A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Produtor de Trigo

O trigo tratado com DIGNIDADE

A C.Vale investe pesado na agroindustrialização, o que proporciona renda ao associado e agrega valor aos produtos

A Granja do Ano — Em relação ao trigo, qual é o planejamento do associado triticultor da C.Vale quanto à safra 2015? Ele planeja ampliar a área? E qual a expectativa dele quanto à rentabilidade do cereal?

Alfredo Lang — O trigo passou por muitas dificuldades no Paraná. O excesso de chuvas, em julho, provocou o surgimento de doenças. Mesmo assim, as lavouras mais precoces vão apresentar produtividade razoável. As áreas mais tardias podem ser afetadas pelas chuvas que devem vir com o El Niño. A rentabilidade não vai ser das melhores já que não há perspectivas de o preço melhorar. É a velha questão da concorrência com o trigo estrangeiro. Enquanto não tivermos medidas que limitem a entrada do trigo importado durante o período em que o produto nacional estiver sendo comercializado, esse problema vai persistir.

E quanto às demais culturas e também à pecuária, quais são as expectativas dos associados da C.Vale para o ano agrícola 2005/16?

Nossos produtores conseguiram boas produtividades com a soja no início do ano. O milho de inverno, que a gente chama de milho safrinha, foi ainda melhor, apesar do excesso de chuvas na primeira quinzena de julho. Vai ser a maior safra da história da cooperativa. Todos nós esperávamos preços mais baixos, mas o câmbio puxou para cima exatamente quando a nova safra chegou ao mercado. Isso traz dois efeitos positivos: estimula as exportações e alivia o excesso de oferta no mercado interno. Claro que o dólar mais alto também encarece fertilizantes e defensivos, mas mesmo assim acaba sendo vantajoso para o produtor. Ele consegue se capitalizar e as exportações, tanto de milho quanto de soja, ajudam a melhorar o desempenho da balança comercial brasileira num momento em que a economia patina.

Alfredo Lang é presidente da C. Vale

Os custos de produção têm sido o grande vilão da safra 2015/16. Quais são as orientações da C.Vale para o seu associado para produzir bem gastando menos?

O dólar mais alto encareceu os insumos, mas esses custos estão sendo minimizados pela valorização dos grãos. Claro que a gente tem que buscar a maior eficiência sempre, então nossa orientação aos produtores é para manter um bom nível tecnológico. No caso da próxima safra de verão, a gente está pedindo que mantenham os investimentos porque com o El Niño, o risco de perdas é menor, as chuvas são mais constantes. A perspectiva de se conseguir bons resultados aumenta no Sul em anos de El Niño. Nós temos uma meta que é chegar a produzir 100 sacas de soja por hectare. Para isso, temos várias ferramentas e uma delas é a agricultura de precisão. O produtor aplica o volume exato de fertilizantes em cada talhão da lavoura, nem mais, nem menos, evita desperdícios e produz mais.

Quais as mais recentes conquistas da C.Vale e as perspectivas para este anoagrícola?

Estamos investindo pesadamente na agroindustrialização. Cria renda ao associado e agrega valor aos produtos da cooperativa, proporcionando maior estabilidade à nossa receita. É uma estratégia que estamos implementando desde 1995 e que vem nos tornando mais competitivos, além de gerar muitos empregos. Agora estamos abatendo 420 mil frangos/dia e queremos chegar a 450 mil/dia até o final de 2015. Vamos abrir outra frente de investimento com a construção de um frigorífico para peixes em Palotina. Será um projeto modular: na primeira etapa terá capacidade para processar 50 toneladas de tilápia por dia e gerar 250 empregos. Na fase final, a capacidade será de 300 toneladas/dia.