Mercado

PREÇO FIRME, mas à espera de possíveis mudanças

O mercado da carne estava na expectativa, recentemente, de um aumento no número de animais abatidos, devido à saída do gado confinamento. Porém, este fato não está se confirmando; assim, a oferta de animais continua fraca e os frigoríficos que pressionavam os preços para baixo, agora, tem de trabalhar com escalas mais curtas.

As indústrias que conseguem trabalhar com preços de compra mais baixos são as que fecharam contratos a termo ou possuem confinamentos próprios. Algumas ficaram alguns dias fora das compras esperando uma melhora do mercado, coisa que ainda não ocorreu. Este cenário proporcionou uma maior valorização das fêmeas, o que já vinha acontecendo há algum tempo, por causa deste mesmo fator.

As escalas enxutas vêm garantindo um preço mais atraente ao produtor e dão firmeza ao mercado da carne. Mas, com a redução da oferta de animais para o abate, a dificuldade na compra dos mesmos está cada vez maior. Goiás, maior confinador do país, onde era mais fácil encontrar animais terminados na entressafra, apresentou novamente uma elevação dos preços.

O valor da carne, apesar de estar sofrendo reajustes ao longo do período, continua elevado, mas com vendas satisfatórias. As primeiras quedas começaram a aparecer no final de outubro, e não foi suficiente, até o momento, para diminuir a cotação. Assim, o mercado continua na expectativa de uma melhor definição, com escalas marcadas pela heterogeneidade e compradores não querendo pagar mais pela arroba, mesmo com pouca oferta de animais.

No fim do mês de outubro ocorreram também as primeiras chuvas em algumas localidades. Assim, o mercado repositor começa a melhorar e a época é boa para análise das vantagens para antecipar-se diante às possíveis altas que virão. O que pode ser notado é uma pequena elevação nas reposições.

O início de outubro foi marcado por uma movimentação por parte dos trabalhadores de frigoríficos do país, que estavam se organizando para uma possível greve. Reivindicam redução na jornada de trabalho e especificações de pausas e descansos, além

de aumento do piso salarial. Até o momento ainda não houve uma decisão por parte dos trabalhadores. Espera-se que a paralisação ocorra ainda neste ano. Algumas localidades chegaram a parar por alguns dias e com objetivos de evitar prejuízo optaram por uma conciliação junto à Vara do Trabalho, onde algumas modificações serão feitas. O não atendimento das exigências promete uma adesão de todo o setor da alimentação para esta greve nacional.

De janeiro de 2011 a 18 de outubro, o número de cabeças abatidas no Brasil, segundo o MAPA – SIPAs/DFAs, foi de 16,239 milhões, 10,8% a menos que no período de janeiro a outubro de 2010 (18,210 milhões). Como a compilação dos dados de abate deste ano é até o dia 18, até o fim do mês estes valores podem sofrer alterações.

Segundo a lista ERAS/TRACES, na qual se encontram as fazendas aptas a exportar carne bovina in natura para a União Europeia, até o dia 18 de outubro passado, 2.053 propriedades estavam em conformidade, contra 2.051 do período anterior. Estas fazendas estão divididas, segundo a European Commission, da seguinte forma (por Estados): 14 no Espírito Santo, 299 no Mato Grosso do Sul, 449 no Mato Grosso, 39 no Paraná, 166 no Rio Grande do Sul, 155 em São Paulo, 458 em Minas Gerais e 473 em Goiás.

O preço da arroba do boi gordo no mundo, considerando os 20 dias úteis compreendidos entre os dias 20/9 e 18/10, comparado ao período anterior (23/08 a 19/09) teve uma queda em países como Brasil, Argentina e Austrália. Somente os EUA apresentaram alta. Como pode ser observada na tabela do boi gordo no mundo, a média da arroba em dólares foi de 48,93 na Austrália, 54,30 no Brasil, 67,84 na Argentina e 70,13 nos Estados Unidos.

