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FOCO nos resultados a campo

O criador Gilson Katayama destaca a produção de carne e a importância da funcionalidade dos animais

“Hoje, acasalar na raça Nelore é uma tarefa difícil. Estamos importando embriões Ongole, o Nelore indiano”

Revista AG - Quais os principais negócios da Katayama Pecuária?

Gilson Katayama - Somos focados na produção bovina, constituída pelas divisões de Corte e Genética. Na Divisão Corte, o objetivo é a produção de novilhos precoces 100% Katayama em ciclo completo: cria, recria e terminação em confinamento. Na Genética, o negócio gira em torno da comercialização de material genético como sêmen, embriões, touros e matrizes Nelore.

Revista AG - Dentre eles, o principal seria a venda de touros?

Gilson Katayama - Na divisão Genética, a venda de touros é a principal fonte de receita e isso demanda especial atenção ao nosso programa de seleção, para garantir a oferta de material genético de qualidade para o mercado. Nosso sistema de produção de reprodutores e matrizes é alicerçado no PKGA+ (Programa Katayama de Genética Avaliada), concebido segundo as mais avançadas e modernas biotecnologias reprodutivas e de melhoramento. Nossa base genética possui mais de 2.500 matrizes Nelore registradas, criadas a pasto e geneticamente avaliadas pela ANCP (Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores). As DEP’s de cada animal são geradas por sua avaliação de desempenho individual. Dessa forma, produzimos um Nelore moderno, de boa habilidade maternal, dócil, com precocidade de acabamento, musculoso, sexualmente precoce, com bom desenvolvimento e estrutura, fértil e racialmente caracterizado.

Revista AG – Por que a empresa decidiu encerrar o Núcleo Elite da Katayama Pecuária na raça Nelore?

Gilson Katayama - Entendemos que há grande distanciamento entre a pista e o campo. O mercado precisa de animais produtivos e a pista não tem oferecido isso, infelizmente.

Revista AG - A seleção genética da raça Nelore está carente de novas linhagens?

Gilson Katayama - Hoje, acasalar é um trabalho muito complicado, devido ao grau de consanguinidade da raça Nelore. E quanto menor a endogamia, maior é a produtividade. A Katayama participa do JOP, projeto criado para trazer embriões Ongole, o Nelore indiano, para o Brasil e posteriormente multiplicar essa nova genética. Adquirimos vacas na região de Andra Pradesh, o berço do Ongole na Índia. Já temos mais de mil embriões armazenados e, em março de 2012, nascerão os nossos primeiros exemplares POI.

Revista AG - Qual o objetivo do confinamento da propriedade em Três Lagoas/MS?

Gilson Katayama - O confinamento da Fazenda Campo Triste desempenha papel muito importante na divisão Corte da empresa. Investimos em genética e o nosso confinamento proporciona o ambiente ideal para sua manifestação. Fazemos o ciclo completo, sendo a confinamento a etapa final da terminação. Com o uso desse sistema é possível vender animais prontos para abate ainda jovens, com idade de 22 meses e bom acabamento e peso. Dessa forma, conseguimos firmar contratos de venda com premiação de cota Hilton, além de obter remuneração adicional por conta do incentivo do Novilho Precoce do Estado do Mato Grosso do Sul. Todas as nossas propriedades são habilitadas Traces.

Revista AG - Na criação de ovinos, quais as prioridades da Katayama e as raças criadas?

Gilson Katayama - A ovinocultura no Brasil avançou muito nos últimos anos. O aumento do consumo per capita do brasileiro permitiu o crescimento da demanda por cordeiros e a consequente necessidade de melhoria da produtividade no campo. Enxergamos uma oportunidade de mercado e decidimos partir para a produção de genética da raça Dorper. Fomos à África do Sul, berço da raça, e trouxemos embriões das melhores doadoras. Hoje, detemos um plantel de muita qualidade e comercializamos reprodutores e matrizes.