Gir Leiteiro

Evolução constante

Gir Leiteiro mostra crescimento tanto nos julgamentos quanto nos concursos leiteiros

Com um rebanho cada vez maior, o Gir Leiteiro tem marcado presença nas principais exposições do Brasil. Muito do crescimento é atribuído ao ingresso de novos criadores e ao investimento contínuo dos mais tradicionais junto à Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL).

O trabalho de melhoramento genético visto nas exposições ranqueadas e nos concursos leiteiros têm resultado em uma sucessão de recordes. Em 2010, a maior marca de produção em um concurso leiteiro foi alcançado por uma vaca adulta com produção média de 48,047 kg. Neste ano, essa marca foi superada por uma vaca jovem com produção média de 49,393 kg.

E não demorou muito para que a barreira dos 50 kg fosse rompida. A façanha aconteceu durante a 2ª Exposição Regional de Gir Leiteiro de Luziânia, em Goiás, quando a fêmea Fécula FIV Mutum produziu 156.680 kg de leite, que correspondem à média diária de 51,227 kg de leite/dia, tornando-se a nova recordista mundial.

Filha do consagrado CA Sansão na doadora Palma F. Mutum, Fécula mostra que também tem grande potencial. “Nos últimos concursos leiteiros, nas exposições ranqueadas pela ABCGIL, o que temos visto é uma sucessão de recordes sendo batidos, e sempre ultrapassando a casa dos 50 kg/dia. É muito gratificante. Mostra o potencial da nossa raça”, salienta Sílvio Queiroz, presidente da ABCGIL.

Logo após a marca histórica de produção, a recordista Fécula FIV Mutum, novamente voltou aos holofotes, após o término da 5º edição do Leilão Gir Leiteiro da Fazenda Mutum. Na ocasião, 50% de sua propriedade foi comercializada por R$ 1,2 milhão, sendo o lote mais valorizado na história da raça até o momento.

Segundo Queiroz, esse crescimento e as constantes quebras de recorde nas ordenhas dos concursos leiteiros já eram esperados. Esses resultados atribuem-se à decorrência dos acasalamentos focados no uso de touros provados pelo Programa Nacional de Melhoramento Genético do Gir Leiteiro (PNMGL), projeto executado pela Embrapa Gado de Leite, em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Zebuínos (ABCZ).

O programa tem o objetivo principal de promover o melhoramento genético da raça, por meio da identificação e seleção de reprodutores geneticamente superiores para as características de produção (leite, gordura, proteína, lactose e sólidos totais), de conformação e manejo, e envolve a participação de diversos órgãos públicos e privados, como centrais de processamento de sêmen, criadores de gado Gir PO e fazendas colaboradoras.

O PNMGL conta, hoje, com aproximadamente 450 rebanhos participantes, com cerca de 50 mil lactações. A cada ano, novas lactações são obtidas e também é divulgada nova lista de touros com avaliação genética pelo Teste de Progênie. “Temos acompanhado que a média de rebanhos comerciais aumenta ano a ano. Podemos afirmar que já ultrapassamos a média de 3.200 kg de leite em 305 dias de lactação. Isso é o resultado de trabalho de melhoramento da raça”, acrescenta o presidente.

Ainda segundo Queiroz, o mercado do Gir Leiteiro tem tido constante crescimento, tanto quantitativo quanto qualitativo, não só nas pistas e nos concursos leiteiros, mas, principalmente, nas fazendas produtoras de leite, o que torna firme o mercado para animais com certificação de seleção leiteira. É um fator que diferencia o trabalho de quem produz leite com base na genética funcional proveniente do melhoramento.

Pelo Brasil

Com o ingresso contínuo de novos criadores, o Gir Leiteiro dissemina genética de produção de leite a pasto pelo país. Especialmente por ser uma raça eficiente dentro das realidades econômicas e ambientais. “É constante a entrada de produtores de leite e criadores de Girolando que querem genética funcional aditiva, buscando animais produtivos, dóceis, adaptados aos trópicos e que viabilizem economicamente a produção”, destaca Queiroz.

Por essas características, o Gir Leiteiro deixou o pólo mineiro para também se consolidar em São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rondônia, entre outros estados. “A raça está presente de norte a sul, ou seja, é verdadeiramente uma espécie brasileira, ideal às condições nacionais”, salienta o presidente.

Graças às técnicas de reprodução por FIV (Fertilização In Vitro) assistida e TE (Transferência de Embriões), o rebanho de Gir Leiteiro tem crescido de forma rápida e significativa. Os números da ABCZ indicam um rebanho nacional superior a 150 mil cabeças, entre machos e fêmeas de todas as faixas etárias.

A raça também apresentou um aumento significativo na comercialização de sêmen nos últimos anos. Para se ter uma idéia, no final dos anos 90, quatro anos após o início da oferta de sêmen dos primeiros touros provados, foram comercializadas 183 mil doses, segundo dados do relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA).

Em 2009, a comercialização subiu para 580 mil doses, o que representa um salto de 218%. Já no último relatório, divulgado em março passado, a raça teve um salto de 579,2 mil doses para 689,5 mil, um crescimento de 19%, superando o Holandês e o Jersey, que tiveram acréscimo de 7,61 e 7,9%, respectivamente.

Queiroz destaca a presença da raça de norte a sul e atribui essa evolução à capacidade de adaptação às mais diversas condições do Brasil

Para manter essa evolução, a ABCGIL trabalha para tornar o Gir Leiteiro uma raça sustentável, ou seja, adequada à produção de leite, de forma econômica e ambientalmente correta. “A associação existe para promover soluções inovadoras que assegurem ao Gir Leiteiro sustentabilidade no ambiente tropical em todo mundo. É neste objetivo que concentramos todos os nossos esforços diariamente”, conclui o presidente.