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Touro

 

Venda de touros com demanda firme e crescente

Leiloeiras contabilizam aumento no volume comercializado e nas médias dos reprodutores e vislumbram novos saltos para 2015

Luiz H. Pitombo

Mesmo com os importantes avanços na inseminação artificial através do desenvolvimento de novas técnicas, a grande maioria dos pecuaristas continua a se valer da monta natural, dentre outros fatores, por sua facilidade e custo reduzido. Porém, a escolha adequada do animal e sua qualidade genética são fundamentais.

Considerando que o rebanho nacional de matrizes de corte esteja com cerca de 60 milhões de cabeças, calcula-se que são necessários 300 mil novos reprodutores ao ano, não só para a cobertura a campo, mas também para repasse da inseminação convencional e daquela realizada em tempo fixo (IATF). “A demanda por touros melhoradores é muito grande”, destaca João Gabriel, presidente do Sindicado Nacional dos Leiloeiros Rurais. Como já vem ocorrendo, aponta que estes animais de genética consistente serão cada vez mais valorizados no mercado, pois salienta que uma propriedade de pecuária não é mais conceituada por sua dimensão, mas sim sua produtividade. “A integração agricultura e pecuária, que já é uma realidade”, exemplifica.

Gabriel tem uma avaliação positiva sobre a comercialização de touros em 2014, a qual foi estimulada, como aponta, pela redução na oferta de bezerros resultante do elevado abate de matrizes nos anos 2012 e 2013, que trouxe uma valorização significativa do bezerro desmamado e do boi magro. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/ USP), de Piracicaba/SP, mostram que os preços do macho Nelore com 8 a 12 meses no período de janeiro a outubro deste ano atingiram, na praça do Mato Grosso do Sul, a média à vista de R$ 1.009,05, ou 30% superior a igual período do ano passado.

Quanto ao boi gordo, houve falta de animais para completar as escalas dos frigoríficos, gerando maior disputa, aliando-se a tudo isso, como acrescenta Gabriel, a retomada das importações de carne por parte de compradores de peso, elevando os patamares dos preços da arroba. Na média de importantes praças do mercado paulista no período de janeiro até outubro, este finalizou com a média à vista de R$ 123,08 por arroba do boi gordo, o que representa 21% a mais que o mesmo período de 2013, segundo pesquisas do Cepea.

Desde o começo do ano, o presidente do Sindicato comenta que o mercado de touros foi gradativamente evoluindo em sua procura e consequentemente em seus valores, indicando que dados preliminares mostram valores médios de R$ 9.300/touro, incluindo aí animais das raças europeias de corte utilizados no cruzamento industrial.

Tomando por referência três leiloeiras de expressão – Programa, Estância Bahia e Central Leilões – essas comercializaram até outubro um total de 42.350 reprodutores, com um crescimento de 14% sobre igual período do ano anterior. Como a expectativa é de que os bons negócios continuem até o fim do ano, essas empresas calculam que as vendas deverão ficar 17% mais elevadas que 2013, podendo ultrapassar os 46 mil reprodutores.

Bem melhor que as previsões

“O mercado de touros se mostrou muito bom, superando as expectativas, apresentando maior firmeza e demanda que em 2013, com as vendas ainda se mantendo boas em novembro”, comenta Carlos Nunes, coordenador da Programa Leilões.

O maior volume de promoções da leiloeira é tradicionalmente de animais da raça Nelore, mas igualmente negociam taurinos, sintéticos e compostos. Nas vendas de 2014, como informa Nunes, houve um grande crescimento da Senepol em vendas e médias com uso dirigido ao cruzamento industrial, mas aponta que também aumentaram a comercialização de produtos Angus e Brangus, oriundos do Rio Grande do Sul para outras partes do País, lembrando que atualmente os criadores têm melhorado o manejo desses animais a campo em outras regiões.

Segundo João Gabriel, fatores específicos estimulam o investimento em touros geneticamente superiores

Nos primeiros dez meses do ano, a Programa comercializou um total de 20.500 touros pela média geral de R$ 7.500,00, números que estão mais elevados que os do mesmo período do ano anterior em 16% e 7%, respectivamente. Até o fechamento do ano, Nunes acredita que o valor médio deva se manter, mas com a comercialização atingindo a 22 mil reprodutores, superando em 19% o volume total de 2013.

Valores acima da média têm sido obtidos por animais de grife e integrantes de programas de melhoramento, com o mercado valorizando aspectos como precocidade, fertilidade e acabamento de carcaça, aponta Nunes. “Os frigoríficos buscam um boi de 24 meses com 18 a 20 arrobas, pesado e novo, que dá carne macia”, indica.

Ele diz que se distanciam cada vez mais os preços de um reprodutor diferenciado, que sai em média R$ 10 mil, de um touro comum, comercializado pela média de R$ 4 mil ou R$ 5 mil. Nunes comenta que empresários de outros setores da economia estão investindo na pecuária e são bem criteriosos na escolha dos animais, contando para isso com assessorias técnicas e, por este motivo, pagam mais por qualidade. A demanda por esses animais, como lembra, igualmente vem por parte daqueles que praticam a integração lavoura- -pecuária, que necessitam bezerros bons de ganho de peso, que dispensam a recria e podem ir direto ao confinamento.

