Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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RECEPTORA segue arroba

Adilson Rodrigues adilson@revistaag.com.br

Apesar de a crise político-econômica que assombrou 2015 ter arrefecido o apetite do consumidor final de carne bovina e também gerado ociosidade nos frigoríficos, a arroba do boi gordo resistiu às tentativas de baixa e se manteve firme, ainda com um empurrão das exportações, que também mostraram recuperação no segundo semestre do ano, como a reabertura do mercado árabe. Fatores que colaboraram para o fortalecimento do mercado de reprodução. Como o valor da receptora é calculado em arrobas de boi gordo, os preços finais continuaram firmes, mesmo diante das instabilidades.

Em fevereiro, o valor da receptora com serviço incluso, em São Paulo, beirava os R$ 2.500, atingindo o pico de R$ 3.100 em abril, de acordo com levantamento da Scot Consultoria. E como o volume de negócios se aquece acompanhando a chegada da estação de monta nas principais regiões produtoras de bovinos, período no qual se investe mais na Fertilização In Vitro (FIV) e na Transferência de Embriões (TE), além do impacto do próprio ágio da arroba, o produto que custava R$ 2.790 em outubro de 2014 (São Paulo) saltou para R$ 3.050,00 em outubro de 2015, um crescimento de 9,38%.

Ainda segundo a Scot Consultoria, com os mercados do boi gordo e de reposição trabalhando em patamares positivos, as expectativas são boas para os próximos meses, mas ainda fica a preocupação de quanto o panorama político e econômico poderá afetar o uso de tecnologia. No Mato Grosso do Sul, estado onde a pecuária está se intensificando com rapidez, o preço da receptora já havia enfraquecido 0,97%, entre agosto e setembro. Todavia, ao considerar o período de outubro de 2014 a outubro de 2015, cresceu 8%, de R$ 2.400 para R$ 2.600.

Algo que pode ter ajudado a inflacionar os preços é um palpável aumento na demanda por receptoras, posto que algumas empresas estão se esforçando para popularizar a técnica de TE na produção de touros e até gado de corte. A expectativa da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é que o Brasil termine o ano com 450 mil TEs realizadas.

“Antes, os embriões eram uma aposta para replicar animais de elite, mas agora é uma técnica bastante eficiente para multiplicar animais melhoradores a campo”, observa o criador Bruno Grubisich, da Verdana Agropecuária, sediada em Camapuã/MS, e que já submete, por ano, 1.000 matrizes à técnica de Transferência de Embriões em Tempo Fixo (TETF).

Segundo Marcelo Fornazaro Muñoz Gaeta, inspetor e membro do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil, o boom nas cotações do boi gordo e do bezerro surtiu efeito diretamente sobre as receptoras meio- -sangue Simental/Zebu, composição sanguínea que está entre as preferências dos pecuaristas que trabalham na produção de embriões.

“Bezerras recém-desmamadas são vendidas entre R$ 6,00 e R$ 7,00 o quilo vivo. Já novilhas prontas, em torno de 360 kg de peso vivo, são comercializadas ao preço de arroba de boi acrescida de 10% de bonificação. Trata-se de um produto de excelente liquidez, com compradores interessados o ano todo”, avalia o inspetor técnico. Receptoras Simental bem desenvolvidas estão aptas para gestação já a partir dos 18 meses de idade.

Inseminação artificial

Quando o assunto é reprodução, também não se pode deixar de lado o mercado de Inseminação Artificial (IA). De acordo com relatório mais recente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a produção e as vendas de sêmen seguem em ritmo normal, sem a perspectiva de grandes surpresas, sejam elas negativas ou positivas.

O primeiro semestre de 2015 apresentou um crescimento tímido de 0,3%, atingindo a marca de 7.610.179 doses. O montante engloba o efetivo comercializado, o estoque existente nas centrais, os embarques destinados à exportação para outros países e a prestação de serviço, quando o pecuarista contrata a central de inseminação artificial para coletar seus touros para usar sêmen na própria vacada.

Mesmo que o levantamento tenha sido feito antes da chegada da estação de monta, o segmento de pecuária de corte já era o grande destaque, com aumento de 8% no período. Foram 2.672.830 doses efetivamente comercializadas no primeiro semestre de 2015, contra 2.473.086 doses de 2014.

Entretanto, a pecuária leiteira já figurava com destaque negativo, com queda de 7%, 2.317.712 doses registradas de janeiro a julho deste ano, ante as 2.483.205 do calendário anterior. Para a entidade, é esperado o repasse no preço do sêmen, cuja média atual do produto brasileiro encontra- -se em torno de custo médio de R$ 15 a R$ 22 (raças de carne) e entre R$ 25 e R$ 30 (raças de leite), até mesmo pelo fato de as empresas alegarem segurar reajustes há anos, segundo corrobora o presidente Carlos Vivacqua Carneiro da Luz. Em 2014, o Brasil movimentou 13,2 milhões de doses.

Cerca de 80% das vendas anuais de sêmen estão sendo atribuídas à técnica de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), por sua vez, impulsionada pelo reaquecimento do cruzamento industrial. Esse é um negócio que gera um impacto de R$ 2 bilhões na cadeia de insumos, entre corte e leite, conforme estimativa do professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), Pietro Baruselli, um dos mais respeitados especialistas nesse setor. E junto com esses números fartos cresce também o comércio dos hormônios para ovulação das matrizes.

Baruselli calcula que, entre outros gastos, os fármacos para sincronização de cio representam um faturamento de R$ 150 milhões e as doses de sêmen outros 200 milhões. “O mercado de reprodução é crescente e movimenta valores expressivos. Técnicas que buscam melhorar a eficiência reprodutiva e acelerar o ganho genético como a inseminação artificial e a transferência de embriões em tempo fixo são usadas de forma crescente no Brasil. A estimativa é para mais de 10.000.000 de IATFs em 2015”, complementa Luciano Lobo, gerente de Marketing da Biogénesis Bagó.