Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Exportação

 

Reação em 2013

Gustavo Aguiar*

O Brasil exportou grandes volumes de carne bovina em 2013. Até outubro (últimos dados disponíveis até o fechamento deste artigo), os embarques da carne bovina in natura (resfriada e congelada), industrializada e salgada somavam 1,48 milhão de toneladas equivalente-carcaça (tec).

O faturamento com as exportações, também até outubro, totalizou US$ 4,9 bilhões. Ao que tudo indica, teremos um recorde de faturamento em 2013, superando a marca de US$ 5,16 bilhões alcançada em 2012, até então o valor mais alto da série.

Mantendo-se o ritmo verificado de janeiro a outubro até o fim do ano, o volume exportado e o faturamento deverão alcançar a marca de 1,78 milhão de tec e US$ 5,88 bilhões.

Na figura 1 apresentamos a evolução do volume exportado e do faturamento com as exportações de carne bovina nos últimos dez anos, já com as projeções proporcionais até o final de 2013.

O preço médio da tonelada exportada em 2013, até outubro de 2013, foi de US$ 3.464,00/tec, uma queda de 5,4% em relação à média de 2012, cujo valor foi de US$ 3.663,67/tec.

PRINCIPAIS CLIENTES

Para a análise dos principais clientes da carne bovina brasileira, consideramos a evolução das compras de carne in natura, que representaram 91,4% do volume exportado entre janeiro e outubro de 2013.

Na liderança das compras, da mesma forma que em anos anteriores, aparece a Rússia, com 342,45 mil tec. Na sequência, surge Hong Kong, com o maior crescimento absoluto frente a 2012. A região administrativa chinesa comprou 236,86 mil tec, assumindo assim a posição ocupada pelo Egito em 2012.

Em seguida, aparecem a Venezuela, cuja importação foi de 151,8 mil tec, o Egito, com 146,60 mil tec, e, por fim, o Chile, ocupando a quinta colocação, com 79,73 mil tec (figura 2).

Esses cinco maiores compradores detêm uma participação de 75,9% do volume total exportado. O Irã saiu da lista dos cinco maiores compradores, substituído pelo Chile, e ocupa atualmente a sexta posição, com a importação de 46,26 mil tec no período.

A VEZ DE HONG KONG

Em relação aos dez primeiros meses de 2012, quando a região importara 99,74 mil tec, as compras de 236,86 mil tec de 2013 representam um aumento de 137,5%. Além do forte aumento percentual, a região apresentou o maior crescimento em valores absolutos dentre todos os compradores, frente ao mesmo período de 2012, cujo volume fora de 137,12 mil tec.

Ao compararmos tal crescimento com os valores da figura 2, podemos verificar que este aumento foi muito próximo ao que a Venezuela e o Egito, terceiro e quarto colocados no ranking, compraram nos primeiros dez meses de 2013, o que traduz a magnitude do aumento dos embarques para Hong Kong.

Fazendo uma projeção para o fim do ano, em termos proporcionais, o volume exportado para a região administrativa poderá alcançar 284,24 mil tec.(figura 3)

Outra questão é que, se somarmos os miúdos, tripas e as carnes salgadas e industrializadas, Hong Kong é o maior comprador de produtos cárneos bovinos brasileiros, ultrapassando a Rússia.

Hong Kong, leia-se mercado chinês, representa um grande potencial para a carne brasileira. Vale a pena acompanhar.

REEXPORTAÇÃO PRA CHINA

As importações da China, que foram de 12,8 mil tec de janeiro a outubro de 2012, caíram para 0,24 mil tec no mesmo período de 2013.

Os chineses suspenderam a importação de produtos cárneos brasileiros, desde o evento "priônico" ocorrido no Paraná.

Vale ressaltar que a exportação diretamente à China ficou muito acima da média histórica em 2012, quando o país intensificou o monitoramento nos portos de Hong Kong, para reduzir as reexportações, segundo informações da Global Agricultural Information Network, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Porém, é provável que o aumento dos embarques para Hong Kong tenha relação com este status comercial da China.

PERSPECTIVAS 2014

A conjuntura no mercado externo é promissora para o Brasil. Apesar de importantes concorrentes, como Índia, Austrália e Uruguai, estarem vivendo bons momentos com relação à produção e à exportação, os Estados Unidos deverão sofrer uma restrição na produção e, consequentemente, no comércio externo em 2014.

Assim, algumas oportunidades devem se abrir no cenário internacional, como é o caso de Hong Kong, que se tornou, em 2013, o maior importador de carne bovina dos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a exportação brasileira de carne bovina aumente 7,8% em 2014.

Pensando no ciclo interno de preços pecuários, apesar da provável mudança no tocante à oferta e preços em curto e médio prazo (com restrição da oferta e alta de preços), reflexo dos abates de fêmeas os últimos anos, deveremos ter disponibilidade de rebanho e de carne capaz de abastecer o mercado, em resposta à boa demanda.

Temos uma produção volumosa e eficiente (ainda com bom potencial de aumento de produtividade), boas condições sanitárias, carne de qualidade, constância na entrega e empresas confiáveis. O que nos falta é acessar os mercados mais exigentes e que remuneram melhor, não por incompetência produtiva, mas pela dificuldade de transpor barreiras protecionistas e políticas.

*Gustavo Aguiar é zootecnista e diretor-técnico da Scot Consultoria