. Não deu outra. Nós dois escolhemos, sem combinar, os mesmos quatro tourinhos que achamos melhores, com diferenças entre o segundo e terceiro lugares. Quando veio o resultado dos juízes a diferença foi total. Acho que um ou dois dos que tínhamos escolhidos ficaram em quinto ou sexto lugares e o restante deu cerca. Nada bateu. Ou seja, ou nós dois estávamos totalmente errados (o que pode ser, mas não me parece ser) ou os juízes estavam julgando outro tipo de gado que não o de mercado. Digo mercado de gado de corte, de fazendas normais, com comida normal (pasto). Quando puxaram os vencedores para frente e se aproximaram bem de nós tive a lembrança daqueles Chianinas. Eram lindos. Gigantes. Muito brancos. Mas tinham tudo para dar errado e caminharam para a extinção.