Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Nutrição

 

Nutrição animal em baixa

Levantamento estima que setor deve recuar até 3%

Bruno Santos
bruno@revistaag.com.br

Após apresentar reação perante as perdas da crise financeira mundial de 2009 e mostrar crescimento sólido nos últimos dois anos, a indústria de alimentação animal voltou a mostrar oscilação e deve fechar 2012 com retrocesso de até 3%. É o que prospectam os especialistas com base nos dados apurados de janeiro a setembro deste ano.

Esses dados apontam, ainda, que, nesse período, foram consumidas 46,6 milhões de toneladas de rações e 1,5 milhão de toneladas de sal mineral. A estimativa para o término do ano é produzir pouco mais de 62 milhões de toneladas de ração e 2 milhões de toneladas de sal mineral e movimentar cerca de R$ 47 bilhões em insumos nacionais e importados. Em 2011, a indústria de alimentação animal brasileira havia produzido 64,5 milhões de toneladas de rações e mais 2,35 milhões de toneladas de sal mineral, um crescimento de 5,2% em relação a 2010, com movimentação de R$ 40 bilhões.

O setor engatou a “marcha à ré” já no primeiro trimestre de 2012.

De janeiro a março, a produção de rações não passou de 14,9 milhões de toneladas, recuo de 2% quando comparado ao que foi produzido no mesmo período do ano passado. O segmento de suinocultura foi o que apresentou maior queda, com 6,1%. As atividades da pecuária de corte e leiteira, por sua vez, apresentaram ligeiro avanço de 1,2% e 1,1%, respectivamente.

Segundo Ariovaldo Zani, vicepresidente- executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), o recuo tem se intensificado por causa da coexistência de três fatores: alto custo do farelo de soja e do milho, baixos preços pagos aos produtores e desaceleração no ritmo exportador das carnes.

A descapitalização de muitos produtores independentes também vem reduzindo o rebanho de suínos ao longo do ano, além do alojamento de matrizes, pintinhos e o abate de aves, que perdeu fôlego nos últimos meses. “A indústria produtora de frangos de corte e a de suínos, juntas, demandam mais de 70% das rações produzidas no Brasil e são formuladas com quase 90% da mistura de milho, que subiu 40% nos primeiros 20 dias de julho por efeito da estiagem no cinturão produtor americano. Já o farelo de soja mais que dobrou de preço de janeiro até agosto, em razão da forte estiagem na Argentina e no Brasil”, justifica o executivo.

BOVINOS DE CORTE

A estimativa do setor de alimentação animal para bovinos de corte é produzir em 2012 pouco mais de 2,6 milhões de toneladas, com redução de quase 3% em relação ao ano anterior, quando 2,7 milhões de toneladas foram produzidas. Já a taxa de confinamento deve manter estabilidade ou até seguir viés de baixa, diante de 2,8 milhões de cabeças confinadas em 2011. “Apesar dos relativos bons preços pagos ao boi gordo no ano passado, o desembolso com alimentação representou 35% do custo do confinamento e diminuiu a rentabilidade do produtor. Já em 2012 muitos pecuaristas optaram pelo regime de ciclo único ou semiconfinamento”, lembra o vice-presidente.

De janeiro a setembro de 2012, a demanda somou apenas 2,2 milhões de toneladas de rações, que, segundo Zani, provavelmente ocorreu por causa das chuvas atípicas no inverno, que favoreceram as pastagens e contribuíram na antecipação da terminação dos animais confinados. “O custo elevado da alimentação concentrada continua comprometendo a engorda no cocho e limitando a liquidez de bois gordos, embora o mercado ofertado com vacas e novilhas poderá conter eventual supervalorização da arroba”, conceituou.

O setor engatou a “marcha à ré” já no primeiro trimestre deste ano, lembra Ariovaldo Zani

BONIVOS LEITEIROS

Para a bovinocultura leiteira, as expectativas também não são animadoras. A estimativa do setor é de produção de 4,9 milhões de toneladas de rações em 2012, um retrocesso de 2,5%, diante de 5,1 milhões de toneladas de rações produzidas em 2011.

Esse resultado pode se atribuir à tendência do pecuarista em reduzir investimentos na atividade na tentativa de melhorar a margem bruta, por causa do alto custo da alimentação com concentrado e dos baixos preços pagos pelo leite desde maio. “A limitação na oferta de leite se intensificou também em virtude da estiagem que abateu as regiões Sudeste e Centro- Oeste e o final da safra na região Sul”, afirmou o executivo.

EXPECTATIVAS PARA 2013

Encarando a emergência da nova classe média brasileira e seu potencial de consumo, a recuperação dos empregos nos Estados Unidos, o redirecionamento dos investimentos para o mercado doméstico na China e depositando muito otimismo na interrupção do caos econômico na União Europeia, é possível que no próximo ano a indústria de alimentação animal global e brasileira seja capaz de compensar a perda acumulada em 2012. É no que aposta o vice-presidente do Sindirações.

Ele explica ainda que a indústria de alimentação animal local tem se esforçado para aliviar os desafios contemporâneos e contribuído, sobretudo, para sustentabilidade da cadeia de produção de proteína animal. “O índice de sucesso do setor privado, contudo, continua modulado pelas iniciativas do setor público frente à complexa e pesada carga tributária, escassez de financiamento para capital de giro, capacidade de armazenamento das safras e infraestrutura logística, dependência extrema dos aditivos da química fina, restrição ao uso de tecnologia e burocracia na implementação da inovação”, concluiu.