Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Touro

 

Reposição esquenta venda de touros

Valorização do bezerro de corte e perspectivas positivas para 2014 trazem estímulo para o setor de cria, que investe e busca mais qualidade

Luiz H. Pitombo

Reprodutores de bons programas de melhoramento é o que se disputa cada vez mais nos remates e é um dos fatores que ajudam a explicar os preços em ascensão nas vendas acumuladas até outubro de 2013 dentre leiloeiras e técnicos consultados. Os volumes comercializados também aumentaram no geral, influenciados por elementos fundamentais como a reposição firme e a arroba que se valorizou.

Na rota da intensificação e do aumento da produtividade com pastos mais cuidados, expansão da integração lavoura/pecuária e o uso da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), só interessam os bons tourinhos para não se andar para trás depois de tanto esforço. Estes animais com boas informações e garantia de progênie com melhor desempenho chegam a valer 30% acima da média geral, ou mais que o dobro quando de grifes reconhecidas.

Considerando os negócios realizados pelas leiloeiras Programa, Central e Estância Bahia, até outubro foram negociados 37.100 tourinhos, ou 9% a mais que igual período de 2012, percentual que deve se manter no fechar do ano com as vendas podendo beirar os 39,5 mil reprodutores. Quanto à média geral por leiloeira, estas variaram entre R$ 5.200,00 por animal, revelando pequena evolução ou mesmo estabilidade sobre o acumulado parcial do ano anterior, ou elevação de 18% ao se atingir a média de R$ 7 mil. Para 2014, o bom cenário para a cria e a venda de carne promete novos incrementos nas vendas e nas médias destes animais, como avaliam fontes consultadas em meados de novembro.

A médica veterinária Priscila Montanheri, da Scot Consultoria, que acompanha o setor de reprodução, conta que no ano passado houve aumento na oferta de tourinhos, mas sem o crescimento equivalente na procura pelo ciclo de baixa e o maior abate de matrizes, refletindo em valores menores. Já neste ano, diz que houve maior liquidez pelo estímulo gerado pela falta de bezerros trazendo sua valorização, bem como pela arroba do boi gordo, que em setembro atingiu a R$ 107,59 na praça de referência de Araçatuba/SP, quantia 9,5% superior a de igual mês de 2012. Os bezerros desmamados, por sua vez, atingiram, na média deste mesmo estado, o valor de R$ 745,00/cab, também 9% acima do ano anterior.

O abate de fêmeas revelado até junho pelo IBGE mostra a participação de 46% desta categoria, dois pontos percentuais acima do mesmo período do ano passado. Contudo, no conjunto de 2013, a veterinária acredita que ela deva ficar menor do que está e acrescenta que não concorda com a ideia por vezes proferida de que haverá um "apagão" no fornecimento de bezerros. Isso porque no descarte realizado realmente existem animais improdutivos e o produtor também pode adotar técnicas que permitam atingir uma maior produtividade das fêmeas que foram retidas. Uma delas é justamente o uso de reprodutores de qualidade e comenta que identificou neste ano um aumento na venda de animais com Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip). "Aconteceram mais palestras e uma maior divulgação sobre os animais certificados", justifica.

Como a reposição está firme em termos de preço e demanda e o aumento da produtividade é imperativo, a veterinária acredita que no próximo ano a procura por reprodutores bem avaliados continue em ascensão, como também seus valores. Os próprios criadores de touros, como constata Priscila, seguem as tendências e as exigências do mercado e aprimoram a oferta.

PRECOCIDADE E BOA CARCAÇA

Com vendas de 17.600 tourinhos e média geral de R$ 7 mil, a Programa Leilões apresentou um aumento de 2,3% no volume comercializado e de 18% na média acumulada até outubro em relação ao mesmo período de 2012.

Regionalmente, os maiores volumes comercializados se encontram nas regiões Centro-Oeste e Norte, em áreas de terras mais "fracas", para onde a atividade de cria tem sido deslocada pela agricultura. Carlos Nunes, coordenador de leilões da empresa, destaca que "o Pará é um gigante que desperta", sobre a importante participação deste estado nas vendas. Já na região Nordeste, lamenta que houve recuo na comercialização pela seca e pela elevada mortandade de vacas de cria. Quanto à organização dos eventos e condições de pagamento dos animais, informa que não aconteceram modificações de relevo neste ano, persistindo as 24 parcelas ( 2+2+20) e o frete gratuito a depender do volume de compra.

Foi no segundo semestre, com a valorização da arroba e dos bezerros, que ocorreu o maior movimento nos negócios, como informa Nunes. A perspectiva gerada foi tão boa a ponto de remates com a oferta de reprodutores terem se prolongado até fins de novembro, "o que normalmente não acontece", diz.

