Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Genética

 

Em busca da ferramenta PERFEITA

Empresas dão a largada para oferecer o que há de melhor
na tecnologia dos marcadores moleculares

Fátima Costa

Nem só os olhos do dono engordam a boiada. Hoje, é possível encontrar no mercado rebanhos geneticamente prontos para produzir dentro do que o criador deseja. Em outras palavras, a tecnologia disponível na pecuária traz as características genéticas de real valor econômico.

Dentre as tecnologias tão utilizadas, os denominados marcadores moleculares se transformaram em ferramentas de seleção genética que permitem que características da carne, até hoje consideradas “invisíveis”, como a maciez e o marmoreio, sejam mapeados, o que dá aos criadores a possibilidade de efetuar a seleção com base no potencial de produção.

Com os resultados obtidos, essa tecnologia está cada vez mais se proliferando nos pastos e nos laboratórios, graças também ao empenho de grandes empresas.

Mesmo com pouco tempo no mercado, inúmeras companhias saíram na frente em 2012 para oferecer um serviço completo e de ponta aos pecuaristas. E com promessas de novidades nos próximos anos.

Uma delas é a Genoa Biotecnologia SA (GBSA). Com o fim da parceria com a MSD Saúde Animal, ela trouxe para o mercado o programa GTag ® (acrônimo de “Genes & Traits for Animal Gain”) de marcadores moleculares, desenvolvido a partir de estudos da raça Nelore. “Em 2012, completamos o sequenciamento e a análise inteira do genoma bovino. O animal escolhido pela companhia para o sequenciamento foi um touro denominado Quil 7308, propriedade da Agropecuária Quilombo. O trabalho gerou a descoberta de mais de 2 milhões de novos SNPs (Polimorfismos de um único nucleotídeo) da raça Nelore”, revela Antônio Carlos de Souza, veterinário e gerente comercial divisão bovinos da Genoa Biotecnologia.

Um salto enorme que garante espaço em um mercado competitivo. Já para o próximo ano, a companhia pretende expandir os negócios ainda mais. “Ela quer tornar disponível o G-Tag® para qualquer criador, independente do porte. A Genoa está revendo ações para que os testes sejam processados a custos próximos aos de genotipagem. Pretendemos popularizar o G-Tag® e torná-lo acessível”, frisa.

Atualmente, o valor praticado é de R$ 36,00 para os testes de paternidade, com prazo de cinco dias para os resultados, e R$ 85,00 como preço de lançamento para os marcadores moleculares G-Tag®, com prazo de 20 dias para os resultados, segundo valores da empresa.

Na opinião de Souza, hoje o custo desta ferramenta é quase impercebível quando o que está em jogo é uma garantia de que o animal, reprodutor ou matriz, tem potencial geneticamente determinado para passar vantagens fenotípicas à progênie. “Todos buscam comprar com garantias. Agora, elas vêm com certificação genômica”, afirma.

E é esta garantia que a CRV Lagoa, que atua no mercado brasileiro de genética bovina há mais de 40 anos, deseja assegurar aos seus clientes. Atualmente, ela utiliza marcadores moleculares próprios em seus programas de seleção na Europa, nos Estados Unidos, na Oceania e no Brasil, para mães de touros e reprodutores genômicos. “A empresa trabalha com chips de 3, 6, 50 e 777 mil SNPs”, diz Raul Lara Resende de Carneiro, gerente gestor de leite da CRV Lagoa.

Desde 1994, a empresa desenvolve e aplica a técnica em programas de melhoramento genético, o que já representou, segundo a companhia, um incremento de cerca de 30% nos ganhos genéticos do programa Delta da Holanda, na seleção de reprodutores de gado holandês. Atualmente, no campo de atuação, a empresa oferece aos criadores o denominado InSire. O produto lançado em 2008 é resultado de 15 anos de pesquisas envolvendo a Universidade de Wageningen (Holanda), a Universidade de Liége (Bélgica) e a central de genética bovina CRV Lagoa (São Paulo). “De lá para cá, evoluiu bastante, dado o aumento da população de referência na raça holandesa, que hoje é a maior do mundo em virtude do consórcio EuroGenomics, do qual a CRV é membro. O InSire, na verdade, é resultante do uso associado das tecnologias de genética molecular (testes de marcadores) e quantitativa (avaliações genéticas tradicionais)”, frisa Carneiro.

Raul Carneiro informa que CRV Lagoa ingressa no mercado dos marcadores no Brasil

JUNTANDO FORÇAS

Dentro dos planos futuros da empresa está avançar o uso da genômica no Brasil. Com isso, em outubro, deste ano, firmou um acordo entre Pfizer Saúde Animal e Embrapa para o desenvolvimento de ferramentas genômicas direcionadas de melhoramento genético de bovinos leiteiros, destinados para as raças Gir Leiteiro, Girolando e Guzerá. “2013 será um ano de intenso trabalho neste projeto e em diversas outras áreas de atuação da CRV Lagoa em melhoramento genético de bovinos leiteiros para o Brasil”, diz Carneiro.

