Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Bezerro

 

2012, ano para ser IGNORADO

Rogério Goulart*

Sob o ponto de vista do criador, os resultados financeiros do bezerro estão distantes do que se obteve em 2011. Como pode ser visto na figura 1, o melhor momento do atual ciclo pecuário foi mesmo o ano de 2008, com machos e fêmeas retornando 180 e 120 reais por cabeça, respectivamente. Mas vale ressaltar que, após aquele ano, 2011 foi o melhor do passado recente.

A pecuária é uma atividade em que os elos se comunicam. Isso quer dizer que o que impacta na cria afeta também a recria e a engorda. Como 2012 está sendo um ano para ser ignorado na cria, sob o ponto de vista do retorno econômico, também não está sendo um ano dos melhores para a engorda do bezerro.

O fazendeiro que criou o bezerro até o ciclo completo não teve um ano dos melhores, como se pode ver a seguir (figura 2).

A pecuária é uma atividade na qual os elos andam literalmente unidos. Quem faz o ciclo completo obteve melhores resultados em 2008 e 2011. Qual a razão para um mercado tão frouxo? O exercício é identificar fatores que puxaram o mercado para baixo e, ao mesmo tempo, aprendermos como evitar uma situação como essa no futuro.

CUSTOS DE PRODUÇÃO

O que mais salta aos olhos é a deterioração da margem de operação quando inserimos os custos de produção na conta geral da pecuária de corte. Os custos de engorda são usados como referência de custos da pecuária e servem como base de análise para os gastos da cria. Lembre- se, a cria utiliza muitos dos mesmos insumos da engorda, como sal mineral, funcionários, maquinário e benfeitorias, impostos, entre outros.

Quando os custos ficam próximos dos preços de venda, a lucratividade da operação de um animal está muito baixa. O atual momento de 2012 é o quarto momento explícito em que passamos por um aperto de margem desde o início do plano real. Isso é importante, pois, na mesma situação das três vezes anteriores, a arroba do boi tendeu a subir logo depois. Veremos se o mesmo voltará a acontecer.

ABATE DE ANIMAIS

Tivemos um menor número de machos abatidos durante o ano e uma quantidade superior de fêmeas.

A carne de fêmea concorre com a carne dos machos e os frigoríficos dão preferência à fêmea no abastecimento do mercado interno. Os preços de arroba dos machos tendem a ficar pressionados, sem muita chance de alta. Além disso, uma menor quantidade de animais, de um modo geral, somando os dois sexos, geram maiores preços de carne na gôndola do supermercado.

Essa menor disponibilidade de animais deveria ser benéfica para o produtor de bezerros e para o invernista. De fato, os preços do bezerro e do boi gordo não estão tão abaixo do que estavam em 2011 ou 2010, anos de preços bons, porém, com uma carne cara para o consumidor final ficou difícil repassar alta para o produtor, o que desencadeou margens achatadas mesmo nas entressafras.

FRANGO

Da mesma forma que a quantidade insuficiente de animais não ajuda a reanimar os preços da pecuária, bezerros inclusive, o frango em 2012 se comportou de forma bastante competitiva em relação à arroba do boi.

O boi e o frango se alternam em movimentos de alta e baixa. Porém, quando os preços dos dois estão próximos, a ave torna-se mais interessante ao consumidor. E isso tem ocorrido de forma contínua em 2012.

CARNE CARA

A saturação do mercado pode ser medida por meio dos gastos financeiros que a dona de casa realiza para consumir as carnes. O ano de 2012 atingiu o pico desse movimento, com as carnes comprometendo algo ao redor de 34% do orçamento, entre março e junho. Apesar de na reta final do ano a pressão ter perdido um pouco de força, o estrago já está feito.

O QUE ESPERAR?

O mercado interno é o grande consumidor da carne bovina brasileira, entretanto, o mesmo enfrenta um pouco de “indigestão” por causa dos altos preços cobrados no varejo. A atividade sentiu o baque. O pecuarista (criador e invernista) não consegue repassar para o consumidor os altos custos de produção. Por este motivo, o ano de 2012 termina ruim. Espera-se a menor rentabilidade do ciclo pecuário iniciado em 2006.

A história já lidou com momentos de margens baixas antes. Momentos assim são janelas de oportunidade para se pensar em aumentar os investimentos na propriedade. A cria nesse contexto tende a ser beneficiada. Como a demanda por carne no Brasil tende a aumentar (é um dos países que mais está crescendo em renda no mundo), a perspectiva para essa nova oferta de bezerros tende a ser firme.

*Rogério é editor da Carta Pecuária – www.cartapecuaria.com.br