Como podemos observar no quadro da evolução do preço da arroba do boi gordo no Brasil, o preço permaneceu firme na maioria dos Estados, com algumas alterações ao longo do período analisado (20/9 a 18/10), mas com um valor de fechamento semelhante ao inicial. Isto não se aplica ao Estado do Rio Grande do Sul, que sofreu acentuada queda: de R$ 3,10/kg no início, fechou a R$ 2,88/kg, apresentando um valor médio de R$ 2,92. Em São Paulo, a média do período foi de R$ 98,35/@, abrindo a R$ 98,00/@ e fechando a R$ 99,00/@. Minas Gerais, apesar de algumas mudanças, iniciou e fechou o período com R$ 93,75/@. O Paraná, assim como Minas Gerais, apresentou os mesmos valores nas duas datas, de R$ 96,00/@. Santa Catarina manteve-se estável praticamente em todo o período, com o valor de R$ 98,00/@.

Goiás, com média R$ 88,68/@, começou o período a R$ 89,00/@ e finalizou a R$ 90,00/@. Mato Grosso sofreu uma mudança pequena ao longo do período, com uma média de RS 88,44/@. Mato Grosso do Sul, que sofreu a maior alta dentre todos os estados, principiou o período a R$ 94,50/@ e finalizou a R$ 96,00/@, com média de R$ 94,80/@.

O preço da arroba do boi gordo pago a vista, apesar de mais baixo que os valores a prazo, seguiram a mesma tendência, demostrando firmeza no mercado. A média do preço da arroba à vista foi R$ 96,35 em São Paulo, R$ 91,50 em Minas Gerais, R$ 86,68 em Goiás, R$ 92,90 no Mato Grosso do Sul, R$ 86,60 no Mato Grosso, R$ 94,25 no Paraná e R$ 96,03 em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, onde os preços são apresentados por quilo, a média foi de R$ 2,86/kg.

O valor do deságio, caracterizado pela diferença entre o preço à vista e a prazo, teve uma média de 2,02% (no período atual) entre os Estados analisados, sem considerar o Rio Grande do Sul. Esta relação foi maior em Goiás, com 2,26%, São Paulo com 2,03%, Mato Grosso com 2,08%, Santa Catarina 2,04% e Mato Grosso do Sul com valor próximo ao valor médio. Já Paraná e Minas Gerais permaneceram abaixo do valor médio, com 1,62% e 1,98, respectivamente. Rio Grande do Sul permaneceu com 2,12%.

O preço do bezerro segue estável, com poucas variações no período de 20/9 a 18/10. A expectativa é que os valores cresçam em virtude do começo da época chuvosa e a necessidade de animais para reposição, como foi dito no início do texto.

A média do preço por cabeça dos animais em São Paulo foi de R$ 711,00 e R$ 703,50 no Paraná, estados com maiores valores. O Rio Grande do Sul, onde os animais são provenientes de cruzamento industrial, a média de valores foi R$ 584,50/cabeça. A média dos preços por cabeça em Minas Gerais no período foi R$ 672,00, em Goiás R$ 651,00, no Mato Grosso do Sul R$ 699,00 e, em Mato Grosso, R$ 630,00.

O valor do boi magro não apresentou grande variação, porém, foi maior que a variação do preço do bezerro, além de demostrar certa diferença entre as praças. Em São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul houve aumento no período analisado (de 20/9 a 18/10), tendo uma média de preço por animais de R$ 1.204,00, R$ 1.070,00, R$ 1.099,00, respectivamente. Os estados com baixa foram Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná com R$ 1.118,00, R$ 1.130,00, R$ 1.163,50 e R$ 1.167,50, respectivamente.

A relação de troca média entre desmama e boi gordo não se mostrou muito discrepante. Como podemos analisar no quadro da relação de troca, observamos um valor maior no Rio Grande do Sul, com 2,40 e 2,25 no Mato Grosso. A menor relação foi verificada no Mato Grosso do Sul: 2,17.

Analisando a relação de troca entre boi magro e boi gordo, as diferenças, como podem ser vistas, também foram pequenas. Goiás ficou com 1,26 e Minas Gerais com 1,34.

As médias foram 2,20 para relação desmama e boi gordo e 1,31 para boi magro e boi gordo, lembrando que o Rio Grande do Sul não entra na média devido a trabalharem com animais cruzados.

Ana Paula Ribeiro e Andrea Brasil Boviplan Consultoria