Entrevista do Mês - Ricardo Pereira Carneiro

Eficiência comprovada na PRODUÇÃO

O Senepol aumenta a participação na pecuária brasileira e apresentou grandes resultados, especialmente nos últimos dois anos. Um bom exemplo é o acréscimo de 36% nas vendas de sêmen, o que levou a raça para a quarta posição entre os taurinos mais utilizados em inseminação artificial. Quem conta mais é Ricardo Pereira Carneiro, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol.

Adilson Rodrigues [email protected]

Revista AG - O atual momento é bom para a pecuária em geral?

Ricardo Carneiro - A pecuária vem passando por transformações. A necessidade de profissionalizar a atividade fez o pecuarista procurar novos horizontes e mudar conceitos em busca de produtividade e de eficiência. Quem não mudar vai ser obrigado a deixar a criação.

Revista AG - Nesse contexto, quais os reflexos no rebanho Senepol do Brasil?

Ricardo Carneiro - O Senepol é uma ferramenta de mudança. Rusticidade, precocidade e docilidade são os alicerces desta nova pecuária e o Senepol consegue unir essas qualidades em um único animal.

Revista AG - Aliás, especialmente nos últimos dois anos, a raça teve um ótimo crescimento. Poderia falar um pouco sobre isso?

Ricardo Carneiro - Fechamos 2010 com 77 sócios, um aumento de 22%, e pretendemos chegar a 100 no próximo ano. O rebanho de animais puros já superou a marca dos 10.000 animais registrados. Somos, hoje, a quarta raça taurina mais utilizada em inseminação artificial. Fizemos a melhor média nacional de remates entre todas as raças no primeiro semestre de 2011. Enfim, vários índices confirmam esse desempenho da raça. A eficiência que leva ao resultado, fez da raça uma opção única de taurino que cobre a campo, padroniza as crias e mocha toda a progênie. O pecuarista descobriu o Senepol. Quem experimentou aprovou. Quem aprovou indicou.

Revista AG - A respeito desse aumento de 22% no número de investidores Senepol, o que esses empresários encontraram na raça?

Ricardo Carneiro - A demanda é infinitamente maior do que a oferta e os criadores perceberam esta oportunidade de investimento. Passaram, então, a investir na raça Senepol, multiplicando e selecionando animais de alta performance para atender este crescente mercado.

Revista AG - Atualmente, quais os polos de produção Senepol?

Ricardo Carneiro - O maior número de criadores está concentrado em MT, MS e no Triângulo Mineiro. Nosso rebanho PO já passou de 10.000 animais, distribuídos em 13 estados. Recentemente, com o ingresso de pecuaristas do ES e RJ, temos a expectativa de elevar esse número e levar essa genética aos pecuaristas de todo país.

Revista AG - Soubemos que o mercado da raça tem crescido exponencialmente fora desses polos de produção. Como avalia esse fato?

Ricardo Carneiro - Os reprodutores Senepol estão sendo utilizados como ferramenta de produção de bezerros de corte diferenciados. Temos conhecimento de procura em regiões onde outros taurinos certamente não se adaptariam e não teriam eficiência reprodutiva. Isto é um muito positivo, pois confirma com resultados a expectativa de produtividade da raça.

Revista AG - Qual o perfil dos pecuaristas que tem usado essa genética e como ela vem sendo utilizada. Mais na forma de touros ou sêmen?

Ricardo Carneiro - São pecuaristas atentos às transformações do mercado, que buscam ferramentas de gestão para melhorar eficiência. Normalmente oriundos de uma sistema de criação tradicional e hereditária, porém, sempre agregando o ‘novo’ ao ‘velho’, com informações de gestão, mudando antigos conceitos e produzindo novos resultados positivos. Com relação à venda de sêmen, em 2010 tivemos um crescimento de 36%. A expectativa é crescermos em 2011 os mesmos 36%, atingindo a marca das 128 mil doses comercializadas. Outro índice extraordinário de crescimento são as vendas de touros registrados pela ABCB Senepol. O reflexo disso são os remates da raça, que neste ano de 2011 chegaram a 13 eventos comerciais, um crescimento de 60% comparado a 2010.

