Caindo na Braquiária

Fluminense bom de churrasco

Em 1763, o Rio de Janeiro tornou-se a sede do Vice-reino do Brasil e a capital da Colônia. Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, na época da tomada da Península Ibérica por Napoleão Bonaparte, a região foi muito beneficiada com reformas urbanas e culturais para abrigar a corte portuguesa.

E foi para aquelas bandas que estive, a fim de conhecê-la pelo prisma pecuário, região onde a pecuaria de corte alcança o zênite absoluto de expressividade no norte do estado. O Norte Fluminense, erroneamente assim chamado, pois de fato a região é localizada no nordeste do estado, é formado por dez municípios, contabilizando um rebanho bovino, de acordo com o IBGE 2007, de pouco mais de 600.000 cabeças, as quais somam próximo de 30% do rebanho efetivo carioca. Já o relevo da região é marcado por uma grande planície de solo massapê, o que favoreceu, no passado, a instalação da cultura da cana-de-açúcar, a qual, a partir dos anos 90, com a derrocada do Próalcool, vem sendo

Nos terras fluminenses, pudemos, surpreendentemente, conhecer rebanhos comerciais fazendo, a toda carga, cruzamento com Red Angus, variedade do Angus que outros estados vêm substituindo plenamente por Aberdeen Angus, em busca de maior variabilidade genética e padronização na pelagem dos ½ sangue.

A maior diatribe dos pecuaristas de corte do estado diz respeito à pequena concorrência na indústria frigorífica no estado. Dessa maneira, boa parte deles vem fazendo bezerros para vender nos leilões de Campos e Macaé.

Acompanhado da zootecnista Milene Malta, minha embaixadora na região, iniciei as visitas na fazenda administrada por Celso Oliveira, também zootecnista, que inicialmente havia sido contratado para fazer um plano de recuperação da fazenda e que, tão logo entregou o que deveria ser feito, foi sumariamente contratado para tocá-lo. Jovem, mas com muita experiência, Celso implantou no ano passado a inseminação, fazendo-a em 600 fêmeas, de um total de 1.300 matrizes Nelore, com sêmen de touros Nelore provados. Outra ação que visa ao melhoramento do rebanho é a aquisição somente de touros ceipados (reconhecidos com CEIP) para repasse da IA. Ao mesmo tempo, vem paulatinamente reformando as pastagens para melhor acomodar a genética que vem preparando. Uma atitude que vem fazendo a equipe de funcionários se esmerar a cada dia nas suas funções são as reformas que Celso vem fazendo nas casas das colônias, dando, dessa maneira, condições de moradia que orgulham as famílias do pessoal de morar no campo dignamente.

Administrando um rebanho de 4.500 vacas comerciais, a fazenda gerenciada por Jânio, técnico acostumado a lidar com o gado nos chamados tabuleiros costeiros, produz bois cruzados ½ sangue Red Angus, levados com no máximo 22 meses ao abate, depois de 70 a 90 dias de confinamento. Nesse caso, sugerimos que use uma raça taurina adaptada mas ½ sangue Red a fim de gerar bons animais tricross para a indústria.

Já na propriedade que o agrônomo Willy Pedro gerencia, fomos recebidos para discutir os resultados genômicos de suas doadoras Nelore e, assim, orientar os melhores acasalamentos para cada uma delas. A fazenda situada em Campos, que já foi 100% cana, atualmente vê no gado de corte uma cultura de menor risco e de maior liquidez.

Deixando o formidável norte fluminense, nos dirigimos a Casemiro de Abreu, onde o zootecnista André gerencia 2.500 vacas comerciais, inseminando também com Red Angus, fornecendo os bezerros a um dos maiores frigoríficos nacionais, dentro de um sistema de parceria. Fiquei também muito impressionado com os investimentos que a propriedade faz em bubalinocultura nas ilhas formadas nessa linda região costeira, trabalhando com comportas que retêm as águas do mar no momento da maré cheia e deixam a água sair na vazante, criando um sistema racional de manejo dessas pastagens naturais.

na bela Fazenda Ventania, em um jantar de costela ovina regado a vinhos finos, desfrutamos a companhia do Sr. Adilson Bon, selecionador esmerado de Nelore. Com opiniões fortes, mas sempre abertos a novas tecnologias, discutimos linhagens do Nelore e seus benefícios à raça, bem como o futuro do Nelore, ficando sempre a questão no ar: quem terá mais espaço na pecuaria brasileira? Os touros selecionados pelo visual e pedigree ou touros escolhidos através das DEPs dos programas de melhoramento? Eis a questão. Quem sobreviver verá.

Alexandre Zadra - Zootecnista
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