Tecnologia

GPS chega para o uso no campo

Técnica propícia, redução de custos e contribuição para a sustentabilidade

A pecuária brasileira evoluiu e cresceu nos últimos 50 anos sob diversos aspectos, tornando-se o maior rebanho comercial do mundo. Investimento em genética, nutrição animal, extensão de pastagens cultivadas, utilização de novas espécies forrageiras, dentre outros avanços que visam basicamente a suprir a crescente demanda de carne e leite da população mundial.

Entretanto, existem novas tecnologias que podem trazer não apenas melhor produtividade, mas principalmente economia aos processos. Várias dessas novas técnicas já são amplamente adotadas utilizadas pela agricultura. O emprego de tecnologias como o GPS busca tornar a atividade competitiva e também mais sustentável, reduzindo os impactos ecológicos e até fundar um novo conceito, a Agricultura de Precisão, que atualmente é utilizada em vários processos (plantio, colheita, aplicação de defensivos, adubos e corretivos). Porém, na pecuária, o uso é pouco difundido, especialmente pelo pouco conhecimento sobre essa tecnologia e por ser considerada de alto custo.

Com a valorização dos imóveis rurais e boa rentabilidade na pecuária, existem FIGURA D – Aplicação com o uso de GPS FIGURA C – Aplicação sem o uso de GPS já criadores preocupados também com a recuperação e reforma de pastagens, economia de insumos, melhor gerenciamento dos trabalhos, ou seja, redução dos custos de produção para aumento do retorno de capital.

Uma medida de fácil adoção é o controle de insumos. As áreas que recebiam uma operação de aplicação de herbicidas a cada dois anos ou até menos, agora têm recebido três ou mais operações, entre elas: calagem, adubo, semente, herbicidas e inseticidas. Com isso, temos aumento no uso de insumos (normalmente de custo elevado) e maior impacto ao meio ambiente quando aplicados da forma incorreta.

Com o objetivo de comparar uma aplicação de insumos com e sem orientação por GPS, realizamos no Mato Grosso dois experimentos práticos. No primeiro, em uma área útil de 15.400 m², foi feita uma simulação sem a orientação da tecnologia. O resultado é apresentado na Figura A. Na segunda simulação, iniciada no mesmo ponto da anterior, foi utilizado o GPS para a navegação da área (Figura B).

A faixa efetiva de aplicação foi de 11 metros, usual para os equipamentos de pulverização utilizados em pastagens. Sobre as imagens foi calculada a área total de aplicação sem cabeceiras (contorno em laranja) e as áreas de sobreposição, ou seja, onde foi aplicado duas vezes no mesmo local e falhas de aplicação, que são locais onde o produto não chegou (contorno em preto). Foram consideradas sobreposição e falhas de aplicação em áreas com largura superior a 80 centímetros.

Como podemos ver na Tabela 1, sem orientação do GPS a aplicação ocorreu incorretamente em 29,40% (sobreposição + falha) do produto e hora máquina, contra 0,99% com apoio da tecnologia.

O segundo experimento foi feito com calcário seco a lanço em superfície em pastagem com área total de 29.979 m².

A primeira parte foi sem orientação. A área trabalhada está representada na Figura C. Na sequência, o operador foi instruído na utilização da orientação pelo GPS na navegação do trator (Figura D).

A aplicação com orientação por GPS acumulou erros (falha + sobreposição) de apenas 3%, enquanto sem orientação a porcentagem subiu para 22,37%, como indicado na Tabela 2.

A aplicação de insumos em pastagens ainda não mecanizadas ou pouco mecanizadas é uma operação com muitos erros, devido aos diversos obstáculos presentes no percurso, como leiras, troncos, cupins e buracos, mas, principalmente, pela dificuldade de orientação. Conseguir determinar visualmente a distância correta entre faixas de aplicação e manter esse alinhamento sem o uso de GPS é praticamente impossível.

Portanto, o uso de GPS na aplicação de insumos de modo tratorizado na pecuária é uma das tecnologias que mais contribui para a sustentabilidade de uma propriedade. Permite a dosagem correta, no local exato e impede aplicações em excesso, o que poderia contaminar o meio ambiente. O abuso de corretivos, adubos nitrogenados e até herbicidas com potencial de fitotoxidade pioram as condições das pastagens e causa danos à forragem.

Nas figuras da página anterior, podemos analisar uma situação de reforma de pastagens e o comparativo envolvendo as duas situações, com e sem GPS.”

Para o exemplo acima, e considerando os preços médios praticados atualmente para os equipamentos de GPS, o aparelho já traz retorno financeiro imediato para áreas de 40 hectares.

Atualmente, existem vários modelos de sistemas de navegação no mercado, alguns mais simples e outros mais sofisticados. Na pecuária, devido à mão de obra com baixa qualificação e tratores sem cabine, a opção deve ser por modelos rústicos, que suportem poeira e chuva, possuam uma interface simples e intuitiva, gravação de dados e saída USB para facilitar a coleta de dados. Este é um ponto interessante para os gestores da empresa rural: coletar e analisar o resultado e a eficiência da operação realizada. Para essa análise,é necessário que o sistema de navegação tenha um software que gere mapas sobrepostos a imagem de satélite, marcando o horário do início do serviço, pontos de parada, velocidade de trabalho e deslocamento, auxiliando assim o gestor a analisar como está sendo realizado o serviço.

O sistema de navegação GPS pode ser uma tecnologia indispensável para a sustentabilidade ambiental e financeira da empresa pecuária e focada na verticalização da produtividade.

*Engenheiro-agrônomo e Desenvolvimento de Mercado e Tecnologias Suprema Prod. Agrop. Ltda. [email protected]