Mercado

 

POUCA MUDANÇA, MUITA ESPECULAÇÃO

Como era de se esperar, o mês de janeiro começou e terminou com demanda desaquecida. Atípico, fevereiro iniciou da mesma forma. A pressão de baixa dos frigoríficos continuou e resultou no aumento de fêmeas abatidas, o que acabou por também pressionar os preços da @. Embora o período tenha apresentado pequeno volume de negócios, a especulação foi grande, com muitas tentativas, por parte da indústria frigorífica, de compra abaixo do valor referência, ocorrendo em todo o país e reduzindo o número de animais terminados ofertados. A justificativa da indústria continua sendo a dificuldade em repassar os custos de produção ao consumidor. Outro fator favorável a este cenário especulativo foi a continuação do período de safra, que ainda permite que os pecuaristas insistam em manter animais terminados no pasto, na esperança de melhores negociações. Tanta especulação reduziu as programações de algumas empresas de SP, que acabaram ofertando valores maiores pela @ e indo buscar boiadas em praças vizinhas, ocasionando valorização no preço da @ principalmente em Três Lagoas/MS e sul de Goiás. Apesar disso, e contrariando a expectativa de melhoria no escoamento criada para o início de fevereiro por todo setor, o mercado seguiu lento, com suaves sinais de elevação nas negociações até o fechamento desta análise, na terceira semana do mês.

No quesito exportação, apesar do embargo, a Rússia continuou no posto de principal mercado consumidor de carne bovina do Brasil, comprando 19,9% a mais em volume. Do total embargado, foram liberadas mais duas unidades frigoríficas, uma de suínos e outra de bovinos, sendo que a restrição maior continua para a carne suína. Segundo declaração do ministro da Agricultura Mendes Ribeiro, as previsões são otimistas.

Considerando o total de exportações de carne bovina, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) aponta um aumento de 23% no mês de janeiro de 2012, em comparação com 2011. Este aumento ocorreu apesar da diminuição dos embarques para o Irã. Em segundo lugar no ranking de exportações está Hong Kong, com um aumento em volume de 41%. Em seguida, União Europeia, mas com uma redução de 0,14%. Apesar desta redução, o bloco tem demonstrado relativo aumento de confiança. A última lista divulgada pelo ministério conta com 1.949 fazendas aptas a exportar para a UE, sendo 11 no Espírito Santo, 452 em Goiás, 429 em Minas Gerais, 275 no Mato Grosso do Sul, 431 no Mato Grosso, 36 no Paraná, 173 no Rio Grande do Sul e 142 em São Paulo.

A grande surpresa no mercado de exportação foi o Chile, que elevou as compras. Computadas em 1,06 mil toneladas equivalente carcaça (tec) em janeiro do ano passado, o país alcançou, em janeiro de 2012, o volume de 3,27 mil toneladas. Isto representa um aumento de mais de 200%, embora o volume ainda seja pequeno comparado aos outros mercados compradores da carne brasileira.

No mercado atacadista de carne bovina, janeiro fechou o mês com preços estáveis para todas as peças e o período atual analisado fechou com queda para estas cotações.

A oferta de animais terminados começou a despontar no mercado, porém, ainda com timidez, já que a pressão de baixa permaneceu e houve aumento na oferta de fêmeas, tanto para abate quanto para reposição. As ofertas para o boi gordo chegaram a variar em até R$ 4,00/@ e o preço da vaca magra teve queda, chegando a R$ 890,00/ cabeça em SP (Scot Consultoria). As escalas de abate, que no decorrer do período chegaram a se apresentar heterogêneas, variando de 2 a 5 dias, se ampliaram ao fim deste e, no estado de São Paulo, na maioria dos casos, fechou com programações completas para a semana inteira.

As tendências e a especulação ainda presente, mesmo que em menor intensidade, indicam que o boi deve alcançar preços mais altos ao longo do ano, semelhante a 2011, e que o abate de fêmeas deve continuar pressionando.

O preço da arroba do boi gordo no mundo, considerando os 21 dias úteis analisados no período de 20/01/2012 a 17/02/2012, comparado ao período anterior (21/12/11 a 19/01/12) apresentou recuperação em três dos quatro países considerados, sendo que somente a Argentina apresentou redução na @, que caiu de US$ 63,02 no período anterior para os atuais US$ 62,40.