Perto de 80% das vendas foram de animais zebuínos, em especial o Nelore. Mas dentre outras raças comercializadas, o coordenador destaca a Senepol, "um composto dotado de rusticidade", comenta, que tem sido utilizado no repasse da inseminação, por exemplo. Na média, conta que estes reprodutores foram comercializados por R$ 8 mil e contribuíram para puxar os resultados do ano.

Nunes avalia que o mercado se profissionaliza e que dentre os compradores tem surgido cada vez mais produtores de grãos dedicados à integração lavoura/pecuária que se mostram exigentes quanto ao padrão dos animais em aspectos como precocidade e carcaça moderna. Na agricultura, diz que os produtores sabem muito bem da importância de se usar insumos de qualidade e que com os touros não é diferente. Em função do maior uso da IATF, conta que a disputa pelos melhores animais também aumenta, pois pela eficiência da técnica a necessidade de touros de repasse é menor permitindo que se tenha mais recursos para a aquisição destes animais.

Sobre as tendências deste fim de ano, acredita que a leiloeira deva totalizar a venda de 18.500 tourinhos, quase 3% a mais que em 2012, com as médias se mantendo valorizadas em 18%. Para 2014, ano de eleições e de Copa do Mundo, aposta no bom consumo da carne bovina e em bezerros valorizados, beneficiando todo o setor pecuário com maiores vendas de tourinhos e a preços mais elevados.

O mercado encontra-se estável, diz Maurício Tonhá

PRESSÃO DA SOJA E MAIS TAURINOS

A Estância Bahia, no acumulado até outubro deste ano, apresentou a venda de 7.500 touros pela média de R$ 5.200,00 e deve terminar o ano com o mesmo valor médio para um total estimado de 8 mil reprodutores. Na comparação com o ano de 2012, a quantidade prevista mantém o mesmo patamar anterior de vendas, enquanto que em valores pode mostrar este aumento perto de 4%, classificado como dentro de uma faixa de "estabilidade" por Maurício Tonhá, sócio-proprietário da leiloeira.

Lourenço Campo calcula comercializar 13 mil tourinhos em 2013

Embora reconheça que os melhores preços do bezerro estimularam a cria, diz que ainda é grande a pressão por terras de pastagens, em especial pela soja, reduzindo a área disponível, o número de matrizes e, assim, a demanda por touros. As condições de pagamento e o perfil do comprador dos leilões que organizou não sofreram alterações significativas sobre 2012, mas destaca que neste ano aconteceu a promoção de um grande remate com a comercialização de mil touros Nelore por média próxima a R$ 7 mil.

Em se tratando do ano novo que se aproxima,Tonhá é mais otimista ao considerar a reação do mercado frente à majoração dos preços do bezerro, com as vendas de tourinhos podendo aumentar de 5% a 10% em volume e em sua média.

Percentual similar de crescimento em suas médias é também esperado para 2014 por Lourenço Campo, diretor da Central Leilões, que calcula comercializar em 2013 perto de 13 mil tourinhos pelo valor médio de R$ 6.300,00. Só até outubro haviam sido vendidos 12 mil animais, 30% a mais que no ano anterior por esta mesma média - a diferença veio de animais de raças taurinas e cruzamentos. Para 2014, Campo ainda aposta nestes mesmos animais para aumentar suas vendas em mais mil touros.

O grande volume comercializado é de Nelore, que se estabilizou em perto de 10 mil reprodutores, com o incremento acontecendo especialmente com as raças Angus, Brangus, Braford, Senepol, Montana e Caracu, dirigidas ao cruzamento industrial. O foco no crescimento deste mercado foi uma estratégia adotada, como aponta Campo, que diz que faltava à leiloeira aumentar com qualidade seu portfólio destes animais, como foi feito. O acerto da medida pode ser medido pelo bom aumento dos negócios.

Quanto aos preços, Campo informa que os valores atingidos nos primeiros dez meses do ano representam 5% a mais que igual período do ano passado e 8% na comparação com o ano fechado. Estas majorações, como avalia, não representaram nenhum estouro e permitiram manter o fluxo dos negócios aos interessados, além de também garantir rentabilidade razoável para quem se dedica à sua produção.

Como nas demais leiloeiras, não ocorreram alterações substanciais nas formas de pagamento ou em outros aspectos. O diretor da Central Leilões reafirma que os compradores estão cada vez mais técnicos e exigentes e que "chegam sabendo o que desejam", como diz, apontando igualmente a presença nos remates de agricultores dedicados à integração.