Revista AG – Quanto a raça “abocanha” do mercado de touros?

Ricardo Carneiro - Estamos, ainda, muito aquém da demanda. Mesmo um reprodutor Senepol adulto sendo indicado para cobrir até 50 vacas (o dobro de eficiência de outras raças), não suprimos a procura. Um reprodutor dificilmente atinge 24 meses no próprio criatório, é ofertado com liquidez entre os 15 e 20 meses.

Revista AG - Quais qualidades realmente pesam na balança quando o pecuarista opta por um touro Senepol?

Ricardo Carneiro - Adaptação: é única, não sofre estresse térmico. Rusticidade: acompanha a vacada, cobrindo a campo até 50 vacas. Precocidade: seus filhos são abatidos com até 22 meses, com média de [email protected], e as fêmeas já entram em atividade reprodutiva aos 15 meses. São muitas as qualidades. A que particularmente me agrada mais é a docilidade. Os filhos de Senepol não destroem as instalações (currais, porteiras, troncos), não geram problema ao manejo e reduzem a zero os acidentes com mão de obra.

Revista AG - São exatamente esses motivos que levaram a raça para o Pará? Este estado já é mais um importante mercado para a raça?

Ricardo Carneiro - O Pará é atualmente o grande polo da cadeia da carne bovina, e o pecuarista que investiu nesta nova fronteira é o produtorempresário, que faz conta e busca resultado. E nesta empreitada, “nada supera o Senepol’’.

Revista AG - Muito dessas qualidades são atribuídas ao programa de melhoramento nacional da raça. Poderia falar sobre esses programas?

Ricardo Carneiro - Os criadores são os mais preocupados com o melhoramento genético da raça e a associação tem como função coordenar a coleta, armazenagem e divulgação desses dados para fomento de programas de melhoramento genético. Existem frentes sérias de trabalho neste quesito, provas e testes de performance avaliando e mensurando rebanhos. Esses dados é que solidificam o trabalho de melhoramento da raça. O Brasil detém a melhor genética Senepol do mundo e, inclusive, a exportamos para os continentes africano e americano.

Revista AG - O trabalho de mensurações zootécnicas tem sido um dos grandes diferenciais da raça Senepol?

Ricardo Carneiro - A raça não possui julgamento. Nossos juízes são as avaliações. Buscamos jovens talentos a cada safra, que vão nos ajudar a evoluir. O Centro de Performance da CRV Lagoa é o maior exemplo desta relação mensuração x evolução genética, na qual a central pinça os melhores animais para a bateria de doadores de sêmen, justamente por ter conhecimento que o mercado de hoje está atento a esses índices.

Revista AG - As ferramentas utilizadas para mensurar o desempenho da raça resumem-se às provas de desempenho ou seria algo muito mais amplo?

Ricardo Carneiro - No caso do CP da CRV Lagoa, avaliamos 12 características. Neste ano, inovamos avaliando as fêmeas, futuras doadoras de embriões. Em 2012, utilizaremos o GROW SAFE - sistema de avaliação de eficiência alimentar pioneiro no Brasil. Vamos identificar os reprodutores que tem uma melhor relação de conversão alimentar, com um menor consumo de alimento.

Revista AG - Já é possível dizer que os produtos originados da genética POI já estão totalmente adaptados à realidade brasileira?

Ricardo Carneiro - O Senepol foi feito para o Brasil. Já estamos entre a 4ª e a 5ª geração de animais puros no Brasil. Sem medo de errar, superamos em muito a genética original da Ilha de Saint Croix. Membros da Associação Americana, quando visitaram nosso país, se renderam à qualidade genética do plantel nacional e da eficiência dos criadores brasileiros.

Revista AG - O uso do Senepol cresce tanto na pecuária extensiva quanto na intensiva?

