Falou

 

O segredo da VALÔNIA

O proprietário João Aguiar conta como o rigoroso processo de seleção reflete nas pistas de julgamento

Revista AG - Como divide o tempo entre a fazenda e o Banco Bradesco?

João Aguiar - A minha agenda do Conselho do Banco não é diária. Sendo assim, consigo tempo para me dedicar à fazenda e a outros negócios.

Revista AG - Quanto o seu avô (Amador Aguiar, fundador do Bradesco) o influenciou na formação como agrônomo?

João Aguiar - Além de banqueiro, meu avô foi um homem muito apegado ao campo. Constituiu a Santa Maria Agropecuária na década de 60 e nos anos 70 adquiriu a Pecplan. Ele adorava o campo, café, produção de leite, grãos e pecuária de corte. Aliviava a pressão do trabalho no banco frequentando as fazendas aos finais de semana. Daí veio a influência.

Revista AG - Como e quando começou a formação do plantel Valônia?

João Aguiar - Com a experiência que adquiri nos 25 anos em que atuei na presidência da Santa Maria Agropecuária, fui me dedicando ao Nelore que tínhamos. Mais tarde, com a desistência da empresa em seguir adiante com o Nelore PO, acabei adquirindo parte do gado para não se perder todo trabalho realizado ao longo de anos em melhoramento genético.

Revista AG - E o interesse pelo Nelore Padrão?

João Aguiar - No gado Nelore da empresa tínhamos o Mocho e o Padrão. Meu avô deu preferência ao primeiro. Como na seleção de gado Elite, o Mocho perdeu terreno, migrei para o Padrão. Para mim, o Gado Nelore é maravilhoso, sendo ele Mocho ou Padrão.

Revista AG - Qual a importância de ter no plantel animais POI de origem da Fazenda Brumado?

João Aguiar - A importância é ser um selecionador preocupado e interessado em preservar a origem da raça Nelore. É enaltecer o trabalho excepcional do Seu Rubico Carvalho, que foi um dos importadores do Nelore indiano no começo da década de 60. Ele selecionou na Fazenda Brumado uma linhagem POI fechada e manteve um padrão racial que nunca alterou a consistência genética do POI (puro de origem importado), da qual se originou o padrão racial mantido até hoje. Compramos alguns exemplares na liquidação Brumado, que foram incorporados dentro da filosofia Valônia.

Revista AG – O que dizer do Rufo FIV da Valônia?

João Aguiar - O Rufo é um Touro fora de série: além de ser Grande Campeão e recorde de preço do leilão Elo de Raça 2011, foi ainda o Melhor Macho Jovem do Ranking 2010/2011 da ACNB. Realmente ele é muito diferenciado, apresentando harmonia no conjunto, seu ponto forte. É muito bonito racialmente, apresenta masculinidade, arqueamento, profundidade de costelas e pescoço lançado. É filho da Marani XI (Marani JS da BJ X Helíaco) com o Basco.

“O gado Nelore é maravilhoso, sendo ele mocho ou padrão”

Revista AG - Há vantagens econômicas em produzir agricultura para a pecuária, como silagem de sorgo e milho?

João Aguiar - Há muitas vantagens, entre elas a renovação de pastagens com lavoura, que nos dá um pasto melhor devido aos resíduos provenientes da agricultura. Há também a possibilidade de suplementação dos animais no período seco.

Revista AG - A venda de touros é uma prioridade da fazenda?

João Aguiar - A venda de touro é extremamente importante porque é por ela que disseminamos o melhoramento genético da raça Nelore para as fazendas com vacada cara limpa produzirem animais melhores e conseguirem abater os machos mais cedo, obtendo uma taxa de desfrute melhor no rebanho.

Revista AG - Quais os planos para 2012 e para os próximos anos?

João Aguiar - Eu diria que é focar na gestão, manejo e no melhoramento genético da Fazenda Valônia para atingirmos uma eficiência cada vez melhor e ter um gado Nelore de excepcional qualidade.