Ag Na Fazenda

 

Brahmânia Continental

Amor à primeira vista com a funcionalidade e a pecuária de resultados

Cintia Rocha

Foi muito cedo que o veterinário e selecionador Bruno Jacintho, titular da Brahmânia Continental, teve o primeiro contato com o Brahman. O ano era 1965 quando o pai, “Chichico” Jacintho, realizara viagem aos Estados Unidos. Todo o entusiasmo do patriarca em relação à raça ficou marcado na mente do ainda jovem Bruno, que mais tarde teve oportunidade de conhecer in loco os atributos da raça. “Em 1974, fui fazer um estágio na Universidade da Flórida e tomei mais contato com a raça. Finalmente, através do insubstituível “Rubico” Carvalho, pude ver o Brahman em terras brasileiras e digo que o amor foi instantâneo”, recorda.

Das mãos de Seu Rubico, em um leilão da Fazenda Brumado em 1999, Bruno Jacintho adquiriu seu primeiro touro Brahman, BRUB 32. Com a aquisição, começavam os trabalhos da Brahmânia, que em doze anos de atividade já atendeu 20 dos 26 estados brasileiros, com a venda de 1.200 animais registrados. Ele conta que o empreendimento investe na venda de touros com garantia de funcionalidade. “O Brahman tem menos de 18 anos no país e mil criadores registrando gado na ABCZ. É um crescimento realmente impressionante”, afirma o criador.

Seleção

Em 2002, a Brahmânia firmou parceria na qual foi decidida que a Fazenda Querença – pioneira nas importações de Brahman junto com Rubico e outros criadores – abriria o rebanho, sem reservas, e, em contrapartida, a Brahmânia arcaria com os custos das prenhezes geradas. Os produtos seriam repartidos entre ambas. Foram apartadas 18 das melhores vacas que a aquela propriedade dispunha. Com elas, foram feitas 410 prenhezes com touros americanos. Essa foi a base do plantel da Brahmânia. Nos anos seguintes, a Brahmânia acrescentou genética sul-africana, colombiana e americana de outras origens.

A seleção do criatório busca por animais de porte médio, boa ossatura, bons aprumos, umbigo corrigido e boa pigmentação. Todos os animais com excessos, para mais ou para menos, são descartados. De acordo com Bruno Jacintho, que há 40 anos atua em pecuária de corte, os touros da Brahmânia necessitam corresponder a três critérios básicos: ter libido, sêmen de boa qualidade e que congele bem; e ser fenotipicamente bom, com bons aprumos, conformação e cascos. Já as fêmeas devem ciclar e ovular regularmente a cada 21 dias, parir a cria com amor e produzir leite suficiente para desmamá-la com bom peso e emprenhar novamente, de preferência nos 90 dias seguintes ao parto.

“Evidentemente, observamos outros quesitos e sabemos que nós, como selecionadores ou pecuaristas, também temos “obrigações”. A primeira delas é providenciar condições alimentares e sanitárias minimamente boas para que esses animais possam mostrar qualidades e defeitos. A segunda é descartar para abate animais que não se provarem bons e não vendêlos a terceiros em leilões”, conta.

Segundo o criador, a principal ferramenta utilizada na Brahmânia é um sistema de fichas individuais por matriz, que mede todo o desempenho e conformação de cada exemplar. Fruto desse trabalho, a Brahmânia assinou convênio com o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ), órgão ligado à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, e será o primeiro criatório do zebuíno no Brasil a ser estudado pela entidade.

Em testes externos, exemplares do criatório já participaram por duas vezes do CP CRV Lagoa. “Nos saímos muito bem, com vários animais entre os dez primeiros colocados, inclusive um em 1º, que foi arrematado 50% pela própria CRV, e no ano seguinte outro classificado como o 2º melhor animal. Participamos também da Prova do Melhoramento Genético ABCZ/ EMBRAPA e da Prova de Ganho de Peso a Pasto para Machos Desmamados promovida pela ACBB/ABCZ, com duração de 12 meses”, ressalta Bruno Jacintho.

A funcionalidade é tudo em uma seleção consciente, honesta e duradoura, entende Bruno Jacintho

Mercado

A Brahmânia realiza três leilões virtuais pelo Sistema Brasileiro do Agronegócio (SBA), sempre com mais de 120 animais cada, e um remate presencial no mês de outubro durante a Expobrahman, em Uberaba/MG. De acordo com Bruno Jacintho, a média dos touros nos últimos três anos bateu [email protected] de boi gordo e [email protected] de vaca para as fêmeas (praça de SP). “São valores remunerativos e que o pecuarista pode pagar. Financeiramente, o retorno do Brahman é bastante interessante. O meio-sangue Brahman com o nosso zebu deixa [email protected] a mais no final da engorda”, considera.


Brahmânia prepara site interativo

Para o segundo trimestre, a Brahmânia Continental prevê o lançamento de um novo site. A página na Internet, que já é referência por possuir conteúdo e belas imagens, trará novas ferramentas para que os internautas possam se interar das novidades e consultar material técnico e produtos. “Estamos trabalhando em algo revolucionário, prático e dinâmico. O novo site será algo inédito na pecuária brasileira”, promete o proprietário. Após o lançamento, confira www. fazendacontinental.com.br.

Atualmente, 63 matrizes possuem status de doadoras na Brahmânia. Para chegar ao posto, as vacas precisam emprenhar antes dos 20 meses, parindo antes dos 30, desmamando bezerros com peso acima da média aos sete meses – mas com reconcepção 120 dias após o parto anterior. Mais uma vez deverão desmamar a cria com peso diferenciado. Só assim estarão aptas a serem doadoras e encaminhadas à produção de embriões.

Já a bateria de touros da Brahmânia conta com 13 exemplares com sêmen à venda. Alguns já provados como o Yelding (GOOD 24), Chevy (GOOD 127) e Topa Tudo (Querj 706). Alguns despontando, como Nagib (GOOD 556), Bill (GOOD 967), Marri da Brahmânia (GOOD 557).