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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestas

 

Dobrar de tamanho

O segmento florestal no Brasil não vê limites para seguir crescendo, até porque a produtividade brasileira é inigualável. Hoje são 7 milhões de hectares de florestas plantadas e a meta é chegar a 14 milhões. O segmento exporta US$ 8,4 bilhões/ano

Jorge Correa

O setor de árvores plantadasalcançou em 2014 receitabruta de R$ 60,6 bilhões, montante que representa 5,5% do PIB industrial brasileiro. As exportações totalizaram US$ 8,4 bilhões, o que equivale a 3,8% de tudo o que foi embarcado pelo País. Além disso, o setor é responsável por 4,2 milhões de empregos e foi responsável pela geração de R$ 10,2 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais em 2014, o que corresponde a 0,8% da arrecadação. “Nossas empresas estão realizando até 2020 grandes investimentos para novos plantios, modernização e construção de novas unidades. Estamos acreditando”, assegura a presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes.

A expectativa do setor é ousada. Segundo a dirigente, a intenção é duplicar da base florestal dos atuais 7 milhões de hectares para 14 milhões de hectares. Na avaliação de Elisabeth, a produtividade das florestas plantadas brasileiras, em comparação a seus principais concorrentes, é um importante diferencial competitivo nacional. E em muitos países com índices de produtividade inferiores também não há terras disponíveis para novos plantios. Um exemplo: enquanto o ciclo de plantio e colheita no Brasil está entre seis e sete anos, no Chile é de cerca de 20 anos. Além da rapidez do plantio à colheita, as árvores brasileiras possuem melhor produtividade.

Em 2014, a produtividade média das plantações de eucalipto, por exemplo, ficaram em 39 metros cúbicos por hectare por ano, e a de pinus, em 31 metros cúbicos. Na China, esses valores são de 23 metros cúbicos para eucalipto e 18 metros cúbicos para pinus. No Chile, cai para 20 metros cúbicos/hectare/ano e 18, respectivamente.

O Brasil é o quarto produtor mundial de celulose de todos os tipos e o primeiro de celulose de eucalipto. De acordo com a dirigente, são otimistas as perspectivas para o setor, baseadas em estudos sobre o aumento de consumo de papel e maior dinamismo econômico de mercados emergentes como China, Índia, Rússia e países do Leste Europeu e da América Latina.

Há, segundo Elisabeth, maior consciência sobre a inclusão social nos países emergentes, e isso influencia diretamente no aumento de consumo de produtos como papel sanitário. A demanda de celulose da China, por exemplo, só tem crescido, assim como os Estados Unidos mostram recuperação de sua economia após a crise de 2008, enquanto a Europa começa a dar sinais de melhora. “Um câmbio mais favorável para exportações beneficia a indústria brasileira de celulose. Nesse contexto, o Brasil, pela qualidade das fibras de eucalipto e pinus e seus atributos de sustentabilidade, será um player global cada vez mais importante”, ressalta a presidente-executiva da Ibá.

Além de florestas plantadas próprias, as empresas de celulose, papel, painéis de madeira e pisos laminados desenvolvem importantes programas de parcerias florestais (ou de fomento florestal), que beneficiam milhares de pequenos proprietários. Do total de 7,74 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil, 34% pertencem a empresas de papel e celulose, enquanto os fomentados possuem 26,8%. A iniciativa envolve a grande maioria das empresas de base florestal, que transferem tecnologia, garantem a compra da madeira desses produtores e incentivam o desenvolvimento de outras atividades agrícolas rentáveis associadas ao plantio florestal.

Décadas de investimento em pesquisa e melhoramento genético levaram ao aumento da produtividade das florestas plantadas de eucaliptos e pinus – as duas espécies mais utilizadas pela indústria para a produção de celulose. Como principal resultado desse investimento, as florestas plantadas produzem cada vez mais madeira na mesma área cultivada, tornando o Brasil líder do ranking mundial de produtividade florestal. Como exemplo, a dirigente cita que a área florestal necessária para a produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano é de 140 mil hectares, enquanto na Escandinávia são necessários 720 mil hectares.

O Brasil possui um dos maiores remanescentes de florestas nativas do mundo. Os habitats naturais ocupam 66,1% do território brasileiro e a indústria de celulose e papel contribui para a preservação, recuperação e estudo da biodiversidade desse patrimônio natural. As empresas associadas à Ibá, por exemplo, contribuem com a proteção de 2,3 milhões de hectares. “Manter a biodiversidade dentro de padrões sustentáveis é uma garantia para a natureza continuar oferecendo serviços ambientais essenciais à vida e ao sustento do ser humano, como água, solo e clima equilibrado”, sugere Elizabeth.

