Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Exportação

  

Bons ventos às vendas externas

Maisa Módolo*

O Brasil é o maior exportador de carne bovina. Em 2013, ocupamos o primeiro lugar dentre os maiores exportadores, seguido por Índia, Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia.

Em 2013, a exportação foi recorde em faturamento e o volume foi o maior desde 2007.

O excelente desempenho dos embarques no ano passado gerou a expectativa de que 2014 também trouxesse resultados positivos.

Em 2013, foram embarcados 2,01 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec), considerando carne in natura (congelada e resfriada), industrializada e miúdos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Na comparação com 2012, o desempenho em volume cresceu 19,4%, com um faturamento recorde de US$ 6,66 bilhões.

Em 2014, o volume exportado até outubro foi de 1,72 milhões de tec, e o faturamento foi de US$ 5,96 bilhões.

Considerando o mesmo intervalo de 2013, a exportação está 3,6% maior e o faturamento, 9,2% mais alto.

Ou seja, a exportação vem crescendo ao longo do ano, apesar da menor intensidade, se comparada ao incremento entre 2012 e 2013.

Caso esse desempenho se mantenha até dezembro, é possível que as exportações atinjam 2,06 milhões de tec, com um faturamento de US$ 7,15 bilhões, novo recorde em faturamento (figura 1).

O Brasil produziu, em 2013, 9,92 milhões de tec, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), dos quais 2,01 milhões de tec foram exportadas, uma fatia de 20,3% da produção.

A exportação brasileira de carne bovina costuma oscilar entre 15% e 20% da produção.

Figura 1 – Exportação brasileira de carne bovina em volume (milhões de tec, eixo da esquerda) e em faturamento (bilhões de dólares, eixo da direta)

Destino da carne
O principal comprador, em faturamento, tanto em 2013, quanto em 2014, foi Hong Kong, propiciando uma receita de US$ 1,45 bilhão em 2013 e de US$ 1,37 bilhão em 2014, até outubro.

Esse montante foi responsável por 21,8% do faturamento com os embarques de carne bovina. Na sequência, vieram Rússia, Venezuela, Egito, Chile e Irã. Veja os dados na figura 2.

Esses cinco países foram responsáveis, em 2013, por 67% do faturamento.

Neste ano, até o mês de dezembro, a Rússia, segundo principal cliente da carne brasileira, já havia superado as compras do ano passado em faturamento.

A receita foi de US$ 1,22 bilhão no período, frente a US$ 1,21 bilhão em 2013. Parte deste cenário é resultado da habilitação de novas plantas frigoríficas.

Figura 2 – Principais destinos da exportação brasileira de carne bovina em 2014, até outubro, em bilhões de dólares

Relações comerciais
A China bloqueou as compras da carne bovina brasileira em 2012, após a suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), o mal da vaca louca, no Paraná. Os chineses são um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Em 2012, a China importou de todo o mundo US$ 255 milhões em carne bovina, sendo US$ 74,87 milhões do Brasil, o que equivale a 29,4% das compras daquele país.

Em julho de 2014, o país asiático anunciou a retirada do embargo à carne brasileira, no entanto, apenas em novembro a liberação foi concretizada.

Além disso, em maio, um caso atípico de EBB surgiu em Mato Grosso e mais países suspenderam as compras no estado.

Irã e Egito foram os destaques. Eles representaram 11,4% da venda brasileira no ano passado, em faturamento. Em agosto, no entanto, os dois países retiraram o embargo e a comercialização de carne foi liberada.

A reabertura desses mercados trouxe expectativas positivas para o setor, assim como abriram a possibilidade de um novo recorde em faturamento. Outro fato marcante foi a habilitação de mais plantas frigoríficas pelos russos.

A autorização de uma quantidade maior de frigoríficos foi possível em função do embargo russo aos produtos agrícolas e pecuários dos Estados Unidos, Austrália e União Europeia, em retaliação aos embargos econômicos aplicados aos russos em função da crise provocada pela anexação da Crimeia.

Para substituir as importações desses países e do bloco econômico europeu, a Rússia credenciou 80 unidades abatedouras brasileiras de bovinos, suínos e aves. Os ventos tendem a continuar favoráveis e alguns fatores indicam que 2015 será bom para exportar.

O dólar está em alta. De outubro de 2013 a outubro deste ano, a moeda americana passou de R$ 2,18 para R$ 2,44, alta de 11,9%. Em meados de novembro, o Banco Central do Brasil projetou que o dólar chegará em R$ 2,70 no ano que vem.

Além disso, estima-se que a produção mundial de carne bovina caia em 2015. Segundo o Usda, a queda será de 1,4%, com uma produção de 58,74 milhões de tec.

Importantes participantes do mercado internacional deverão ter sua produção diminuída no período, como Austrália e Estados Unidos (terceiro e quarto maiores vendedores globais). A redução de produção prevista para 2015 (Usda) para os dois países é de 6,8% e 2,3%, respectivamente.

Apesar de não concorrermos em todos os mercados com esses dois países, algumas fatias são comuns, como Hong Kong (terceiro maior comprador dos EUA, com 13,8% de participação no total exportado pelo país em 2013), China e Oriente Médio (os dois são importantes compradores da Austrália, tendo representado, juntos, 19,6% do volume total vendido pelo país em 2013).

Assim, com a menor produção e a possível disputa entre EUA e Austrália pela manutenção dos mercados que melhor remuneram o produto exportado (Japão e Coreia do Sul, por exemplo – destinos que o Brasil ainda não atende), pode haver mais espaço para a carne brasileira nos clientes em comum.

Além disso, com a oferta mundial restrita, há a tendência de maiores preços no mercado externo, o que estimula a via de escoamento internacional.

*Maisa Módolo é engenheira agrônoma da Scot Consultoria