Mercado

MERCADO REGULA PREÇO

O período foi marcado por certa dificuldade na compra de animais pelos frigoríficos, e foi seguido pelo início da oferta oriunda de confinamentos. Mesmo assim,a oferta não foi tão grande na maioria dos estados – exceto por Goiás, que apresentou uma oferta um pouco melhor, mas ainda registrou escalas de abate de três a quatro dias. Este é procurado por frigoríficos paulistas que veem facilidade em encontrar animais terminados em confinamento mantendo o preço da arroba mais firme.

O mercado segue lento e com uma procura ainda curta por bezerros, mas os preços continuam firmes devido ao baixo consumo. As indústrias seguem pressionando devido à saída dos animais confinados, e o que rege o mercado no momento é a venda reduzida, acarretando baixa no preço das carnes, principalmente a sem osso em São Paulo. Outro fato foi a queda de Wagner Rossi em 23 de agosto.

O número de cabeças bovinas abatidas de janeiro a 23 de agosto foi de 12,878 milhões, número 13% menor que janeiro a agosto de 2010 (14,801 milhões de cabeças). Devemos lembrar que os valores de 2011 estão computados até 23 de agosto e que até o fim do mês poderão sofrer modificações (Fonte: MAPA - SIPAs/DFAs).

A lista ERAS/TRACES, que possui as fazendas aptas a exportar carne para a Europa, apresentou diminuição no número de fazendas em relação ao período anterior, no qual 2.094 propriedades eram aptas a exportar. No dia 23 de agosto, o número das fazendas habilitadas era de 2.060, assim distribuídas: 15 no Espírito Santo, 306 no Mato Grosso do Sul, 449 no Mato Grosso, 38 no Paraná, 158 no Rio Grande do Sul, 155 em São Paulo, 460 em Minas Gerais e 479 em Goiás (Fonte: European Commission).

A arroba do boi gordo no mundo, considerando 21 dias úteis no último período, apresentou uma elevação em relação ao período anterior. Podemos observar que a Argentina ficou com a maior média, fechando em US$ 68,25/@, seguida pelos EUA, com US$ 65,21/@, Brasil, com US$ 63,89 e Austrália, com US$ 49,26. Com exceção dos EUA, todos os demais apresentaram alta nos preços. A queda norte-americana foi de 1,94% e a Austrália, que apresentou a maior alta, teve um acréscimo de 3,41%.

O preço da arroba, conforme podemos analisar no gráfico, sofreu acentuadas alterações de 25 de julho a 22 de agosto de 2011. Porém, os preços se estabilizaram novamente. A maior queda no preço foi verificada no Rio Grande do Sul, que inicialmente era de R$ 3,20 por kg de peso vivo, caindo para R$ 3,15. Apesar da variação verificada em todas as praças, o Paraná se destacou, apresentando picos de R$ 103,00/ arroba, mas fechando a R$ 100,00/@ – mesmo valor inicial.

Mato Grosso e Goiás apresentaram os menores valores de venda para os animais, por estarem entre os maiores Estados confinadores do país. Assim, a oferta é maior e o preço sofre mais pela pressão imposta pelos frigoríficos. Minas Gerais também demonstrou baixa por estar na mesma situação dos dois estados citados anteriormente. Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais fecharam o período com R$ 88,50, R$ 89,00 e R$ 93,50, apresentando picos de R$ 90,75, R$ 90,00 e R$ 95,25, respectivamente. Em contrapartida, os que registraram maior preço na arroba foram Paraná (média R$ 101,81), São Paulo (média de R$ 101,29) e Santa Catariana (média de R$ 99,43). Dados relativos ao período de 25/7 a 22/8.

Essa variação, seguida de retomada dos preços anteriores, confirma a tendência de falta de animais, devido à época de seca, seguida pela saída dos animais confinados. Este último fator, como já comentado, faz com que os frigoríficos pressionem os preços, que este ano foram regulados pelo baixo consumo.

O preço da arroba à vista seguiu tendência do preço a prazo, porém, com valores mais baixos, já que os frigoríficos preferem esta modalidade. As maiores médias observadas foram no Paraná e em São Paulo, com R$ 100,00/@ e R$ 99,62/@, respectivamente. Já os menores valores vêm de Goiás (R$ 87,00/@) e Mato Grosso (R$ 88,17/@). O deságio, que se caracteriza pela diferença entre o valor do preço a prazo e à vista, apresentou pico em Goiás de 2,22%, em Minas Gerais de 2,07% e no Mato Grosso do Sul de 2,04%. Os menores deságios ocorreram em São Paulo (1,65%) e Rio Grande do Sul (1,72%), seguidos por Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, que se mantiveram próximos aos mesmos.

O preço dos bezerros, durante o período de 25/7 a 22/8, não sofreu grande alteração, realçando novamente a tendência favorável aos criadores desta categoria. Em São Paulo, a média foi de R$ 730,00/cabeça, sendo o estado com melhor preço. No Mato Grosso, o preço ficou em R$ 633,81 (foi o menor). No Rio Grande do Sul, o preço médio foi de R$ 580,00, devido à utilização de cruzamento. A relação de troca entre desmama e boi gordo foi alta, com valores de 2,13 em Mato Grosso do Sul e com maiores valores no Rio Grande do Sul (2,67) e Minas Gerais (2,32).

O preço do boi magro, como o do bezerro, não se alterou demasiadamente. A relação de troca entre boi magro e boi gordo foi praticamente a mesma, como podemos observar no gráfico da relação de troca média, variando entre 1,24 e 1,41 em Goiás e Rio Grande do Sul, respectivamente.

Ana Paula Ribeiro e Andrea Brasil Boviplan Consultoria