O Confinador 2

 

NO CENTRO DAS DISCUSSÕES

Encontro debate tendências e perspectivas para confinamento em 2012

Bruno Santos [email protected]

Uma nova tendência vem se desenhando no mercado bovino nos últimos anos, e é evidente o crescimento do número de animais confinados. Segundo dados reconhecidos pela Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), em 2011 foram confinadas cerca de 3,4 milhões de cabeças, e as projeções para 2012 é que esse número salte para quase 4 milhões.

Diante desses dados expressivos, toda a cadeia produtiva da carne está se voltando à análise desta tendência. Uma das principais mudanças está ocorrendo nas empresas de nutrição animal, que começaram a enxergar o confinamento com outros olhos.

O tema foi abordado pelo Consultor Internacional focado em estudar cenários, Osler Desouzart, durante o Encontro de Confinadores realizado pela Premix - Nutrição de Resultados.

Durante a apresentação, que tinha como tema o “Futuro das proteínas animais com foco na carne bovina”, o consultor apresentou cenários até 2050. Segundo ele, a razão dessa mudança reside na progressiva escassez de recursos naturais, principalmente terra arável e água. Assim, as espécies com melhor conversão alimentar terão maior crescimento.

O bovino pode perder terreno, uma vez que para produzir 5,5 kg de carne necessita de 15.977 litros de água e chega ao abate apenas aos 30 meses, em média. Dificilmente poderá competir com as espécies mais eficientes, como o frango, que para 1,7kg precisa somente de 2.828 litros de água e 38 dias de criação. “Não significa que a carne bovina está condenada ao desaparecimento, mas é evidente que se tornará item de luxo”, acredita Desouzart.

Ainda segundo os dados apresentados pelo consultor, a produção de alimentos acompanhará o crescimento populacional. Entretanto, haverá a necessidade de o produtor se profissionalizar e buscar parceiros que visem aos mesmos objetivos e conceitos.

Outro tema importante abordado foi o “Mercado de insumos em 2012”, apresentado por Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado. Conforme informou, a demanda mundial de carne seguirá em crescimento e o preço da arroba deverá permanecer estável para os próximos dois anos.

Um dos pontos importantes abordados por Molinari foi em relação ao preço do milho. Para ele, o produtor brasileiro tem de ficar atento ao mercado, pois caso a safra norte-americana apresente problema pelo terceiro ano consecutivo, recomenda-se a compra de milho antecipada e estocagem, pois a commodity deverá apresentar altas expressivas no Brasil.

Já o professor da UNESP (Jaboticabal) Jorge Lucas falou sobre o manejo de dejetos em confinamentos para geração de energia, produção de adubos e controle de moscas. Segundo ele, um bovino de 450 kg gera anualmente 8,50 toneladas de dejetos, sendo que 1,0 kg de esterco tem potencial para gerar 3.000 moscas. “Além de evitar parasitas e doenças, o tratamento dos dejetos pode trazer enormes benefícios financeiros ao produtor”, justifica Lucas.

O professor apresentou ainda aos produtores presentes no evento algumas alternativas para uso estratégico dos dejetos na produção, tanto como energia quanto adubo. Além de reduzir os gastos da propriedade, o tratamento contribui com a redução dos gases de efeito estufa.

O Diretor Técnico da Premix e vice- presidente da ASBRAM (Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais), Lauriston Bertelli, trouxe para discussão a tecnologia e os aditivos utilizados na nutrição de ruminantes. Para ele, o desafio do confinamento é adequar o metabolismo e nutrir os micro-organismos presentes na flora ruminal. Durante sua apresentação, comentou sobre as particularidades no uso dos ionóforos e apresentou trabalhos feitos com os aditivos e seus respectivos resultados em relação ao ganho de peso e consumo de matéria seca.

A programação do evento contou ainda com as apresentações do expresidente da TAM Linhas Aéreas, David Barioni, que falou sobre Gestão Estratégica, e com Danilo Grandini, da Phibro Saúde Animal, que abordou o tema “Ganhos marginais de bois confinados” e discorreu sobre a relação tempo de cocho x rendimento de carcaça (peso de carcaça).


Premix acompanha tendência do mercado

Com o objetivo de reunir grandes confinadores para compartilhar experiências e gerar bons negócios, a Premix Nutrição de Resultados, reuniu nos dias 7 e 8 de fevereiro, em Campinas, no interior paulista, mais de 100 pessoas – entre confinadores, técnicos de campo e profissionais de referência nacional – para discutir as tendências do mercado de insumos e as perspectivas para o mercado da carne em 2012.

Segundo a Consultora Técnica da Premix Amanda Oliveira, a companhia reconheceu as mudanças do mercado e está se adequando. “Devido a esta tendência, criamos uma nova linha de produtos para animais confinados”, destacou.

Durante o encontro, a consultora apresentou ainda os projetos direcionados ao confinamento e a parceria que a empresa firmará com os confinadores que utilizarem Núcleos Premix. “O objetivo da empresa é proporcionar uma assessoria completa ao confinador, desde o software de gestão até o apoio na compra de ingredientes destinados ao confinamento”, salientou.