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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Frango

 

Voos ainda mais altos

A produção de carne de frango deverá crescer em 2015, assim como sua exportação – inclusive com novos mercados. Até a crise econômica colabora, visto que o frango substitui a carne bovina, mais cara na gôndola

Jorge Correa

A pesar da crise mundial e com reflexos no Brasil, os setoresprodutor e exportador de carne de frango apresentam boas expectativas de desempenho nos mercados interno e externo no segundo semestre. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção de carne de frango no País tende a crescer entre 2% e 3%, com saldo no final do ano esperado em torno de 13 milhões de toneladas, número equivalente ao da China, segundo maior produtor mundial. O consumo per capita do segmento apresentará crescimento proporcional, atingindo cerca de 45 quilos por brasileiro/ano. Na avaliação do presidente executivo da entidade, Francisco Turra, o setor também é favorecido pela lacuna aberta com as elevações dos preços da carne bovina para o consumidor brasileiro.

Em relação às exportações, a ABPA espera um crescimento de até 5%. Um dos fatores para essa projeção é a forte elevação dos níveis dos embarques para a China, que saltou de uma média mensal de 17 mil toneladas no primeiro semestre de 2014 para mais de 24 mil toneladas nos seis primeiros meses deste ano. Outros importantes importadores, como Arábia Saudita (o maior deles), Emirados Árabes Unidos, África do Sul e Rússia, deverão favorecer essa elevação. Nesse ritmo, Turra baseia-se nos primeiros levantamentos da ABPA sobre o desempenho de julho para explicar que há expectativa que as exportações de carne de frango superem a barreira das 400 mil toneladas embarcadas em um único mês do recorde histórico registrado em junho deste ano.

Em novos mercados, a novidade é Mianmar, que abriu suas exportações para o frango brasileiro. “A informação foi repassada pelo governo do país asiático, cuja população é de 50 milhões de habitantes. Assim, os exportadores de carne de frango do Brasil passaram a contar, em 2015, com três novos mercados, considerando a consolidação do Paquistão e da Malásia e totalizando, hoje, 158 mercados abertos”, informa o dirigente.

Na avaliação do consultor Fernando Iglesias, de Safras & Mercado, o segmento atravessa um momento de reajustes de preço. Entretanto, avalia que nos primeiros meses do ano havia maiores dificuldades para encontrar um ponto de sustentação para o mercado. “A avicultura de corte brasileira segue dependente das exportações. Então é natural que os preços reajam justamente quando há maior volume de embarques” explica, salientando que nos próximos meses a prerrogativa é a mesma.

O mercado brasileiro seguirá dependente das exportações para compor os preços internos de maneira adequada. “A produção também deve avançar, o que aumenta essa dependência”, destaca. Tem outro fator citado pelo especialista: o real amplamente desvalorizado segue como interessante motivador às exportações, tornando o produto nacional mais competitivo no mercado internacional. Ao menos no restante do ano é aguardado bom desempenho das exportações.

Mesmo entendendo que a produção nacional é dependente das exportações, Iglesias avalia que o mercado tende a ocupar um papel ainda mais importante junto ao brasileiro médio. “Em um ano de economia recessiva, há uma tendência por alterações do padrão de consumo. O brasileiro médio tende a buscar alternativas mais acessíveis nesse momento de cerceamento da renda”, diz, garantindo que a carne de frango tende a ganhar ainda mais espaço na mesa do brasileiro médio.

Portanto, a demanda interna não será um problema para a avicultura de corte.

Líder nas gôndolas — Para o pesquisador Jonas Irineu dos Santos Filho, da área de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves, desde 2007, o frango é a carne mais consumida no Brasil. Nos últimos anos, o alto preço da carne bovina favoreceu o consumo de frango. “Em 2015, os dados sinalizam na mesma direção e os estudos de previsão efetuados pelo Ministério da Agricultura para os próximos dez anos se confirmam. Além disso, a existência de uma camada da população ainda fora do mercado e a mudança para o consumo de produtos mais elaborados mostra que existe espaço para o aumento do consumo per capita de carnes no Brasil”, aponta o pesquisador.

No entanto, isso não significa que o produtor ganhará muito dinheiro. Para Santos Filho, a produção de frango no Brasil é uma das mais eficientes do mundo. E, ainda assim existe espaço para melhorias. Mas ele destaca que o elevado Custo Brasil é um grande entrave e absorve o ganho de eficiência que o setor vem obtendo ao longo dos anos. “O pior é que o elevado custo da infraestrutura ganhou um novo aliado: o custo da energia elétrica, visto seu uso intenso nos aviários. A elevação do custo da eletricidade neste ano é mais que um acidente da natureza”, salienta.

E explica: ele decorre do erro de estarmos construindo hidroelétricas sem o represamento necessário de água (hidrelétrica construída a fio d’água). Por essa estratégia, o Brasil aumentou e continuará aumentando o seu custo de energia no longo prazo.