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Expectativa é mercado firme em 2014

Priscila Montanheri*

Em 2013, a alta da arroba do boi gordo nos meses próximos à estação de monta aqueceu o mercado da reprodução animal. O setor sentiu diretamente as pressões sobre o mercado do boi gordo e de reposição ao longo do ano. O mercado de receptoras, durante 2013, transcorreu normalmente, sem sobressaltos.

O período seco, agravado com uma queda de temperatura acima do esperado, reduziu a qualidade das pastagens com mais intensidade e, por tabela, reduziu os negócios no mercado de receptoras no Brasil Central.

Em contrapartida, a reação da cotação da arroba do boi gordo na entressafra valorizou estas fêmeas. Uma receptora vale no mercado o equivalente a 23 arrobas de boi gordo. Essa indexação em arrobas de boi gordo dificultou ainda mais os negócios. A figura ao lado mostra o comportamento dos preços de receptoras vazias. A reação nas cotações não indicou, necessariamente, aumento de demanda.

Segundo a Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões, estima-se que 1,1 milhão de transferências de embriões sejam realizadas no mundo, sendo o Brasil líder dessa tecnologia com 37% de participação. Calcula-se que o volume de trabalho ligado à tecnologia de embriões tenha crescido 14% em 2013.

O uso a fresco é maior que o congelado e isso explica um emprego maior de receptoras sincronizadas para cada bateria de fertilização in vitro. Justificando, em certa medida, essa expansão comparativa. No início do ano pairava a dúvida sobre a obrigatoriedade do uso de receptoras zebuínas para determinadas raças a partir de 2014.

Entretanto, o artigo 105 do regulamento da ABCZ foi reescrito, liberando o uso de bovinos cruzados (taurinos x zebuínos ou taurinos x taurinos) nos processos de TE e FIV para as raças Brahman, Cangaiam, Indubrasil e Nelore, a partir de primeiro de janeiro de 2014.

Esta nova redação deu tranquilidade e normalizou o mercado, do contrário 100% das receptoras deveriam ser zebuínas, implicando em custos com legalização e registros.

REPRODUTORES

A oferta de reprodutores esteve maior em relação a 2012 e a demanda acompanhou esse crescimento. A partir de setembro, houve um incremento na quantidade de leilões, com boa liquidez. A valorização da arroba do boi gordo, assim como do bezerro, estimulou o setor.

HORMÔNIOS E DISPOSITIVOS

Os estoques das empresas de insumos para reprodução foram abastecidos por volta do mês de agosto. Para o fechamento deste ano, espera-se um aumento de 10% no volume comercializado no ano anterior. O mercado do boi gordo e do leite, cujas cotações estiveram em patamares relativamente elevados, permitiu o aumento da venda insumos.

SÊMEN

A comercialização de sêmen bovino tem aumentado ao longo dos anos. Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), as vendas cresceram 65,4% entre 2008 e 2012.Neste período, a comercialização do sêmen nacional foi maior que a do importado, apesar do volume de vendas deste material também estar em evolução.

O investimento em tecnologia tem sido uma das frentes de desenvolvimento da pecuária brasileira diante das limitações impostas pelo novo código. A concorrência com outras formas de uso da terra também pode ser considerado.

PERSPECTIVAS

A participação de fêmeas no abate de bovinos no primeiro semestre de 2013 cresceu em relação ao mesmo período de 2012 (IBGE). Esse fenômeno reduz o rebanho de matrizes, o que afeta a demanda por insumos relacionados à reprodução.

Por outro lado, a tendência é de aumento do uso de tecnologia por razões econômicas. Por fim, a expectativa é de mercado firme em 2014, o que deverá estimular insumos para reprodução.

*Priscila é médica-veterinária da Scot Consultoria