Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Do Pasto ao Prato

 

O que o Brasil tem de melhor em marcas de carne bovina

Na palestra Porque a marca na carne vale muito a pena, István Wessel nos ensinou que uma marca vale quanto ela vende a mais em preço e em volume. Lembrou da importância da embalagem, dos investimentos em educação dos clientes (como preparar) e também da importância de se fazer degustação. Para ele, o mais difícil é não cair em tentação de vender algo abaixo do padrão na falta do melhor produto.

Flavio Saldanha apresentou um estudo de caso da Prime Cut, um açougue butique de muito sucesso em São Paulo/ SP. Contou que muitos clientes já pedem carne com marmoreio, muitas vezes sem saber o que é. Já virou sinônimo de qualidade. A loja vende outros produtos de alto valor e qualidade com uma caixa de sais exóticos e raros para assados especiais. O aumento das viagens para o exterior e os programas de culinária aumentaram a vontade do consumidor em provar e preparar pratos especiais com ingredientes de primeira. A loja vende cortes cada vez mais diferentes e os mais exigentes não usam picanha.

Vagner Giomo palestrou sobre a experiência do Grupo Pão de Açúcar com marcas de carne, em especial a carne Taeq. Desenvolveram um projeto de carne macia, magra e com alto rendimento. É um lembrete que o consumo de carne não é só churrasco e de que precisamos aprender a vender melhor para a dona de casa, para a mulher. Finalizou, reforçando a necessidade de se trabalhar a responsabilidade social e ambiental.

Sylvio Lazzarini contou a experiência do Varanda Grill e da Intermezzo Gourmet. Sylvio é um dos pioneiros em qualidade de carne no Brasil. Seu restaurante é cheio de glamour e preza pelo atendimento impecável, ótima carne e 600 opções de vinhos. Uma curiosidade da palestra do Lazzarini foi ele contar uma história em que o Saul Galvão, famoso crítico gastronômico já falecido, disse que no Varanda se comia uma ótima carne, mas a carta de vinhos era “ruim”.

Uma das surpresas boas do evento foi a palestra sobre o H3 New Hamburgology. Uma empresa de Portugal, com muito bom humor, e que deixou todos com água na boca com as fotos de um produto impensável - hamburguer gourmet na praça de alimentação de shoppings. Em menos de um ano, já operam 10 lojas em São Paulo.

Roberto Barcellos contou as experiências de 15 anos de trabalho com carne de qualidade no Brasil e toca dez marcas no Brasil. Lembrou das inúmeras dificuldades em se fazer carne de qualidade, mas que há uma grande oportunidade a ser explorada e que esse mercado vai explodir nos próximos anos.

Marcia Barcellos palestrou sobre o comportamento do consumidor e o papel das marcas. Reforçou a necessidade de se investir em educação. E lembrou da importância da emoção. Finalizou lembrando que carne é status. As pessoas têm orgulho e prazer ao preparar uma boa carne.

Rafael Valdivia palestrou sobre a experiência e visão do restaurante Pobre Juan, que nasceu da vontade de um grupo de amigos. Buscam unir a busca por diversão e resultados financeiros. E no final disse que pensa todo dia em como abaixar o preço e manter a rentabilidade.

Rodrigo Andrade Matheus palestrou sobre a visão do Outback Brasil. Ensinou como são os sistemas e processos para servir carne de qualidade em grande volume. Nos EUA, é fácil comprar carne no mesmo padrão, pois existe um sistema de tipificação. Aqui no Brasil precisam ajustar todo um sistema de produção, em contato com consultores, frigoríficos e confinadores.

Numa das palestras mais esperadas, Lincoln Seragini ensinou sobre marcas visionárias. Seragini é um dos papas em design de embalagens e logos no Brasil. Foi ele quem refez a marca da Ouro Fino, da Tortuga e da Seara. Lincoln ensinou sobre o valor da marca e do design. Reforçou como é importante saber e ser quem você é, mostrando o caso da Kraft, que assumiu vender doces que alegram a vida das pessoas.