Para os integrantes do consórcio, o projeto resultará em importantes ganhos para a pecuária brasileira, com a expertise de cada empresa que forma o consórcio. “Foi graças aos esforços de parceiras que a Pfizer conseguiu atingir seu objetivo e, em 2010, lançou no mercado nacional os marcadores genéticos para Nelore”, diz Guilherme Gallerani, gerente de produto de Clarifide.

A Pfizer desenvolveu o Clarifide Nelore, um painel de marcadores moleculares para a raça Nelore, feito especificamente para o gado de corte. “Em 2012, foi a vez de comercializar um painel completo para gado de leite, marcador voltado para as fêmeas das raças leiteiras Holandês, Jersey e Pardo Suíço”, diz Gallerani.

“O foco inicial da Pfizer no desenvolvimento de marcadores de DNA para Nelore foi identificar animais com precocidade sexual: quanto mais cedo a vaca estiver apta a gerar descendentes, maior será a rentabilidade e menores os custos ao pecuarista”, conta Rodrigo Fávare, gerente de marketing da unidade de negócios Bovinos da Pfizer Saúde Animal. “Além disso, ao identificar o animal com as qualidades desejadas e certificadas, as experiências nos mostram que o produtor chega a faturar até 15% mais nos leilões”, afirma Gallerani.

A nova ferramenta, desenvolvida especificamente para o rebanho brasileiro, permite aos produtores tomarem decisões confiáveis na seleção e no acasalamento de bovinos da raça Nelore. “A tecnologia de marcadores deixou de ser teoria, já é uma realidade que está acessível para o criador que possui de 500 a 50 mil cabeças de gado”, diz Fávare.

OUTRAS PARCERIAS

A Pfizer e o Centro Técnico de Avaliação Genética (CTAG), em parceria com a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) – responsável pela coordenação do programa de melhoramento genético da raça Nelore – Nelore Brasil –, anunciaram, neste ano, novas ferramentas para seleção de bovinos com uso de marcadores de DNA: DEPs (Diferença Esperada na Progênie) Auxiliadas pela Genômica (DEPs-AG) relacionadas a características reprodutivas, de crescimento, habilidade materna e de carcaça.

Com as DEPs-AG, eleva-se a confiabilidade das avaliações dos animais jovens do Nelore Brasil, pois elas permitem que estes bovinos alcancem acurácias próximas às de um touro adulto provado. No programa Nelore Brasil, os touros jovens começam a ser avaliados aos dois anos. “Esta ferramenta permitirá maior precisão, velocidade na seleção e resultados positivos ao produtor”, diz Fávare.

Que a tecnologia tem evoluído em uma velocidade impressionante isso ninguém contesta. “As plataformas de genotipagem, em poucos anos, mudaram de alguma dezena de marcadores para tecnologia de HD (High Definition, com centenas de milhares de marcadores) e até mesmo o sequenciamento completo do DNA. Não poderíamos imaginar que a tecnologia em poucos anos mudasse tanto”, diz Frederico Glaser, executivo de genomics & biotecnology da Neogen do Brasil. Aliás, em maio deste ano, a empresa adquiriu os ativos da tecnologia Igenity da Merial, o que a tornou mais aproxima do criador.

A tecnologia de marcadores deixou de ser teoria, já é uma realidade , afirma Rodrigo Fávare

E, para 2013, a Neogen prepara ferramentas mais práticas e confiáveis com o objetivo de acelerar o progresso genético do rebanho, descobrindo os melhores animais, mais cedo e com maior precisão, economizando espaço, tempo e investimento. “Em 2013 esperamos trazer toda a expertise de uma recente aquisição para o Brasil, a Gene- Seek, e isso envolverá uma ampla gama de produtos e serviços. As perspectivas para o próximo ano são promissoras, pois estas tecnologias mais atuais são potentes e específicas para certas raças, a exemplo do Nelore, e estarão disponíveis para todos os grupos de pesquisas, associações, iniciativa privada e também para os criadores, a um custo que há dois anos seria proibitivo, e, já em 2013, se tornará muito mais acessível e com poder de explicação muito mais amplo”, diz Glaser.

Com as novas aquisições, a Neogen busca integrar soluções, tanto para grupos que necessitam do serviço de genotipagem por SNPs em plataformas de alta densidade, até mesmo customização de análises, bioinformática e auxílio no uso da tecnologia pelos criadores.

De fato, o conhecimento desse mapa sequenciado, além de todas as características favoráveis, também é uma ferramenta poderosa para aumentar a produtividade e baratear o custo de programas de seleção genética. No melhoramento genético clássico, as informações de cada animal são geradas a partir da observação fenotípica e do resultado da produção de seus filhos. Os dados levam algum tempo para a conclusão e existem gastos. Hoje, logo que o bezerro nasce é feito o mapeamento do animal e sabemos se ele é tem as características desejadas. Dessa forma, se encurta o espaço de tempo e o custo operacional da fazenda.

Neste foco, a pecuária brasileira caminha para um patamar tecnológico, oferecendo melhoraria na eficiência da pecuária, reduzindo a necessidade de se ocupar novas áreas para produzir carne e leite, e a geração de conhecimentos sobre diversidade genética, um primeiro passo para preservação do meio ambiente e, porque não, a de muitas raças. Neste sentido, a tecnologia é sim muito importante, mas o olho do dono ainda é fundamental.