Caprinovinocultura

 

União faz a FORÇA

Projetos realizados em parceria e a formação de cooperativas facilitam a comercialização da carne

Denise Saueressig [email protected]

Ano após ano, as lideranças envolvidas com a caprinovinocultura no país chamam atenção para a mensagem: os produtores precisam de união e parcerias para promover a atividade e batalhar pela renda na propriedade. E exemplos dessa mobilização mostram que iniciativas como a formação de cooperativas e o associativismo resultam em benefícios que vão do criador até o consumidor final.

No oeste do Paraná, a organização e a vontade de vender a carne de cordeiro fez surgir, no final de 2007, a C’Victa, cooperativa que reúne 34 associados na região próxima ao município de Cascavel. “Já tínhamos uma associação, mas precisávamos de uma empresa para poder vender a nossa produção”, conta o criador Helmuth Bleil, presidente da C’Victa.

Os abates e a comercialização da carne iniciaram em 2008. Nos últimos três anos, a média de abate foi de 1,5 mil animais por ano. “Ainda é um volume pequeno, mas aos poucos, queremos ampliar a produção, atraindo especialmente criadores que tenham perfil comercial para a atividade”, revela Bleil. Segundo ele, a oferta de 400 animais por mês representaria um bom número para manter o mercado constantemente abastecido.

Criador Helmuth Bleil, presidente da C’Victa: trabalho para diminuir os abates clandestinos e estimular melhorias nas propriedades

Além de conquistar adeptos que tenham vocação para os negócios, a cooperativa quer combater a alta incidência de abates clandestinos e estimular melhorias nas propriedades em aspectos que envolvem manejo, nutrição e genética.

Outro objetivo é mostrar aos produtores familiares que a ovinocultura pode ser desenvolvida em pequenas áreas e, mais do que isso, pode representar uma fonte de renda extra. No oeste paranaense, os produtores vêm recebendo em torno de R$ 5 pelo quilo vivo do cordeiro. “Um pequeno produtor pode se tornar um grande criador de ovinos”, ressalta o presidente da C’Victa. Falando da própria experiência, ele conta que começou a criação de ovinos em 2008, e hoje mantém 250 matrizes na propriedade em Cascavel, onde consegue fazer a terminação dos animais na pastagem de inverno com sistema de integração lavoura-pecuária.

Ainda como argumento a favor dos investimentos na atividade está o próprio mercado. O consumo brasileiro de carne ovina é muito baixo, e estimado em cerca de 700 gramas por pessoa ao ano. “A cadeia está em expansão, assim como a demanda pela carne”, resume Bleil.

Os abates da C’Victa são terceirizados e realizados por um cooperado que atesta a carne com o Selo de Inspeção Municipal (SIM). Para o processamento, embalagem e rotulagem, foi construída uma sala de corte que deve entrar em operação ainda em 2012. Por enquanto, as carcaças são entregues inteiras a supermercados, casas de carne e restaurantes.

Os cordeiros que levam a marca da cooperativa são, principalmente, das raças Texel e Île de France, e devem seguir algumas especificidades. Os animais devem ter entre 120 e 150 dias de vida e pesar entre 38 e 42 quilos no momento do abate.

Padronização

O trabalho conjunto fez com que os associados da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana) tivessem apoio na hora de comercializar a produção oriunda dos criatórios de ovinos. Afinal, de forma coletiva e sem atravessadores, torna-se maior a possibilidade de conquistar melhores condições na hora da negociação. Em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a cooperativa criou em 2008 um confinamento para a terminação dos animais em Sertãozinho/SP.

Atualmente são atendidos 18 cooperados que têm na ovinocultura uma alternativa de renda nas propriedades voltadas à produção de cana-de-açúcar. Por meio do projeto, foi possível planejar a entrega de animais que seguem um padrão pré-determinado depois de passarem por sistemas de produção com tecnologias e manejos sanitários bastante parecidos.

Os ovinos enviados para o confinamento chegam à estrutura do confinamento com até três meses de vida e, a cada 45 dias, a cooperativa envia um lote para o abate. Nesse momento, os animais devem ter peso vivo entre 35 e 45 quilos. A venda da carne é feita nos supermercados da rede Copercana.

No Nordeste, o projeto Cordeiro do Cariri, liderado pela Embrapa Caprinos e Ovinos, também vem apoiando os criadores na hora de colocar a produção no mercado. No mês passado, foi realizada a primeira venda, que somou 27 animais de produtores de Campos Sales/CE. Os ovinos ficaram confinados por 70 dias e alguns alcançaram ganho de peso de mais de 300 gramas por dia. Depois do abate, a carne teve como destino supermercados da região do Cariri cearense.

Além da possibilidade da negociação coletiva, os criadores que participam da iniciativa recebem capacitação em áreas como manejo, sanidade e nutrição. A estrutura física conta com dois centros de terminação, um em Campos Sales e outro em Farias Brito, também no Ceará.