Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Nutrição

 

Ano turbulento

Mesmo com as incertezas geradas nos últimos anos, o balanço do setor de nutrição animal já comemora crescimento superior a 3%

Erick Henrique erick@revistaag.com.br

Na presença de inúmeros contratempos inevitáveis como a incerteza de investimentos devido ao futuro político-econômico no pós-eleições, Copa do Mundo e influências climáticas, ainda sim o setor de nutrição animal resistiu às adversidades de 2014. Como prova, a análise do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) revela que, de janeiro a setembro, foram produzidos 48,5 milhões de toneladas de rações, um acréscimo de 3,6% em comparação ao mesmo período de 2013.

Certamente, não podemos comemorar, se compararmos ao ano de 2011, quando atingimos a expressiva marca de 63 milhões de toneladas produzidas de ração. Porém, o pessimismo de toda cadeia produtiva tende a arrefecer, pois o mundo necessita de mais proteína animal e, incontavelmente, a carne bovina.

Bovinos de corte
Ariovaldo Zani, vice-presidente do Sindirações, pontua o atual momento do mercado de alimento para bovinos de corte: “a escassa oferta de bezerros, assim como boi magro, manteve a arroba bastante valorizada e comprometeu a reposição do boi terminado caracterizada pela retenção de fêmeas (em uma suposta reversão do ciclo pecuário). Diante desse cenário, o mercado da carne mostra-se estável e a oferta, ajustada à demanda”, analisa Zani.

Segundo o vice-presidente do Sindirações, o clima atípico verificado desde janeiro influenciou de maneira atípica a qualidade das pastagens nas diversas regiões produtoras, favorecendo a suplementação mineral e o consumo de rações, que contabilizaram mais de 2,2 milhões de toneladas até o terceiro trimestre de 2014.

Bovinos leiteiros
Similar aos mesmos problemas dos produtores da bovinocultura de corte, mas favorecido pelos ótimos preços na comercialização do leite desde o último trimestre de 2013, a pecuária leiteira tem investido pesadamente em nutrição, muito em conta da questão da seca que favorece a necessidade do alimento completo.

O dirigente avalia tais aspectos em detalhes. Conforme explica, “o pleno abastecimento nos laticínios verificado ainda no fim do último ano, combinado à sazonal queda da demanda no início de cada ano, pressionou excessivamente o preço do leite pago ao produtor. No entanto, fatores climáticos anteciparam a reversão desse ciclo, por causa da estiagem prolongada que afetou as pastagens em algumas bacias leiteiras, enquanto em outras o excesso de chuvas prejudicou a captação”, afirma Zani.

O vice-presidente aponta que os patamares de preços médios alcançados e o acesso facilitado às novas tecnologias produtivas permitiram maiores investimentos na alimentação preparada na fazenda, atividade também estimulada ultimamente pelo alívio na cotação do milho e farelo de soja, utilizados nos concentrados energéticos fornecidos pela indústria.

Outro ponto a ser considerado é a possível reação dos pecuaristas frente à instabilidade, fora o aumento das vendas de produtos para confinamento/semiconfinamento. Segundo o balanço do Sindirações, nos nove primeiros meses de 2014 houve um aumento de 6,5% em relação ao mesmo período apurado em 2013.

Exportações aquecidas
Se o Brasil cresce a passos curtos nas comercializações internas de produtos bovinos, por outro lado, a indústria de carne vem mantendo um ritmo vigoroso nas exportações. Até setembro deste ano, o País faturou 5,3 bilhões de dólares, aumento de 10% na comparação com ano anterior - que já tinha sido bom. Pelo menos é o que apontam dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carne (Abiec).

O órgão relata que, em 2014, o Brasil já exportou 1,3 milhão de toneladas ante 1,2 milhão de 2013. Esse cenário positivo está associado ao investimento de dois gigantes mundiais. Na ponta do ranking está Hong Kong, com um volume de 326 mil toneladas, crescimento de 6,59%, e receita de 1,3 bilhão de dólares, elevação de 13,79%. Em seguida, aparecem os russos, que compraram do Brasil 290 mil toneladas, gerando um faturamento de 1,2 bilhão de dólares, uma evolução de 16,5%.

Para Ariovaldo Zani, as expectativas são boas para a pecuária em 2015

Panorama 2015
Diante do potencial das safras de grãos e respectivos preços no Brasil e nos Estados Unidos, combinados ao ritmo no consumo de proteína animal, é possível apostar em baixa continuada nos preços das commodities agrícolas. São as palavras do vice-presidente do Sindirações.

Ele atenta sobre uma perspectiva favorável para o segmento no próximo ano. “Torna-se oportuno atentar para o desequilíbrio no rebanho bovino dos Estados Unidos, considerado o menor nos últimos cinquenta anos, e para Austrália, cuja longa estiagem levou à redução de 40% no número de cabeças. Além disso, esses desajustes podem gerar mais negócios externos para a pecuária bovina brasileira e manter valorizada a arroba do boi gordo internamente”, assinala Zani.

Em contrapartida, o executivo estima que a pecuária leiteira inclina-se a sofrer pressão nos preços por causa da diferença/spread (propagação) determinada pelos competitivos exportadores tradicionais.

Concluindo esse balanço com boas novas, a China retirou oficialmente o embargo à carne bovina brasileira. Durante a reunião do G20, em novembro, na Austrália, a presidenta Dilma Rouseff e o presidente chinês, Xi Jipping, assinaram protocolo para oficializar a liberação da venda da carne bovina para o mercado chinês. Com esse acordo bilateral, a expectativa do governo brasileiro é vender 1,2 bilhão de dólares em carne para China em 2015, impulsionando todos os elos da cadeia produtiva, inclusive alimentação.