Aftosa

"Nova" cepa equarotiana: lenda ou realidade?

Sebastião Costa Guedes*

Na fase conclusiva de um grande trabalho para controlar ou erradicar a aftosa no continente sul-americano, apareceu a notícia de uma nova cepa naquele país andino. Após reuniões técnicas realizadas em Quito e em Lima, e de informações desconexas emitidas nas ocasiões, o Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (GIEFA) resolveu apoiar a busca da verdade científica para esclarecer se a cepa era mesmo real ou apenas uma lenda.

No final deste texto seguem identificados os dois “links” sobre a situação da febre aftosa no Equador,descritas pelo PANAFTOSA.

Esta instituição, com apoio dos setores privados brasileiro e paraguaio, dentro da filosofia do GIEFA, liderou um grande esforço na reorientação das atividades de campo e laboratoriais no Equador.

O apoio brasileiro foi coordenado pelo CNPC, que deseja aqui registrar um agradecimento especial aos fabricantes ou distribuidores nacionais da vacina contra aftosa, que são a Inova Biotecnologia, Merial, MSD Animal Health (antigas Intervet e Coopers), Ouro Fino, Pfizer e Vallée, que mostraram uma formidável parceria em busca da verdade epidemiológica.

O trabalho demonstrou uma enorme redução de focos no Equador após a campanha de 2011.

De janeiro a julho deste ano, ocorreram apenas dois focos, um em Guayas e o outro em Pichincha. Em igual período de 2010, foram 39 focos.

Os estudos moleculares e antigênicos com o vírus O, isolado em ambos os focos, mostraram que suas cepas são endógenas da região e pertencem ao topotipo Euro-Sulamericano.

A análise filogenética da cepa Guayas revelou uma homologia de 89% com a cepa de referencia O1 Campos e de 90% com a cepa isolada na mesma província de Guayas em 2005.

A cepa de Pichincha mostra uma homologia superior a 95% com as cepas presentes no país nos anos 2009-2010 e uma diferença de apenas 10% com a cepa de referencia O1Campos.

Ficou assim também demonstrado na visão do PANAFTOSA, que as cepas dos dois focos, além de mostrar uma enorme homologia com a cepa vacinal O1 Campos, foram suscetíveis à vacina tradicionalmente usada, como se pode concluir nas provas chamadas de “vaccine matching”.

Os valores de EPP foram superiores a 61% e 97% frente aos painéis de soros bovinos primo e revacinados, respectivamente. Estes resultados dados pelo PANAFTOSA e as informações oriundas do campo parecem indicar que vacinas de qualidade, contendo a cepa O1 Campos protegem os rebanhos frente às cepas que circularam nos focos deste ano no Equador.

Com estes resultados, está evidente que institutos e especialistas em pesquisas virológicas precisam se reunir, sob a exclusiva luz da ciência, para dar a conclusiva opinião sobre a existência ou não da nova cepa. Desnecessário salientar que o norte para esta conclusão deve ser a realidade científica e não os interesses comerciais.

Muito se duvidava de vacina bivalente de origem colombiana, usada parcialmente no Equador. A pedido do PANAFTOSA, amostras da referida vacina foram submetidas a provas de avaliação no Brasil e apresentaram bons resultados, o que reforça a tese de que a aftosa naquele país tem como causa falhas na vacinação dos rebanhos.

Mais detalhes fornecidos pelo PANAFTOSA podem ser consultados nos “links” abaixo:

http://new.paho.org/panaftosa/index. php?option=com content&task=view&id= 661&ltemid=1926

http://new.paho.org/panaftosa/index. php?option=com content&task=view&id= 664&itemid=1926

Este material será também disponibilizado no site www.cnpc.org.br ou por solicitação ao nosso mailing [email protected] O CNPC encaminhará a informação completa ao solicitante.

É necessário que organismos científicos se reúnam a respeito do tema equatoriano, discutindo-o em seus vários aspectos, para dar uma opinião conclusiva a respeito da nova cepa ser lenda ou realidade.

Ao PANAFTOSA, que demonstra ter priorizado finalmente o combate à aftosa, os agradecimentos de nossa entidade.

Os países do continente devem concentrar esforços em objetivos mais racionais, isto é em uma efetiva aliança junto aos organismos internacionais para vencer barreiras comerciais injustas, uma das quais é a diferenciação existente entre países livres de aftosa com e sem vacinação. Esta diferenciação traz riscos desnecessários de retrocessos a muitas regiões e/ou países.

*Médico-veterinário, diretor de
sanidade animal do CNPC e membro do
Grupo Interamericano para a Erradicação da Febre Aftosa (GIEFA)