José Roberto Prado apresentou o estudo de caso da marca Melão Rei (o melão da redinha). Foi muito interessante conhecer um caso de sucesso dentro do agro. É ao mesmo tempo muito diferente e muito parecido com carne bovina. Reforçou ser muito importante não cair em tentação de oferecer um produto qualidade “B”, quando a qualidade “A” está em falta. Precisa-se treinar e educar os canais de distribuição e como usar a rastreabilidade para gerenciar a satisfação do cliente. Na seção de perguntas do workshop, surpreendeu ao perguntar sobre o gosto ruim da carne bovina. Gerou uma interessante discussão sobre comprometimento da cadeia da carne e do exagero no uso de caroço de algodão.

Paulo Carvalho veio de Tangará da Serra/MT, contar o estudo de caso Natural Beef, em que faz ciclo completo, do pasto ao prato. Mostrou muitas fotos do sistema de produção a pasto. Brincou dizendo que iria aumentar o preço dos produtos depois de aprender com as outras marcas. Contou também como está aplicando os conhecimentos que colhe nas viagens internacionais para EUA, Europa e Austrália.

Paulo Emilio Prohmann apresentou o projeto carne de qualidade Maria Macia, do Paraná. Uma iniciativa muito interessante, pois conseguiu aprender como vender bem o dianteiro. Foi fazendo muitas degustações do produto no ponto de venda e ensinando o consumidor a como preparar a carne que aumentou a demanda pelo dianteiro. Ensinou que o grande desafio dos técnicos é ensinar ao produtor como integrar produção e comercialização.

William Labaki contou sobre os 95 Miguel da Rocha Cavalcanti é engenheiro-agrônomo e coordenador do BeefPoint, site especializado na cadeia produtiva da carne bovina (www.beefpoint.com.br) hamburgueres Piemontês Light e Brangus Burger. Como agrega valor moendo um boi inteiro e vendendo hamburguer. Mostra como devemos inovar e que qualidade tem preço. E brincou ao falar da necessidade de padronização: você até pode produzir um produto de baixa qualidade, desde que ele seja ruim todo dia.

Roberto Barcellos reforçou que não acredita em programa de carne de qualidade que começa no curral de frigorífico. É preciso controlar e ajustar o sistema de produção e não apenas selecionando bons animais pré-abate ou escolhendo carcaças. É fundamental cuidar do sistema de produção como um todo: genética, nutrição, idade, manejo.

Cristiane Rabaioli apresentou o estudo de caso da Celeiro Carnes Especiais, fundada em Rondonópolis/MT e presente algumas cidades do estado. Começaram com carne ovina, mas viram que a demanda era muito maior por carne bovina de qualidade. Foi muito interessante conhecer e aprender sobre o potencial de mercado no interior do MT e saber que as classes C e D também estão interessadas e compram qualidade. Seu maior desafio também vender bem o dianteiro.

Felipe Moura falou sobre a construção da Marca Angus, lembrando que precisamos conquistar a mulher e que quanto mais programas de qualidade tivermos, melhor. Mostrou também uma campanha que a associação de criadores de Angus vai iniciar, convidando todos a provarem o Angus.

Henrique Freitas, do JBS, apresentou a marca Swift Black. Surpreendeu pela forma como o programa está estruturado. O produto é elogiado por especialistas e tem um embasamento técnico e comercial muito bom. Fazem tudo certo, desde nutrição, bem-estar animal, tempo de resfriamento da carcaça a sistema de distribuição. Freitas também mostrou como foi construída a identidade visual da marca.

Todos os especialistas citados participaram do décimo workshop do BeefPoint, que tratou das marcas de carne de qualidade. Buscamos mostrar os desvios positivos do setor, que já temos muita gente boa fazendo um trabalho de ponta. Assim como reforcei no encerramento do evento, repito que: podemos fazer muito mais como setor, cadeia e pecuária.

Para reflexão, vale lembrar mais uma vez a frase de Peter Drucker (1909- 2005) : “Para ter um negócio de sucesso, alguém, algum dia, teve que tomar uma atitude de coragem”.

Miguel da Rocha Cavalcanti é engenheiro-agrônomo e coordenador do BeefPoint, site especializado na cadeia produtiva da carne bovina (www.beefpoint.com.br)