Manejo

Planejameto forrageiro

Chegada da estação chuvosa marca o início do processo

Com o fim do período seco e início das chuvas, os produtores iniciam a fase de preparo das pastagens, seja para formar novas áreas, reformálas ou recuperá-las. Para os dois primeiros itens, o engenheiro-agrônomo Marcelo Ronaldo Villa orienta para a retirada de uma amostra de solo e envio da mesma para um laboratório que indique a necessidade de correção da acidez (calagem) e de adubações de plantio (adubos fosfatados) e de cobertura (nitrogênio e potássio).

O próximo passo seria “preparar o solo, tanto no sistema convencional como no de plantio direto. Se no sistema convencional, é necessário eliminar a vegetação existente por meio de gradagem pesada, aração e gradagem leve; se no sistema de plantio direto, deve-se eliminar a vegetação existente pela aplicação de herbicidas”. A terceira etapa é a aplicação de calcário, se necessário, e a aplicação de fertilizante.

Muitos produtores costumam, na entrada das chuvas, já iniciar o plantio da forrageira. Sabe-se, entretanto, que não é só a umidade que determina a germinação das sementes. “O período seco pode ter sido muito prolongado, e as primeiras chuvas podem não ser suficientes para que o solo tenha uma boa reserva. As sementes, tendo iniciado o processo de germinação, podem morrer se faltar umidade”, explica o agrônomo.

Outro problema apontado pelo agrônomo, e muito comum quando se faz o plantio no início das chuvas, é a incidência mais frequente de chuvas torrenciais, que podem aprofundar as sementes no solo, impedindo a germinação satisfatória. Ele lembra que, para uma semente germinar satisfatoriamente, “é necessário que três condições climáticas aconteçam ao mesmo tempo: temperatura, luminosidade e umidade”.

A escolha das sementes e a maneira correta de utilizá-las são cuidados que todo produtor deve levar em consideração. O mercado oferece uma grande variedade de cultivares, já que o país apresenta condições edafoclimáticas muito diferentes, necessitando de espécies que se adaptem a elas. Como se isso não bastasse, o Brasil tem também níveis de manejo bem diferenciados quanto à fertilização do solo, utilização, espécie animal ou categoria que irá consumir a pastagem, etc. Então, no momento da escolha da espécie ou cultivar a ser implantado, a recomendação é de que o produtor leve sempre em consideração os fatores limitantes à produção, tais como fertilidade e tipo de solo, topografia do terreno, grau de drenagem, ataque de insetos e doenças, espécie, categoria animal e tipo de manejo animal, além de considerar a finalidade da pastagem.

Lei de sementes

A legislação de sementes e mudas (Lei nº 10.711 de 5/8/03) através do seu decreto nº 5153 de 23/7/04) e da Instrução Normativa nº 9, de junho de 2005, extinguiu o valor cultural (VC) como padrão de sementes. Atualmente, para sementes de forrageira, os padrões estabelecidos e válidos são os da Instrução Normativa nº 30, de 21/5/08, que traz os índices mínimos de pureza, germinação ou viabilidade que cada categoria de sementes de forrageiras deve apresentar. Esses dois padrões, mais a qualidade sanitária e os níveis de ervas daninhas, é que indicam a qualidade que as sementes apresentam.

Como exemplo, uma semente de Brachiaria brizantha deve apresentar, no mínimo, pureza de 60% e viabilidade de 60%, e de Panicum maximum, pureza de 40% e viabilidade de 40%. A preocupação com a qualidade da semente deve ser uma tônica. Apelar para produtos de qualidade inferior e para sementes piratas pode parecer econômico a princípio, mas gera grandes prejuízos com os baixos índices de produtividade, doenças e ervas daninhas que serão inseridas no pasto.

A melhor estratégia é não deixar a semente como o último insumo a ser adquirido. E, no momento da aquisição, o produtor deve exigir nota fiscal e o termo de conformidade do produto, pois este é um termo de garantia do produto adquirido. “Não existem milagres; valores muito abaixo do mercado são certeza de prejuízo”, aponta Villa.