O preço pago pela @ do boi gordo permaneceu estável em praticamente todas as unidades federativas analisadas, tendo sofrido algumas alterações pontuais dentro do período, o que reflete a baixa movimentação nas negociações entre pecuaristas e frigoríficos. O estado com maior variação no preço pago foi o Rio Grande do Sul, onde o preço é calculado por kg de peso vivo, e não por @.

A @ do boi gordo à vista segue a mesma tendência, apesar de mais baixa que os valores negociados a prazo. As médias ficaram em R$ 99,50 em São Paulo, R$ 93,88 em Minas Gerais, R$ 89,18 em Goiás, R$ 91,16 no Mato Grosso do Sul, R$ 88,42 no Mato Grosso, R$ 88,47 no Pará, R$ 98,15 no Paraná, R$ 99,98 em Santa Catarina e R$ 102,67 no Rio Grande do Sul (valor convertido).

A média do deságio pago aos pecuaristas foi de 2,03% no período atual. Este valor é 7,7% menor que o período anterior, de 2,20%, assim como todos os estados tiveram médias menores de preços da arroba à vista, embora a redução tenha sido suave. Em repetição ao ocorrido nesse período, o RS aparece como única exceção nesta tendência, com elevação de 2,57% no preço pago à vista.

A categoria desmama obteve média de R$ 652,72, contra R$ 664,10 no período anterior, o que significa uma redução de 1,71% no preço médio pago pelo bezerro no país. Os estados com os maiores preços/ cabeça continuam sendo São Paulo, com uma média de R$ 702,75 e o Paraná, com R$ 686,50. Nos demais estados, em ordem decrescente, os valores médios obtidos foram de R$ 667,00/cabeça no Mato Grosso Deságio do preço do boi gordo, por UF, 21/12 de 2011 a 19/01 de 2012 Fonte: Scot, adaptado por Boviplan. *RS em R$/Kg PV. Relação de Troca Média - 21/12 a 19/01 de 2012 Fonte: Scot, adaptado por Boviplan. Cabeças *RS em R$/Kg PV. Desmama/Boi Gordo Boi Magro/Boi Gordo do Sul, R$ 660,00/cabeça em Minas Gerais, R$ 652,00/cabeça em Goiás, R$ 643,00/ cabeça no Mato Grosso, R$ 616,00/cabeça no Pará e R$ 594,50/cabeça no Rio Grande do Sul.

No período atual analisado, compreendido entre 20/01 e 17/02/12, o valor médio de preço para boi magro apresentou queda de 0,12% em relação ao anterior, alteração pouco significativa e que representa variação menor do que a da categoria desmama, tanto com relação ao período anterior quanto entre as praças analisadas. Em relação ao preço pago por cabeça, a maioria dos estados apresentou queda na categoria, com valores médios de R$ 1.209,00 em São Paulo, R$ 1.132,50 em Minas Gerais, R$ 1.089,50 em Goiás, R$ 1.089,00 no Mato Grosso e R$ 1.161,00 no Paraná. Opostamente, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio Grande do Sul apresentaram preços médios por cabeça de, respectivamente, R$ 1.129,50, R$ 1.102,50 e R$ 1.143,00.

Os índices de relação de troca, que representam a equivalência em valores dos preços pagos por cada categoria animal no setor, ficaram, para a relação entre desmama e boi gordo, com valores que variam entre 2,19 no MS e 2,76 no RS. A relação entre boi magro e boi gordo variou entre 1,28 no PA e 1,44 no RS (valores mínimos e máximos, respectivamente).

Desconsiderando o estado do Rio Grande do Sul, que não entra no cálculo por trabalhar com cruzamentos industriais, a média nacional no período para relação de troca entre desmama e boi gordo foi de 2,24, queda de 1,32% em relação ao período anterior, que teve média de 2,27.

No período atual (20/01 a 17/02/12) e novamente desconsiderando o RS, o valor médio nacional da relação de troca entre boi magro e boi gordo foi de 1,31, o que significa uma queda de 0,76% ao período de 21/12/11 a 19/01/12, que foi de 1,32 entre estas categorias.

Natalia Laperuta e Andrea Brasil Boviplan Consultoria