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Genética

 

PAG

Uma solução para a maximização do ganho genético no rebanho

Raysildo Barbosa Lobo e Victor Eduardo Sala*

Hoje a tecnologia está presente em todos os segmentos do mercado, inclusive no agronegócio, e pode trazer como benefício a antecipação de uma informação que é de fundamental importância para a rentabilidade da atividade pecuária.

A partir desse propósito, a Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores (ANCP), em parceria com o Centro Técnico de Avaliação Genética (CTAG), lançou o Sistema de Acasalamento Otimizado (PAG), disponibilizando para o produtor mais uma ferramenta inovadora para a gestão genética do rebanho. Essa tecnologia permite ao produtor escolher touros de central ou de sua propriedade realizando os acasalamentos genéticos com suas matrizes. As diferenças esperadas na progênie (DEPs) são preditas, o que auxilia o criador na gestão do plantel.

O objetivo do presente trabalho é mostrar como a ferramenta tecnológica PAG beneficia o produtor com a utilização de acasalamento genético otimizado, obtendo-se progênies de acordo com os interesses econômicos e genéticos do pecuarista.

Material e métodos
Foram escolhidas aleatoriamente dentro do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore – Nelore Brasil (PMGRN) oito fazendas, sendo quatro fazendas que utilizam o sistema de acasalamento genético otimizado disponibilizado pela ANCP (PAG), chamadas de FUPAG, e quatro fazendas que não utilizam o sistema de acasalamento genético otimizado, chamadas de FSPAG.

Em cada fazenda, as características avaliadas foram maternal (MP120), peso ao desmame (P210) e aos 450 dias (P450). O ganho em quilos para cada grupo de fazenda foi calculado a partir da média aritmética das seguintes DEPs: maternal (MP120), peso à desmama (DP210) e peso aos 450 dias (DP450), sendo as necessidades de melhoria no rebanho. A evolução das DEPs citadas foi retirada do relatório gráfico de evolução genética, disponibilizado pela ANCP Net considerando as safras de 2009, 2010 e 2011.

Os resultados dos grupos (FUPAG e FSPAG) foram simulados para 1.250 matrizes com taxa de prenhez de 80%, resultando em 1.000 progênies. Para o cálculo de retorno econômico foi considerado o rendimento de carcaça de 53%, arroba a R$ 95 (média entre boi e vaca), R$ 3,8 kg do bezerro.

Tabela 1 - Resumo do aumento de desempenho e retorno econômico da progênie de grupo acasalado por FUPAG e FSPAG

Gráfico 1 - Desempenhos dos grupos FUPAG e FSPAG, para as características: maternal, peso a desmama e peso aos 450 dias

Resultados e discussão
No grupo FUPAG, conforme gráfico 1, as características avaliadas apresentaram maior média, sendo 336% para MP120, 20% para DP210 e 36% para DP450, se comparada com o grupo FSPAG. Esse aumento foi potencializado pelo uso do acasalamento genético otimizado, vindo ao encontro das necessidades do produtor.

Os acasalamentos genéticos otimizados consistem em identificar o melhor resultado em que cada matriz acasalada com cada reprodutor disponível produzirá um produto de máximo valor genético e comercial.

Reprodutores podem ter progênies mais produtivas com o uso de ferramentas que otimizem os acasalamentos

De acordo com a tabela 1, considerando a diferença entre os grupos FUPAG e FSPAG, a utilização do sistema de acasalamento genético otimizado traria um retorno econômico extra de R$ 4.062,83 para venda de animais na desmama, agregando valor de R$ 4,06 por cabeça. O retorno de R$ 10.861,67 dos animais aos 450 dias é correspondente em carne produzida, uma vez que o rendimento de carcaça está incluído nesse cálculo. Dessa forma, o retorno de R$ 10,86 é em função da carcaça do animal abatido aos 18 meses.

O valor agregado dos animais na desmama e ao sobreano corresponde a 20,41% e 36,33% respectivamente, sendo resultante apenas do uso otimizado da genética dos animais presentes no rebanho.

Outro custo que o produtor reduziria com o uso do PAG seria na reposição de matrizes, uma vez que as fêmeas provenientes do FUPAG teriam um maior potencial para a produção de leite, podendo proporcionar redução na mortalidade de bezerros.

Não foram considerados os prováveis ganhos com relação à venda de tourinhos nem a contratação desses touros por uma central; venda de matrizes, novilhas e possíveis doadoras, uma vez que esses acasalamentos foram dirigidos potencializando o ganho genético do animal e os melhores indivíduos em tipo poderiam ser inseridos nesse mercado.

O sistema de acasalamento genético otimizado é uma ferramenta versátil que promove aumento do retorno econômico em qualquer etapa da produção e da gestão genética de acordo com o interesse do produtor, em qualquer rebanho, independentemente do valor genético presente no rebanho.

*Raysildo Barbosa e Victor Eduardo são pesquisadores da ANCP
raysildo@ancp.org.br e victorsala@ancp.org.br