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Trigo

 

Vai crescer

A projeção é de 7,24 milhões de toneladas na safra brasileira de trigo 2015/16, crescimento de 14%, em uma área 9% inferior. A produtividade deverá ser 25% superior em função das quebras no ciclo anterior em razão do clima. Já a área inferior se justifica pela cotação nada animadora ao produtor na safra anterior

Gabriel Nascimento
gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado do trigo iniciou oano em ritmo lentoaguardando a volta da indústria das férias coletivas, que retomariam os negócios apenas no final de janeiro, quando a expectativa era de aquecimento. Segundo o analista da Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, as cotações apresentavam tendência de alta desde o final de dezembro, acompanhando o mercado externo e a acentuada desvalorização do real em relação ao dólar. Já no início de janeiro, o mercado concretizou a tendência altista, suportado pela valorização da moeda norte-americana e pelo período de entressafra.

No começo de 2015, o mercado mostrava-se voltado para as exportações, com negócios saindo no porto de Rio Grande/RS a R$ 510 a tonelada para trigo feed e R$ 540 para trigo pH 76. Esse cenário propiciou vendas externas acima da média para o período, escoando grande parte da produção gaúcha de baixa qualidade para países da Ásia e da África. O mercado interno operava em alta com as cotações entre R$ 540 e R$ 570, 15% acima em relação à primeira semana do ano. No Paraná, as cotações ficam entre R$ 560 e R$ 610 a tonelada, alta de mais de 3%.

Com o escoamento de praticamente todo o trigo gaúcho auxiliado pelos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), no final de janeiro, o mercado iniciou o segundo mês do ano com pouco produto disponível para a comercialização, principalmente no Rio Grande do Sul. “Essa escassez potencializou ainda mais o fator altista no mercado interno, que já estava ocorrendo com as paridades de importação elevadas pela valorização do dólar, entretanto, a demanda era pequena”, avalia Pinheiro. Já pelo lado da indústria, havia a necessidade de volta às compras, pois os estoques de final de ano estavam acabando, porém, os produtores seguiam insatisfeitos com os preços e preferiam aguardar por cotações superiores.

Ao longo de fevereiro, compradores encontraram dificuldades logísticas no embarque do trigo em meio à colheita da soja. “Houve uma semana de maior volume no decorrer do mês especialmente pela necessidade de compra da indústria, acompanhada da necessidade de venda dos produtores, que necessitavam de espaço nos armazéns para a oleaginosa, ofertando a preços mais baixos, favorecendo a compra dos moinhos”, descreve o analista. Os produtores deixaram o trigo em segundo plano, voltando às atenções para a colheita da soja, até que a colheita da safra de verão terminou.

Em março, a indústria voltou às compras antecipando a alta das cotações – acompanhando o dólar. Entretanto, a greve dos caminhoneiros preocupava devido à possível perda de qualidade do cereal durante o transporte. Assim, os negócios realizados apresentavam prazo de entrega apenas para segunda semana de abril. Houve períodos em que os moinhos reduziram a moagem devido ao atraso dos caminhões em fornecer o produto. O mês terminou com as cotações descoladas do mercado internacional devido à forte valorização do dólar.

A estimativa de Safras é que a produção brasileira em 2015/16 seja de 7,24 milhões de toneladas, aumento de 14% sobre o total colhido no ano passado, de 6,345 milhões de toneladas

A diferença entre os preços internos e internacionais impulsionou as cotações no começo de abril. A alta do dólar foi um problema, pois elevou os custos dos insumos para a produção e reduziu o ganho real do produtor. “O estado do Paraná já apresentava altas consideráveis, entretanto, ainda havia espaço para novos aumentos. No Rio Grande do Sul, a situação era um pouco diferente, visto que o estado tinha pouco trigo disponível para a comercialização, e os moinhos seguiam bem estocados. O lado da oferta, que possuía trigo de boa qualidade da safra velha, não apresentava interesse em negociar nos patamares de preços da época”.