A ILPF é uma alternativa viável de produção de madeira e funciona também para a recuperação de áreas de solos degradados

Aumento mundial — Segundo os pesquisadores Luiz Carlos Balbino, da Embrapa Cerrado, e Vanderley Porfírio da Silva, da Embrapa Sede, estimativas indicam que até 2030 o consumo mundial de madeira em toras aumentará aproximadamente 45% em relação ao consumo de 2005 e atingirá cerca de 2,4 bilhões de metros cúbicos. Eles usam dados da FAO de 2009. Segundo os estudos, a pergunta fundamental não é se haverá madeira no futuro, mas sim de onde virá, quem a produzirá e como será produzida.

O mercado interno brasileiro consome 13,5 milhões de metros cúbicos de madeira serrada oriunda de floresta natural e 65 milhões originados em florestas plantadas. A estimativa da demanda de madeira no mercado interno poderá atingir 300 milhões de metros cúbicos, o que significará plantar de duas a 2,5 vezes mais do que é plantado atualmente. A área de florestas plantadas para finalidade comercial é de 1,33% da cobertura florestal total, ou seja, 6,97 milhões de hectares (0,82% do território brasileiro).

Em uma visão de futuro, indicam os pesquisadores, a demanda crescente por alimentos, bioenergia e produtos florestais, em contraposição à necessidade de redução de desmatamento e mitigação da emissão de gases de efeito estufa, exige soluções que permitam incentivar o desenvolvimento socioeconômico sem comprometer a sustentabilidade dos recursos naturais. A intensificação do uso da terra em áreas agrícolas e o aumento da eficiência dos sistemas de produção podem contribuir para harmonizar esses interesses.

ILPF — Diante desse cenário, o sistema de Integração LavouraPecuária-Floresta (ILPF) torna-se uma alternativa viável de produção para recuperação de áreas alteradas ou degradadas. A integração de árvores com pastagens e ou com lavouras é conceituada como o sistema que integra os componentes lavoura, pecuária e floresta, em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. Possibilita que o solo seja explorado economicamente durante todo o ano, favorecendo o aumento na oferta de grãos, de carne e de leite a um custo mais baixo, devido ao sinergismo que se cria entre lavoura e pastagem.

A ILPF tem como grande objetivo a mudança do sistema de uso da terra, fundamentandose na integração dos componentes do sistema produtivo, visando atingir patamares cada vez mais elevados de qualidade do produto, qualidade ambiental e competitividade. A ILPF apresenta-se como uma estratégia para maximizar efeitos desejáveis no ambiente, aliando o aumento da produtividade com a conservação de recursos naturais no processo de intensificação de uso das áreas já desmatadas no Brasil.

Dessa forma, podem-se classificar quatro modalidades de sistemas distintos:

  • Integração Lavoura-Pecuária ou Agropastoril: sistema de produção que integra o componente agrícola e pecuário em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área e em um mesmo ano agrícola ou por múltiplos anos;

  • Integração Pecuária-Floresta ou Silvipastoril: sistema de produção que integra o componente pecuário e florestal, em consórcio;

  • Integração Lavoura-Floresta ou Silviagrícola: sistema de produção que integra o componente florestal e agrícola, pela consorciação de espécies arbóreas com cultivos agrícolas (anuais ou perenes);

  • Integração Lavoura-PecuáriaFloresta ou Agrossilvipastoril: sistema de produção que integra os componentes agrícola, pecuário e florestal em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. O componente lavoura restringe-se ou não à fase inicial de implantação do componente florestal.

A indústria de celulose e papel contribui para a preservação, recuperação e estudo da biodiversidade ao proteger 2,3 milhões de hectares

A ILPF, pelo estudo dos pesquisadores, busca integrar sistemas de produção de alimentos, fibras, energia e produtos madeireiros e não madeireiros, realizados na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação, para otimizar os ciclos biológicos de plantas e animais, insumos e seus respectivos resíduos. Visa, ainda, a manutenção e reconstituição da cobertura florestal, recuperação de áreas degradadas, adoção de boas práticas agropecuárias (BPA) e aumentar a eficiência com o uso de máquinas, equipamentos e mão de obra, possibilitando, assim, gerar emprego e renda, melhorar as condições sociais no meio rural e reduzir impactos ao meio ambiente.

Além desses pontos, outros atributos oriundos da sua implantação dizem respeito à contribuição para a adequação ambiental das propriedades, à manutenção e/ou recuperação das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e a introdução de tecnologias para diminuir impactos ambientais.