A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Cooperativismo

 

A ESSÊNCIA do cooperativismo

A Coamo Agroindustrial Cooperativa, de Campo Mourão/PR, se encaminha para superar o faturamento de R$ 10 bilhões

A Granja do Ano — Na sua avaliação como foi a produção, produtividade e rentabilidade do associado na safra recente? E quais as suas perspectivas para a safra 2015/ 16?
Aroldo Galassini —
Agora estamos colhendo o milho safrinha, que foi prejudicado em termos de qualidade pela seca, mas é uma cultura de inverno, de risco, como é o trigo. No caso do milho, não se espera que tenha produtividades normais. A produtividade da safrinha é praticamente a metade do milho verão. Mas a produção foi bastante grande. O percentual de milho bom é ao redor de 72,5% da quantidade, 22 milhões de sacas de um total de 30 milhões. O milho ‘ardido’ é para bovinos em confinamento, e o restante para o mercado interno e exportação. O trigo está indo bem. Foi prejudicado um pouco no começo pelo excesso de chuva e agora pode ser prejudicado pela seca. Parou de chover e está muito quente, o que facilita o desenvolvimento de algumas doenças a mais. Mas os produtores ainda estão com uma perspectiva de uma grande safra, de 10 milhões de sacas. A perspectiva ainda está boa. O mercado naturalmente não está adequado, tanto pro milho como para o trigo. Hoje o melhor mercado para o milho é a exportação. Já o trigo é o mercado interno, ainda que tenha um restante da safra passada, mas muito pouco volume. A última safra de verão de soja foi grande, uma boa produção, os maiores volumes que já recebemos, de boa qualidade e está sendo exportada. O cooperado já vendeu aí... acho que falta uns 30% da safra passada. E ele está vendendo grandes volumes da safra que vem. Ao redor de 16 milhões de sacas. Então, é um bom momento. Os preços estão bons, apesar de alguns probleminhas que ocorreram agora com a divulgação da estimativa da safra americana. Em função do dólar alto, tivemos um aumento de preços, e na bolsa subiu um pouquinho, apesar da boa safra americana – mas estamos na entressafra brasileira e americana. E o cooperado vai plantar pouco milho na próxima safra de verão. Tem regiões do Paraná e Santa Catarina que a redução é de 50% a 80%. Na região do Paraná, até Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Goiás e Bahia, onde tem milho safrinha, a dedicação dos produtores é pelo milho de segunda safra.

Os custos de produção têm sido recordes. Quais são as orientações da Coamo ao associado para ele economizar ao fazer a lavoura sem, porém, comprometer a produtividade?
Apesar dos custos terem subido cerca de 20% em relação à safra anterior, mas com o aumento das produtividades as culturas ainda são viáveis. Isso deixou o produtor decidir sobre as tecnologias. Então, não se fez nenhum trabalho para se reduzir as tecnologias. Isso é uma decisão difícil para alguém tomar, pois está ligado a preços. Como os preços foram e estão sendo bons, alguns produtores até podem diminuir um pouco o uso de adubos, herbicidas. Mas eu não vejo aí nenhum movimento para reduzir tecnologias. Porque inviabiliza o plantio, tanto do milho como da soja. O produtor tem um custo de 20% a mais, mas se ele tiver um ano bom de safra, este percentual é superado. Não vejo trabalho de ninguém para reduzir tecnologia. E isso seria um risco grande.

Quais são os investimentos previstos pela cooperativa?
Temos um ano bom. Apesar da crise, vamos ter um bom resultado, um bom faturamento, um crescimento razoável. Um ano muito bom pelo que estou enxergando. Nossos investimentos são em armazenagem em modernização, para a rapidez na descarga. O produtor não espera mais em fila. Tem as melhorias nos secadores, correias... tudo o que for para melhorar, para agilizar o recebimento. E ainda estamos fazendo um projeto em que está quase pronta a viabilidade econômica, para aprovar em assembléia, que é uma grande indústria de esmagamento de soja no Mato Grosso do Sul. A aprovação do investimento deve acontecer este ano.

Aroldo Galassini é diretor presidente da Coamo