Feno & Silagem

Qualidade da SILAGEM

Rogério Marchiori Coan1 e Gisela Rojas Garcia Coan2

A qualidade da silagem é apontada frequentemente como o aspecto mais limitante à produtividade animal (desempenho individual). Este termo não é geralmente usado para designar valor nutritivo, mas sim a extensão pela qual o processo fermentativo no silo se desenvolveu de maneira conveniente.

Os três principais fatores que afetam o processo de ensilagem são: teor de matéria seca (MS), concentração de carboidratos solúveis (CS) e poder tampão (PT). Para obtenção de silagem de alta qualidade, os teores de matéria seca devem estar entre 28,0 e 35%; de carboidratos solúveis, acima de 8% (da porcentagem na matéria seca) e concentração de poder tampão, que não deve oferecer resistência à redução do pH para valores entre 3,8 e 4,2. De maneira geral, alguns pesquisadores têm sugerido que o teor de MS deve ser no mínimo de 25% (igual a 250 g/kg) e a relação entre carboidratos solúveis/ capacidade tampão, sendo igual ou superior a 3,0, de forma a possibilitar a obtenção de silagem de qualidade satisfatória.

Os parâmetros normalmente empregados como critérios de classificação de silagens abrangem a quantificação dos valores de pH, a concentração dos ácidos orgânicos, o perfil microbiológico e o teor de nitrogênio amoniacal (N-NH3), conforme demonstrado na Tabela.

De maneira geral, um pH entre 3,8 e 4,2 é o que se pode esperar de uma silagem considerada bem preparada. No entanto, isoladamente, o pH não pode ser considerado como critério seguro para a avaliação das fermentações, pois seu efeito inibidor sobre as bactérias depende da velocidade do declínio da concentração iônica e do grau de umidade do meio. Entretanto, deve-se ressaltar que, conforme o tratamento que se dá à forragem antes da ensilagem, ou segundo o tipo de aditivo adicionado, o pH pode ser elevado, o que não significa que a silagem obtida seja de má qualidade.

Quanto aos ácidos orgânicos das silagens, os comumente determinados são o ácido acético, propiônico, isobutírico, valérico, isovalérico, succínico, fórmico e lático. Os ácidos acético, butírico e lático são os mais importantes. Todos esses ácidos contribuem para a acidez final da massa ensilada. Porém, o ácido lático, em face de sua maior constante de dissociação, possui papel capital no processo fermentativo da silagem, pois é o responsável pela queda do pH a níveis inferiores à 4,2. Nesse pH, ocorre a inibição das bactérias do gênero Clostridium, responsáveis pelas fermentações indesejáveis no produto.

Quanto ao nitrogênio amoniacal na silagem, este parâmetro é um indicativo do processo de proteólise dos aminoácidos em amônia, CO2 e aminas. A extensão da degradação dos aminoácidos nas silagens de baixo valor de pH depende, principalmente, do grau pelo qual a atividade clostrídica tenha sido suprimida, e isto está relacionado com a taxa de produção de ácido lático e queda do pH.

Os teores de matéria seca devem estar entre 28 e 35%

Entende-se, afinal, que a qualidade das silagens pode ser estimada por meio de diversos parâmetros químicos e microbiológicos. No entanto, é importante lembrar que além das características das espécies forrageiras no momento do corte e colheita, outros aspectos relacionados ao manejo do processo de ensilagem devem ser considerados, objetivando a obtenção de silagens com qualidade nutricional satisfatória.

*Consultores da COAN Consultoria