Para Lourenço Campo, 2014 é ano de recomposição do rebanho e de retomada da pecuária de corte

Em se tratando do número de leilões virtuais e os presenciais, estes se mantiveram equilibrados dentro das promoções da leiloeira, sem alterações relevantes em sua organização e nas condições predominantes de pagamento (2+2+20). O destaque regional de vendas foi o Estado do Pará, fronteira da pecuária de corte que vem se revelando com muitos compradores, salienta Nunes.

Bom para o vendedor e para o comprador

A Central Leilões comercializou até outubro 12.850 reprodutores entre zebuínos, taurinos, sintéticos e compostos, uma quantidade 7% superior ao mesmo período de 2013, atingindo o valor médio de R$ 7.150,00, ou 13% mais elevado que o ano anterior. Com os remates pendentes até o fim do ano, a tendência é que a empresa venda mais 1.400 touros, totalizando um volume 11% maior que 2013 e com manutenção da média parcial do ano.

Lourenço Campo, diretor da empresa leiloeira, considera que melhorou a liquidez nos eventos deste ano, que tiveram a predominância dos virtuais. A organização e as condições de pagamento (2+2+20) não se alteraram em relação ao ano anterior. Quanto aos valores praticados, observa que os reprodutores não atingiram uma valorização tão intensa quanto à arroba ou o bezerro, mas que mesmo assim se mostraram remuneradores aos selecionadores e não oneraram os compradores

Em seus comentários, Campo salienta a crescente especialização que ocorre na pecuária e que vê com bons olhos, pois considera que um foco específico de trabalho torna mais fácil a obtenção de bons resultados. Ele acrescenta nesta linha que os pecuaristas que optaram pela cria estão buscando nos remates touros de maior qualidade e mais adequados à sua situação e a de seus compradores.

A retomada do interesse no cruzamento industrial tem feito crescer, como indica o diretor, a demanda no Centro-Oeste e Norte por reprodutores taurinos, compostos e sintéticos. Dentro dessa situação, coloca as raças Bonsmara, Senepol, Montana, Brangus e Braford, sendo que das duas últimas foram realizadas novas promoções de selecionadores do Rio Grande do Sul.

Por sua vez, a leiloeira Estância Bahia apresentou um significativo incremento em seus negócios neste ano, com a venda de 9 mil touros das raças zebuínas até outubro, trazendo a média geral de R$ 7.000, números que são 20% e 34%, respectivamente, mais elevados que igual período de 2013.

Maurício Tonhá, sócio-diretor da empresa, diz que contribuiu para essa evolução mais acentuada nos preços um trabalho melhor e mais profissional desenvolvido pelos selecionadores em termos de apresentação dos animais, marketing e critério genético, contando para isso com a assessoria da própria leiloeira. Até o fim do ano, diz que espera comercializar mais 1 mil touros, superando em 25% o total do ano passado, com a média indo para R$ 6.800, 30% mais elevada que em 2013.

A maior parte das promoções da leiloeira foram presenciais, mas com tendência de crescimento dos remates virtuais. As condições de pagamento foram similares às demais empresas, com Tonhá apontando o estado de Rondônia como destaque na aquisição de touros melhoradores. Ele diz que animais oriundos de programas genéticos saem de 20% até 50% acima da média.

Maurício Tonbá espera superar em 25% o volume de touros comercializados

Mercado deve manter ascensão em 2015

Como as demais fontes consultadas, João Gabriel, presidente do Sindicado Nacional dos Leiloeiros Rurais, acredita em um ano bom para a pecuária de corte, com reflexos positivos para o mercado de reprodutores. “Nossas expectativas são extremamente positivas, pois ainda vamos desfrutar da arroba nos patamares atuais, com prováveis ajustes para cima, e o mercado de bezerros e bois magros continuará aquecido e isso estimulará o investimento em touros geneticamente superiores, com avaliações positivas”, afirma. Ele enfatiza a exigência de se produzir uma carne de alta qualidade, tanto para o mercado interno como em especial ao externo, agregando valor ao produto para que se possa remunerar melhor o pecuarista.

Carlos Nunes, da Programa, fala em expectativas de boas à excelentes para 2015, com o volume de comercialização e médias da leiloeira podendo atingir um crescimento de 10%. O maior volume de vendas, como informa, normalmente acontece nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, mas que estavam com seus rebanhos sem grandes crescimentos. Contudo, indica que a retenção de matrizes detectada em função da evolução nos preços dos bezerros e da arroba deverá trazer estímulo para a aquisição de reprodutores.

“Um ano de recomposição do rebanho e de retomada de um maior crescimento na pecuária de corte”, é assim que Lourenço Campo, da Central Leilões, define 2015, acreditando que a comercialização da leiloeira aumentará tanto em volume como em seus valores médios.

As estimativas de crescimento nas vendas e preços médios da Estância Bahia estão em 20%, como avalia Maurício Tonhá, em função de um mercado internacional com forte demanda por carne e preços altamente interessantes.