Retorno do investimento

O investimento feito pelos produtores na formação da pastagem, quando faz a opção pela qualidade, é sempre um investimento mais alto. Mas, segundo o agrônomo, o produtor que adquire uma semente de qualidade, com tecnologia diferenciada, está optando por não correr riscos e por contar com plantas adequadas para uma boa formação e fechamento do solo. Estas plantas de alto vigor possibilitarão o pastejo antecipado dos animais na área, maior produção de matéria seca por hectare e risco quase zero de levar pragas e doenças ao pasto. Se o produtor tiver uma planta que produza mais por hectare, consequentemente terá maior produção de carne, leite ou bezerros por hectare.

A cada ano, “há um incremento em tecnologia na produção de sementes de forrageiras. Dentre eles, estão as sementes incrustadas, revestidas com materiais especiais que contém traços de K, Ca, Mg, Cu, Si, Fe, etc., polímero, fungicidas e inseticidas. Além disso, são provenientes de um processo de escarificação química, no qual apenas as que estão totalmente granadas (embrião formado) é que resistem ao processo, garantindo que cada involucro tenha uma semente viável e saudável.

Planejamento forrageiro

Em função da sazonalidade do clima brasileiro, o planejamento forrageiro tem sido a principal ferramenta para evitar o prejuízo. Sabe-se, também, que é na estação das águas que se planeja o período seco. Marcelo Villa explica que, quando entramos na estação chuvosa, muitas vezes nos esquecemos dos apuros passados no período que a antecedeu. Para prevenir que o período seco cause prejuízos e que o produtor passe aperto, o técnico recomenda o planejamento da reforma de pastagens degradadas, da recuperação daquelas que têm um bom estande de plantas, efetuando o controle de ervas daninhas, a aplicação de corretivos, a adubação fosfatada e a adubação com nitrogênio e potássio, para que as plantas tenham condições de se desenvolver bem e produzir muita forragem”.

Marcelo Ronaldo adverte que as primeiras chuvas podem não ser suficientes caso a seca tenho sido intensa

Recomenda, também, “ter os pastos bem divididos em sistema rotacionado, respeitando sempre a altura de entrada e saída dos animais (tabela), para que a planta possa se reestabelecer rapidamente”. A prática da Integração Lavoura-Pecuária- Silvicultura é apontada como um bom sistema para se recuperar pastos degradados com boas vantagens econômicas, mesmo que no médio prazo. O sistema de implantação da gramínea pode ser anual, bianual (a cada dois anos se mata a gramínea e se retorna a agricultura na área) ou, ainda, a cada quatro ou cinco anos, dependendo de se verificar se a pastagem está, ainda, produzindo a contento. Entretanto, são necessárias sementes de forrageiras adequadas para integração. Além disso, elas precisam ter 100% de pureza, alto índice de germinação, alto vigor e estarem livres de nematóides. Normalmente, são produtos tratados com fungicidas, polímeros que maximizam a eficiência dos ativos, inseticidas (quando solicitado pelo produtor) e que possuem revestimentos com Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Silício (Si), etc., que contribuem para um melhor desenvolvimento das plântulas após a germinação.

Plantas daninhas

Plantas daninhas sempre causam prejuízos para uma pastagem. Para controlálas, o ideal “é que se plante uma semente que seja isenta de ervas daninhas. Caso ocorra infestação, o controle deve ser feito o mais breve possível, sempre sob orientação de um profissional habilitado, antes que as plantas produzam sementes, evitando futura reinfestação. Tal controle se faz necessário, pois as plantas daninhas concorrem por luz, nutrientes e água. Se, por acaso, houver um período de veranico, uma pastagem infestada sentirá os efeitos da falta de água muito antes de uma área sem ervas daninhas. Uma área livre de ervas daninhas produz mais forragem por hectare e, consequentemente, terá capacidade de produzir mais litros de leite, quilos de carnes ou bezerros por hectare.

Villa aponta ainda os principais erros cometidos pelos produtores em relação ao controle de plantas daninhas: “o primeiro - e mais comum - é não buscar uma assistência especializada sobre o assunto, e, em decorrência disso, surgem os demais. Também há o uso de produtos inadequados ao controle. Outro erro comum apontado pelo técnico é a “utilização, em conjunto, de produtos que não são compatíveis e que têm efeitos antagônicos entre si”. Há também o risco de resistência em ervas daninhas quando são utilizados herbicidas frequentemente, sem que se troque o princípio ativo ou o local de ação.