Sobrevoando

 

Austrália

Toninho Carancho
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Por muitos anos fui convidado a visitar a CFM. E por muitos anos não fui. Não tinha tempo. Estava sobrevoando por aí e nunca dava. Mas ano passado resolvi me organizar e fui ao leilão deles. Inclusive, liguei para o Luís Adriano Teixeira, gerente-geral, para marcar hotel e tudo mais. Estava em dívida com eles, principalmente com o David Makin, presidente, que me convidava anualmente. Agora ia saldar a dívida. Não gosto de ficar devendo nada pra ninguém – nem visita. Após palestras na noite anterior ao leilão, me dirigi ao hotel e encontrei Fábio Dias e Lourenço Campo. Fábio é ex-funcionário e veio representando uma fazenda do Pará para fazer compras; Lourenço era o leiloeiro.

Pela manhã, no café da manhã, me encontrei com o Sr. Bezerra, comprador assíduo lá do nordeste, e ele comentou: “reforça no café da manhã que os ingleses (a CFM é uma empresa inglesa) são econômicos no café e servem apenas tubaínas e nada de Coca-cola”. Segui a orientação dele, que parecia saber das coisas. Chegando ao leilão pude confirmar a veracidade dos fatos. Era tubaína mesmo, mas tava gelada.

Chegando ao local do leilão, vi que o gado era realmente de primeira – além de numerosos. Todos estavam organizados em bretes por ordem de índices, filiação, etc. O catálogo, cheio de números e dados – muito completo. Deps, acurácias, genealogia, tudo o que você pode imaginar. Mas, como sou metido, peguei o catálogo e resolvi marcar os touros que mais me agradavam. Primeiro, dei uma olhada nos touros sem olhar o catálogo, para não me influenciar com os números. Escolhi um como o melhor e dois outros como segunda opção. Depois dei uma olhada nos índices deles, mas não mudei de ideia. Achei que a escolha estava certa (para o meu gosto).

Os dez primeiros touros dos bretes são os “mimosos”, reprodutores com os maiores índices e, teoricamente, os melhores. Escolhi um deles como o meu preferido. Era realmente muito ajeitado, mais escuro, cara de touro, pesado, um pouco mais baixo que os outros, largo e forte, além de ser bem boludo.

O remate dos machos iniciou por eles e para minha surpresa o “meu” touro foi o mais caro de todo o leilão, superando touros com índices ainda maiores. O que parece confirmar que os índices devem andar juntos com o tipo. Touro tem que ter cara de touro! De resto, o leilão foi um sucesso total, com médias muito altas e liquidez total.

Mas e a Austrália? O que tem a ver com isso? Por que este título? Pois é. Quando cheguei no leilão não encontrei o David. Falei com o Luís Adriano e ele me confessou que ele estava voltando da Austrália em visita a uma vinícola da empresa (parece que foi meio a contragosto). O voo atrasou e David estava tentando chegar a tempo. Até eu sair do leilão, ele não havia chegado. Dizem que chegou logo depois da minha saída. Não sei. Só sei que agora é ele que está me devendo uma.