Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

Caindo na Braquiária

 

Para que cruzar se os cruzados comem bem mais que o Nelore?

Essa é a pergunta clássica dos invernistas tradicionais mais aficionados por Nelore.

Muito bem, a questão tem fundamento, pois sabemos na prática de 25 anos de campo que os animais cruzados apresentam maior ingestão diária de alimentos, variando com a porcentagem de sangue europeu. Animais meio-sangue europeus apresentam excelente apetite mesmo em climas quentes do Centro-Norte do Brasil, ingerindo de 15 a 20% mais que zebuínos. Entretanto, o que os trabalhos de pesquisa demonstram é que os produtos de cruzamento têm sido mais eficientes quando se observa o retorno do capital investido no decorrer do tempo, pois bovinos cruzados têm sido abatidos entre 8 e 12 meses antes do que os bois zebuínos com o mesmo peso.

Portanto, no tocante aos machos cruzados, a vantagem maior de se realizar o cruzamento dirigido entre raças é obter um maior giro de capital, no qual, enquanto matamos duas boiadas de Zebu, podemos chegar a três de cruzados. Dessa maneira, diluímos os custos fixos da propriedade por arroba produzida.

Estudos econômicos do sistema intensivo de pastagens com suplementação alimentar no campo para animais cruzados relatam 100% de retorno econômico sobre o investimento feito em adubação e ração, a fim de prover maior produção forrageira e de carne por área.

Costumamos dizer que fazer cruzamento pensando em fazer machos pesados resume-se em um pensamento tacanho, pois é um ganho pequeno para o pecuarista que saiu do seu conforto de criar gado sem trabalho, tendo de investir em reforma de pastos e suplementação alimentar.

Fêmeas cruzadas como matrizes

Quando pensamos em fazer cruzamento entre raças, o principal objetivo é aproveitarmos a fêmea cruzada como matriz, pois ela apresenta extraordinária precocidade sexual em resultado da heterose obtida quando cruzamos zebuínos e taurinos. Dessa maneira, as novilhas F1 (cruzamento entre duas raças puras) que sejam adaptadas (entende-se por adaptados animais de pelo curto, liso e brilhante) para o Brasil tropical entrarão no cio 12 meses antes que as zebuínas, produzindo o primeiro bezerro com 28 meses, enquanto as zebuínas produzirão o primeiro bezerro entre os 36 e 38 meses.

Podemos aqui discutir o consumo maior de uma vaca adulta cruzada em relação à vaca Nelore; esse sim é o maior limitante de se manter as vacas cruzadas como reprodutoras, pois pesam em torno de 100 a 150 kg a mais que as vacas Nelore e, por conseguinte, seu consumo alimentar é proporcionalmente maior, produzindo praticamente o mesmo bezerro que a Nelore (de modo geral, os filhos das F1 são 10% mais pesados que os filhos das Nelore). Portanto, nossa recomendação para produção de fêmeas F1 cruzadas é para que se de preferência para raças europeias britânicas como Hereford e Angus, pois possuem um porte menor que as continentais (Simental, etc.), sendo nutricionalmente menos exigentes, bem como sugerimos que sejam descartadas as matrizes que não produzam a cada 12 meses bezerros que pesem, pelo menos, 45% do peso delas, no momento da desmama.

Outra vantagem de se utilizar as fêmeas cruzadas diz respeito aos altos índices de reconcepção das primíparas, no qual, na comparação com as primíparas Nelore, são 15% superiores nos índices de prenhez.

Em outras palavras, se em cada 100 primíparas Nelore obtemos índices de reconcepção de 65% (apenas um exemplo), teremos nas primíparas cruzadas um índice de 80% de reconcepção.

Ou seja, fazer cruzamento exige do pecuarista que saia da zona de conforto, e, na verdade, se adapta muito bem àqueles que pretendem fazer do criatório um sistema mais eficiente de produção de carne.

Alexandre Zadra - Zootecnista zadra@crigenetica.com.br