Angus

Touro bom de SERVIÇO

O Brasil produz em torno de 200 mil reprodutores de diferentes raças por ano, que abastecem um mercado interno, que nos últimos anos tornou- se de altíssima liquidez e preços em franca elevação. Para se ter uma ideia do que representa esse segmento, no Brasil, vendem-se cerca de 6 milhões de doses de sêmen de gado de corte por ano, 30% deste mercado sendo representado pelo Angus. O avanço da técnica da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) faz com que este mercado cresça, e a demanda pelos chamados touros provados, nascidos dos muitos programas de melhoramento genético e/ou provas de desempenho animal, é outro nicho de produção que não para de atrair adeptos.

Entretanto, a preocupação com a escolha do touro ideal, que de fato atenda às necessidades da criação, é uma realidade presente no campo. Na visão de especialistas em melhoramento animal, o melhor reprodutor é aquele que possui pureza racial aliada a um genótipo destacado com bons índices – leia-se provado –, e com funcionalidade reprodutiva, refletindo em qualidade e quantidade dos produtos. E é aí que o touro Angus tem se destacado do norte ao sul do país, por reunir características intrínsecas bastante desejadas pela pecuária moderna, além de demonstrar capacidade de adaptação aos diferentes sistemas, desde os mais tradicionais a campo ou que utilizam técnicas mais sofisticadas na reprodução, como a inseminação.

De acordo com a presidente do conselho técnico da Associação Brasileira de Angus (ABA), Susana Macedo Salvador, é falsa a ideia de que exista um touro ideal para atender diferentes necessidades da criação. O conceito verdadeiro e que precisa ser passado adiante é o de que o touro ideal é aquele que descende de um bom programa de melhoramento animal, com uma prova de avaliação genética consistente, com direito às provas de avaliação visual de fenótipo e capacidade reprodutiva, tudo acompanhado de perto pelos técnicos da associação. “Além disso, a escolha do reprodutor precisa seguir critérios técnicos rigorosos e que atendam os objetivos do sistema de produção de cada rebanho” diz.

O Departamento Técnico da Associação Brasileira de Angus (ABA) busca sempre orientar seus selecionadores a utilizarem modernas ferramentas para uma seleção cada vez mais acurada e eficiente para atender ao mercado de carne de qualidade.

Segundo Flávio Montenegro Alves, técnico da ABA na região Sul do país, o touro bom para a monta deve, primeiramente, ser submetido a um rigoroso exame andrológico, onde serão avaliados todos os requisitos necessários para garantir eficiência: exame microscópico do sêmen REVISTA AG - 43 e de todo aparelho reprodutor, aprumos, dentição, condição corporal, etc.

“Nesse aspecto, as qualidades da raça Angus são muitas, e esta é a razão da expressiva comercialização de sêmen e procura por touros, pois a raça agrega precocidade, fertilidade, qualidade de carne, dentre outras qualidades essenciais para quem deseja um rebanho produtivo”, completa.

A garantia dessas características que diferenciam a raça é dada pelo registro de seleção do animal, atestado da pureza racial e das características fenotípicas e funcionais. Este trabalho é executado por inspetores técnicos que avaliam cada reprodutor registrando origem e funcionalidade.

Antônio Chaves Neto (Toninho), técnico da ABA na região do Paraná e nos estados do Sudeste e Centro-Oeste, atenta para a preocupação que recai sobre aspectos ambientais que confrontam com as origens do gado europeu.

Por isso, ele diz: “na minha visão, o que caracteriza o melhor touro para o trabalho é o animal de frame médio, entre 5,5 e 6,0; com pelo curto; que tenha sido recriado ou adaptado à região nas condições do Sudeste e Centro-Oeste; com testículos de formato alongado, evitando circunferência escrotal acima de 43 cm; bolsa escrotal com pele lisa, fina e com ausência de pelos”.

O crescimento da raça Angus para além das fronteiras do RS ao longo da última década trouxe preocupações adicionais aos técnicos em termos da adaptabilidade do gado Angus, originalmente de clima temperado para ambientes mais quentes e sistemas de manejo comuns ao Brasil Central.

Nesse aspecto, o técnico é enfático ao afirmar que, apesar de existirem raças mais rústicas, não existe nenhuma com a qualidade de carne e a precocidade igual ao Angus. Por esse motivo, a venda de sêmen está crescendo muito. Os criadores estão selecionando animais de pelagem mais curta e linhagens mais adaptadas, mas, mesmo assim, os usuários de touros deverão realizar um manejo diferenciado para os touros Angus.

O técnico ressalta, após a compra de touros jovens, a importância da suplementação no primeiro ano. Além disso, é preciso manter os touros com Escore Corporal 3,0 (1-5), realizar um controle de ecto e endoparasitas – principalmente o carrapato –, e realizar rodízio de touros.

Outro aspecto são os pastos, que deverão ter no máximo 40 hectares e ter áreas de descanso com sombras disponíveis. O uso dos machos na quantidade correta: touro 1-2 anos, 1:20 vacas; 2-3 anos, 1:25 vacas; mais de 3 anos, 1:30 vacas – realizando rodeios diários.

“Existe muita procura pelo touro Angus, pois os resultados dos produtos é excelente, mas o usuário que não tiver uma assistência técnica e um acompanhamento dos animais pode não conseguir o resultado esperado”, destaca. “A temporada de venda de reprodutores já começou nas principais regiões produtoras do país, e não tem touro para todos que querem comprar”, conclui.