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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Suínos

 

Rumo aos portos

A Rússia, principal mercado externo de carne suína do Brasil, deverá aumentar as compras. E há boas expectativas para a abertura do mercado da Coreia do Sul, retomada para África do Sul e aumento das vendas para o Japão

Jorge Correa

Também a suinocultura sentiráos reflexos do melhorcomportamento do mercado externo. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção deverá alcançar patamares ligeiramente maiores aos de 2014, superando 3,5 milhões de toneladas. “O consumo per capita poderá chegar a 15 quilos no total do ano, com níveis de elevação um pouco acima do crescimento vegetativo da população brasileira”, revela o presidente-executivo da entidade, Francisco Turra.

Nas exportações, a Rússia seguirá como principal mercado. Um dado confirma essa tendência: entre janeiro e junho, aquele país foi responsável por 43,2% do total embarcado. Com a retomada do crescimento nos embarques aos principais mercados – ocorrida a partir de maio de 2015 – as previsões da ABPA indicam que haverá recuperação das perdas registradas no acumulado do ano, inclusive com possibilidade de crescimento de até 3%. Os países da União Aduaneira – em especial a Rússia – são os alicerces dessa conclusão. Na comparação com o saldo exportado no mesmo período de 2014, os embarques para o mercado russo cresceram 15,5% no primeiro semestre de 2015. Na contramão, entretanto, estão Hong Kong, com queda de 4,4%, Singapura, com retração de 19,4%, e Angola, com redução de 40%.

O setor ainda mantém perspectivas positivas com relação ao aumento dos embarques para a Rússia – sinalizado durante um encontro em julho entre representantes brasileiros e russos. Também há expectativa quanto à efetivação da abertura do mercado da Coreia do Sul – já em fase final de avaliação para a autorização –, além do incremento das exportações para o Japão e a retomada do comércio com a África do Sul. “Em meio ao complexo cenário econômico atual, a suinocultura do Brasil tem mantido sua competitividade, registrando crescimento e recordes. Isso, em parte, ocorre graças às desonerações concedidas ao setor em 2013”, revela Turra, salientando que a ABPA tem trabalhado para manter a capacidade competitiva das agroindústrias.

Expectativas para o semestre — Para o consultor de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o setor de suínos vem enfrentando um momento fraco. Aponta que, desde o início do ano verifica-se queda nas cotações devido ao excedente de oferta no mercado interno brasileiro. “As exportações de carne suína apresentam queda desde janeiro. Como a produção aumentou, acabou elevando a disponibilidade interna do produto, levando a pressões nas cotações. No entanto, diz que a procura por carne suína no mercado interno deve aumentar no segundo semestre. “A tendência é de recuperação nos preços até o final de 2015, pois esperamos que a oferta excedente continue diminuindo ao longo do ano”, pondera.

O custo dos principais insumos usados na alimentação suína está muito acima do registrado em 2014, o que vem reduzindo a margem de lucro dos produtores

Iglesias argumenta que com a entrada do segundo semestre, é esperado aumento das exportações e também incremento do consumo doméstico, o que vai gerar uma disponibilidade interna menor, levando ao aumento das cotações até o final do ano. Atualmente, segundo ele, o custo dos principais insumos usados na alimentação suína está muito acima do que foi registrado em 2014, o que vem reduzindo a margem de lucro dos produtores. Em consequência, provoca a redução na produção. “Para compensar, a recorrente desvalorização cambial vem estimulando as exportações de carne suína, tornando o nosso produto mais atrativo ao resto do mundo”, explica.