Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Exportação

 

Recuperação de TERRENO

Gustavo Adolpho Maranhão Aguiar*

Após quatro anos de queda no volume de carne bovina exportada pelo Brasil - de 2008 a 2011 -, tudo indica que em 2012 este cenário será diferente. Beneficiada por aumento da produção interna, menores preços e, consequentemente, melhoria da competitividade, a carne bovina brasileira vem recuperando espaço no mercado externo.

Para comparação, considerando como ponto de partida o início de 2011, a arroba do boi gordo no Brasil, em dólares, teve a maior queda, comparando com Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos (tabela 1).

Além da maior queda comparativa, na média de 2012 até meados de novembro, a cotação da arroba do boi gordo brasileiro é a mais baixa dentre os países analisados.

Outro fator que ajudou na competitividade foi a alta do dólar em 2012 em relação à média do ano passado, o que torna nossa carne mais barata lá fora.

Saímos de uma cotação média do dólar de R$ 1,67 em 2011 para R$ 1,94 em 2012 (de janeiro a novembro), apreciação de 15,6%.

Em 2011 embarcamos 1,57 milhão de toneladas equivalente- carcaça (tec), considerando a soma da carne in natura, industrializada e salgada. Em 2012, até outubro, o volume total é de 1,42 milhão de tec

Se considerarmos uma projeção para o fechamento do ano utilizando a média mensal, exportaremos 1,7 milhão de tec em 2012, um crescimento de 8,5% na comparação com o ano passado.

Além da recuperação do volume exportado, se também projetarmos a média mensal da receita, deveremos atingir o maior faturamento já registrado para as vendas no mercado externo, em valores nominais.

A receita, segundo esta projeção, será de US$ 5,26 bilhões, alta de 5,8% na comparação com 2011 (figura 1).

A menor intensidade da alta do faturamento em relação ao volume deverá ocorrer em função da diminuição do preço médio da tonelada exportada, que deverá passar de US$ 3.161,54 em 2011 para US$ 3.082,89 em 2012 (também de acordo com a média até o momento).

PRINCIPAIS COMPRADORES

A exportação de carne in natura representou 76% do volume total exportado no período, em toneladas métricas.

Em 2012, até setembro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os cinco maiores compradores da carne bovina in natura brasileira foram, em ordem de importância, Rússia, Egito, Hong Kong, Venezuela e Chile.

Juntos, estes países compraram 468,47 mil toneladas métricas, o que representou 69,1% de 678,14 mil toneladas métricas embarcadas (tabela 2).

O mercado externo está concentrado em poucos compradores. Desde 2006, considerando o resultado parcial de 2012 na conta, a participação média dos cinco maiores compradores de carne in natura no total exportado pelo Brasil foi de 62,6%. E o mais preocupante, esta fatia vem aumentando ano a ano.

Em 2006 era de 52,3%. O certo é que, quanto mais concentradas as vendas, maior é o risco. Portanto, para o fortalecimento do Brasil neste mercado, uma boa medida seria a ampliação e a perenização de outros mercados a fim de reduzir esta dependência.

OUTROS EXPORTADORES

Vejam este balanço dos outros importantes exportadores de carne bovina. Os quatro maiores são Brasil, Índia, Austrália e Estados Unidos.

Na tabela 3, está a previsão de exportação para 2012. Cabe ressaltar que existe variação de resultados dependendo da fonte.

Consideramos as estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para Índia, Austrália e Estados Unidos e a projeção com base no resultado médio do MDIC até outubro para o Brasil.

Sobre o Brasil já comentamos. Com base nestas fontes, seremos os maiores exportadores em 2012.

Porém, a Índia vem ocupando espaço. Espera-se que em 2013 o país lidere o mercado internacional em termos de volume embarcado.

A Índia exporta principalmente carne de búfalo. Baixo custo e acesso a mercados pouco exigentes (Ásia, África e Oriente Médio) são as armas do país para ampliar a participação no mercado global de carne bovina.

Na Austrália, a recente recomposição do rebanho após uma década de crises climáticas está surtindo efeito e a oferta de carne está em bons patamares, o que também favorece o crescimento das vendas deste importante participante.

Por fim, nos Estados Unidos as coisas não andam bem. Apesar da retomada das exportações desde 2004, ano em que praticamente saíram do mercado por causa de um surto da doença da vaca louca, o rebanho está diminuindo ano a ano e os elevados custos de produção, especialmente neste ano, com a quebra da safra de grãos, minam a produção.

EXPECTATIVAS

O Brasil tende a recuperar espaço no mercado externo em 2012. Porém, os países concorrentes também estão de olho neste mercado e estão dedicando esforços a ampliar e consolidar sua presença.

Cabe ressaltar que estamos entrando em um ciclo de aumento de produção interna de carne, que deve perdurar pelos próximos anos, em virtude da ampliação do abate de fêmeas. Isto tende a deixar a carne brasileira mais barata e competitiva no mercado externo e ajudar na recuperação de mercados.

Trata-se de uma oportunidade de conquistar novos mercados, incluindo os mais exigentes e que pagam mais, além de não perdermos os mercados já conquistados.

*Gustavo é zootecnista e consultor www.scotconsultoria.com.br