Genética

 

Salto surpreendente na INSEMINAÇÃO

Agora o desafio é chegar a 20 milhões de doses em 2015

Na iminente necessidade de melhorar a eficiência produtiva, a inseminação artificial (IA) alcançou um excelente desempenho em 2011, demonstrando que o pecuarista está investindo mais na tecnologia. Mato Grosso, estado reconhecidamente mais conservador, liderou o crescimento. Detentor do maior rebanho do Brasil – e, consequentemente, do maior plantel de fêmeas –, ainda fica difícil dizer se este aumento ocorreu devido à entrada de novos adeptos ou pelo maior volume de inseminações empregadas por quem já insemina, algo que os representantes do setor buscarão mensurar a partir do próximo ano.

Em todo o ano passado, a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) computou a venda de 11.906.763 doses de sêmen, um crescimento de 23,55% comparado a 2010. A entidade chegou ao montante utilizando um indexador, novidade no balanço anual da Asbia. Normalmente divulgados em março, a entidade conseguiu antecipar a exposição dos números do mercado para fevereiro, graças à criação do Index Asbia. O indicador considera a venda de sêmen das 18 maiores centrais do país, que juntas representam 90% do mercado.

O uso de indexadores é muito comum na indústria varejista, de onde surgiu a ideia. Por esse motivo, pode-se afirmar que o resultado foi ainda superior – aliás, surpreendente. “O desempenho foi virtuoso. Podemos dizer, com segurança, que em 2011 foram comercializadas 13 milhões de doses de sêmen”, afirma Lino Rodrigues, presidente da Asbia. Assim, o crescimento real é de 30%, muito acima dos patamares anteriores. O Centro-Oeste foi a região com maior participação nas vendas em pecuária de corte.

O estado do Mato Grosso figura em primeiro, correspondendo a 15,30% das inseminações, seguido por Mato Grosso do Sul, em segundo, com 13,78%, e Goiás, em terceiro, com 11,59%. São Paulo, com 9,40%, ficou em quarto, à frente de Minas Gerais, com 8,59%. Na pecuária de leite, aparecem Minas, com 27,93% das vendas, Rio Grande do Sul, com 14,88%, e Paraná com 13,92% – os primeiros colocados, respectivamente. Por mais um ano, a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) impulsionou o mercado de sêmen, além do sexado, que caiu no gosto do pecuarista, com cerca de 800 mil aplicações realizadas no período.

Corte e Leite

Em 2011, as raças de corte cresceram 26,81%, com o movimento de 7.011.641 doses, muito diferente de 2008, ano de crise, quando a participação foi inferior às raças de leite, totalizando 3.715.638 doses. Já as raças de leite obtiveram crescimento um pouco abaixo no ano passado: 19,16% e 2,1 milhões de doses a menos que o corte, comercializando 4.895.122 palhetas. Nos últimos três anos, o mercado de corte nacional cresceu 22%; o de leite, 33,92%.

Quanto às importações, representaram 27% do mercado de corte e 66% no mercado de leite. O Brasil também exportou sêmen em 2011. O país consolidou ou está negociando protocolos sanitários com Angola, Argentina, Canadá, Colômbia, Equador, Moçambique, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. Para essas nações, foram embarcadas 190 mil doses, sendo 96 mil de raças de leite. “Precisamos ficar de olho na Índia. O Brasil negocia acordos que, quando aprovados, possibilitarão um mercado de exportação de 2 milhões de doses”, explica Rodrigues. Lá, utilizam-se 30 milhões de doses/ ano apenas na pecuária leiteira, notadamente de Gir Leiteiro.

Lino Rodrigues ficou satisfeito com o desempenho da inseminação em 2011

Raças

Como já era de se esperar, o Nelore domina a venda de sêmen no mercado de corte brasileiro. Em 2011, a raça (Padrão+Mocho) movimentou 3.276.683 doses, consolidando participação de 47% no mercado. Angus (Abeerden+Red) firmou-se na segunda colocação, como vem acontecendo no decorrer dos anos, com 2.383.952 doses. Uma curiosidade é o resultado avassalador do Abeerden, que cresceu 53,60% no comparativo 2010/2011 e 108% nos últimos três anos, enquanto o Red ficou nos 28% no mesmo triênio. Brahman, terceiro colocado geral, continua sendo o segundo zebuíno mais comercializado nas centrais, com 219.646 doses. Entretanto, caiu 3,32% em 2011. Atrás aparece o Guzerá, com 169.335 e crescimento de 21%, seguido pelo Tabapuã (84.061 doses e 13,83%). Isso nas raças de corte.

Nas raças de leite, o Holandês (Preto+Vermelho) ainda reina absoluto, com 2.896.267 e 59% de participação nas IAs. Logo abaixo, Gir Leiteiro fez 766.758 inseminações, com evolução de 16,85% em 2011, mas com um salto de 52% nos últimos três anos. Na sequência, temos Jersey, bem próximo, com 732.717 e 11,22%; Girolando, em quarto, com 409.546 e excelente crescimento de 48,45% em 2011 e 107% de 2009 a 2011. O Guzerá Leiteiro fecha os cinco primeiros colocados, com 43.417 e 27%. Um ponto interessante é a consolidação dos testes de progênie do Gir Leiteiro, que já completam 26 anos, e do Girolando (Gir x Holandês), com 10, que impulsionaram as duas raças e estão expondo a mudança das bacias leiteiras para as regiões Norte e Nordeste do Brasil.