Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Sobrevoando

 

Black

Toninho Carancho

carancho@revistaag.com.br

Na pecuária de corte e, principalmente, nos ovinos, está acontecendo uma pequena revolução.

Nos ovinos foi surpreendente, pelo menos para mim, a rápida introdução de variedades pretas em raças brancas de origem. São Merinos, Texel, Ile de France, Ideal, Romney Marsh e outras raças, agora com a sua versão negra, mostrando que o mercado para esse tipo de lã foi mais forte que a tradição. A inovação e a adaptação às exigências pediu mudanças e elas foram atendidas. A procura por lã naturalmente colorida (preta, amarronzada, com mechas) antes era suprida por poucas raças como a Karakul e Criola, mas, agora, o consumidor e também o produtor têm uma variedade bem maior de opções.

É muito bacana observar o mercado fazendo a diferença e o produtor atento, suprindo as necessidades.

Também no gado de corte, principalmente nos Estados Unidos e no Canadá, muitas raças já possuem a sua versão Black ou viraram pretas na totalidade. Raças como o Maine Anjou, muito pouco utilizada no Brasil, Limousin e Simental (essas duas com maior importância na nossa pecuária) estão praticamente pretas. É a influência do Angus que o mercado está exigindo.

É o Black Power!

No Sul do Brasil essa tendência também existe (e no restante do País, os cruzamentos também estão andando nesse caminho) e acho que, aos poucos, as raças e os criadores irão se adaptando para o bem do mercado e, especialmente, para o bem dos próprios criadores.

Se o mercado valoriza mais um produto que tenha a cor preta (e também vermelha/marrom), por identificar nessa cor as qualidades de bom acabamento de carcaça, marmoreio, e em geral, carne de ótima qualidade e, ao contrário, nas raças de pelagem mais branca, relacionarem com a ideia de carne muito magra, sem acabamento adequado, sem marmoreio, ou animais mais azebuados, por que não “escurecer” ou “avermelhar” o rebanho?

Muitas vezes essas questões de cor não se justificam na realidade, mas até você provar que a boiada branca é tão boa quanto a outra preta, você já perdeu muito tempo e dinheiro.

O preto e o vermelho estão na moda, e “quem está na moda não se incomoda”, já dizia o funcionário de um amigo meu. E ele tem toda a razão.

Não me recordo se já escrevi sobre essa historinha aqui na coluna. Caso sim, me perdoem, mas o causo é bom. Em 1976, na Exposição de Gado chamada Agribition, no Canadá, um criador e expositor de novilhos gordos (no Canadá e nos EUA, é bastante comum a competição de novilhos gordos como se fossem gado puro, touros) cansado de perder com o seu novilho cruza Simental, resolveu pintá-lo de preto e, assim, ganhou a competição que é das mais importantes daquele país. Logo depois do julgamento, ele começou a perder a cor e ficar malhado novamente e o pessoal da Agribition indagou ao criador o que estava acontecendo. Ele disse que estava observando os juízes e identificou que eles tinham uma predileção por animais pretos. Então, ele resolveu pintar o novilho de preto para aumentar suas chances, o que realmente aconteceu. O título foi mantido, mas no ano seguinte a direção da Exposição acrescentou nas regras que os animais não poderiam ser pintados.

Parece brincadeira, mas não é. Teoricamente, a pelagem não deve influenciar em nada em uma competição dessas, pois o que se analiza é a conformação, o tamanho, o peso, a distribuição das carnes, etc. Teoricamente! Na prática, a cor influencia muito.

O mercado quer preto? Faça preto. O mercado quer vermelho? Faça vermelho.

Black is beautiful! E o vermelho também!