O mês de maio iniciou com um período de reajustes, com o mercado aguardando maior estabilidade nas oscilações cambiais para voltar a negociar. A baixa liquidez do mercado iniciou uma tendência de baixa nos preços, que foi potencializada pelo trigo paraguaio que estava abaixo das cotações internas, pressionando o mercado, apesar do baixo volume importado. Ao longo do quinto mês do ano, o mercado seguiu aguardando pela estabilidade do câmbio, para a formação dos preços, e a indústria apresentou estoques para 60 dias. O mês encerrou com forte valorização do dólar, favorecendo a formação de preços no mercado interno, aumentando a competitividade do trigo brasileiro no âmbito internacional. No início de junho, o mercado ficou estável, não apresentando expectativa de fortes oscilações nos preços, pois a indústria seguia retraída e bem estocada nas principais regiões produtoras. Além disso, a proximidade da safra seguinte e a pressão baixista ocasionada pela entrada do produto no mercado mantiveram os moinhos retraídos. “O lado comprador aguardava preços mais atrativos para voltar a negociar, porém, o cenário altista era minimizado pela baixa liquidez do mercado que se mantinha assim devido ao pouco volume disponível para negociar”, analisa Pinheiro.

O produto brasileiro ganhou ainda mais competitividade no âmbito internacional ao longo do mês, com a valorização dólar, que seguiu acima dos R$ 3,10. Entretanto o mercado não respondeu ao estímulo, visto que a baixa liquidez continuou minimizando a tendência. “No final do mês, os moinhos começaram a apresentar dificuldade na comercialização da farinha, reduzindo seu ritmo de moagem, o que alongou ainda mais os estoques.

Após a elevação dos preços registrada no começo do ano, movida por fatores externos – como o preço nas bolsas americanas e o dólar –, a quebra na safra gaúcha e a baixa qualidade do grão comercializado reduziram drasticamente o volume de trigo disponível no Brasil. Resultado dos últimos meses de oscilação, o mercado interno chegou a registrar baixa nas cotações e atualmente permanece estável – mas com preços menores em relação ao início de 2015. “Agora a indústria tem a possibilidade de esperar a entrada da próxima safra para voltar a negociar, atenta à pressão baixista do período”, analisa.

A produção brasileira de trigo em 2015/16 deverá totalizar 7,24 milhões de toneladas, com aumento de 14% sobre o total colhido no ano passado, de 6,345 milhões de toneladas. A estimativa foi realizada pela Safras & Mercado. A análise aponta crescimento de 25% na produtividade, que passaria de 2.374 quilos para 2.965 quilos por hectare. A área plantada deverá recuar 9%, de 2,673 milhões para 2,442 milhões de hectares. Importante lembrar que a safra passada foi prejudicada por problemas climáticos. A principal justificativa para a redução da área em todas as regiões são os baixos preços praticados na temporada atual, resultando no menor interesse dos produtores pela cultura nesta próxima safra.

Mercado internacional — Em julho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou seu mais recente relatório com projeções para as safras de trigo dos Estados Unidos e do mundo.

Segundo o Usda, a safra mundial em 2014/15 será de 725,92 milhões de toneladas, número que deverá cair para 721,96 milhões em 2015/16

O documento costuma ter impacto sobre os preços nos principais mercados do grão, principalmente sobre a Bolsa de Chicago. Para a safra mundial em 2014/15, a produção será de 725,92 milhões de toneladas, número que deverá cair para 721,96 milhões em 2015/16. Em junho, o departamento havia indicado a safra mundial em 721,55 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais em 2014/15 ficaram em 212,06 milhões de toneladas, volume projetado em 219,8 milhões para 2015/16. O consumo global na safra passada foi estimado em 707, 38 milhões de toneladas.

No Canadá, a projeção da safra 2015/16 é de 27,5 milhões de toneladas. A projeção da safra australiana é de 26 milhões de toneladas. Na União Europeia, a safra 2015/16 está projetada em 147,88 milhões de toneladas, abaixo das 150,68 milhões de toneladas estimadas no mês passado. A China tem projeção de 130 milhões de toneladas. Os estoques finais daquele país estão estimados em 88,79 milhões de toneladas. Os Estados Unidos deverão colher 58,46 milhões de toneladas em 2015/16, e exportar 25,86 milhões.