Ricardo Carneiro - A performance da raça é tão surpreendente que, se a criação for intensiva, o ganho médio de peso é fantástico e a terminação é muito rápida. Se for extensiva, a raça se sobressai e apresenta índices de conversão e de precocidade satisfatórios. Um desses exemplos de sucesso no sistema intensivo é o confinamento das Fazendas Reunidas Baumgart (Rio Verde/GO), onde é desenvolvido um projeto de terminação super precoce. Os machos são abatidos aos 13 meses, com média de [email protected] Já um exemplo de pecuária extensiva, seria o projeto da Fazenda Veluma (Cumaru/ PA), onde os machos meio-sangue Senepol são abatidos a pasto aos 22 meses com 18,[email protected]

Revista AG - O reaquecimento do cruzamento industrial abriu uma excelente porta para a raça, especialmente no tricross. A raça é melhor recomendada para quais acasalamentos?

Ricardo Carneiro – O Senepol pode ser a solução para qualquer acasalamento. No cruzamento com o Zebu agrega benefícios de ponta a ponta com heterose altíssima, imprimindo características funcionais e comercias, como padronização, alto peso à desmama, caráter mocho, pelo zero e fertilidade. No cruzamento com F1, os produtos serão de alta performance e muito adaptados, mantendo precocidade, avançando no taurino e mantendo alta a heterose.

A raça não possui julgamento. Nossos juízes são as avaliações. Buscamos jovens talentos a cada safra. O Centro de Performance da CRV Lagoa é o maior exemplo, na qual a central pinça os melhores animais para a bateria de doadores de sêmen.

Revista AG - Sobre a carne Senepol, quais suas características? Internacionalmente, é um produto que pode levar o Brasil a obter melhores preços pela carne?

Ricardo Carneiro - É considerada a carne mais macia e de baixo marmoreio. Totalmente saudável, muito macia e de um sabor único. Por ser uma raça de genes dominantes, o Senepol consegue transmitir essa qualidade no primeiro cruzamento. O resultado disso é a padronização da qualidade da carne, tornando nosso produto extremamente competitivo.

Revista AG - Nos abates técnicos, quais são os resultados? Aliás, um novo abate está sendo conduzido. Qual o grau de sangue, idade e sistema em que os animais foram criados?

Ricardo Carneiro - Estamos confirmando a qualidade da carne do Senepol. Os abates são realizados em diversas composições sanguíneas e de manejo e as amostras de carne são enviadas a institutos de pesquisa para teste de força de cisalhamento. Todos estes documentos estão servindo de arquivo permanente para o posicionamento do projeto da carne Senepol. Esta carne é exatamente o que o mercado procura: saudável, macia e com preço competitivo. O próximo abate técnico está programado para o final do mês de novembro, com animais (machos e fêmeas) meio-sangue Senepol x Nelore, produtos de monta natural, criados a pasto no estado de Goiás.

Revista AG - O que seriam o “Projeto Raça” e o “Projeto Carne”? Eles fazem parte do plano de expansão da raça?

Ricardo Carneiro - O Projeto Raça é uma das iniciativas promocionais da raça, na qual fomos atrás de criadores (não associados) de diferentes regiões do país, elaboramos uma série de depoimentos a respeito do desenvolvimento, performance e produtividade do uso de touros Senepol a campo. Esses depoimentos são valiosos porque são pecuaristas reais que buscaram na raça a solução para o cruzamento e, sobretudo, como fonte de renda para a manutenção de sua atividade. O Projeto Carne também faz parte dos projetos promocionias da raça. Estamos desenvolvendo mecanismos de aperfeiçoamento e coleta de dados. Basicamente, serão criadores que vão absorver esta genética em suas matrizes e os produtos resultados do cruzamento serão terminados e avaliados por técnicos até o abate. Em seguida, o consumidor final poderá adquirir esses cortes, padronizados, saudáveis e macios. Estamos apenas começando. Muita água irá correr até finalizarmos esta ponte.