A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Produtor de Arroz

 

EXCELÊNCIA no cultivo de arroz

A redução de custo é uma das metas da Passo do Angico, de Alegrete/RS, que vai cultivar 600 hectares na safra 2015/2016

A Granja do Ano — Quais são objetivos do senhor para o arroz na safra 2015/16? Planeja ampliar a área, busca aumentar a produtividade?
Henrique Osório Dornelles —
O objetivo principal da Parceria Passo do Angico para o próximo ano é trabalhar para reduzir custos. Estamos revendo alguns hábitos e procedimentos e até mesmo que cultivar plantar. Nossas áreas são consolidadas com custos compatíveis, o que nos garante certa segurança, ou seja, decidimos manter a área do ano passado. Pretendíamos seguir investindo em soja irrigada, mas com esses duros aumentos de custos, principalmente energia elétrica, decidimos por dinamizar a pecuária de corte com investimento mínimo. O ajuste é geral! Costumávamos conceder aos nossos colaboradores certas gratificações adicionais. Infelizmente para esse ano não foi possível, assim como a distribuição dos resultados aos associados, meus irmãos, que foi bem menor.

E como líder classista, o que senhor observa em relação aos demais produtores do Rio Grande do Sul? Vão ampliar a área, estão mais cautelosos?
O momento é de extrema cautela pelos custos em alta e baixa cotação do arroz casca. Com esse cenário, a Federrarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) trabalha com uma expectativa de redução de área, em torno de 5%. Também, principalmente, devido às restrições de crédito o produtor deverá reduzir tecnologia e assim obter uma menor produtividade, e isso não é um bom indicativo! A Federrarroz vem trabalhando, especificamente para a próxima safra, em três questões. Primeiramente, no ajuste do preço mínimo para próximo de R$ 32 à saca baseado nos próprios dados da Conab e Cepea. Depois, contribuindo com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, na retirada das bandeiras tarifárias das contas de energia elétrica do rural irrigantes, algo que vem impactando duramente a renda no campo. Também há o aspecto tributário, ICMS, entre as principais pautas para o próximo ano.

Os custos de produção da agricultura brasileira são históricos. Quais suas ações para reduzir os custos na produção de arroz, sejam administrativas como técnicas?
Permanentemente temos uma postura de análise crítica dos processos. Para este ano vai ser maior. Processos que tínhamos a consciência que poderiam ser cortados, mas por comodidade vinham sendo mantidos, neste ano irão cair. Entretanto, nenhuma rubrica relacionada à produtividade será diminuída. O nível de investimento da Parceria Passo do Angico irá cair drasticamente, à espera de momento mais adequado.

Quais são as orientações e as ações da Federarroz para incentivar os produtores de arroz a diversificar a propriedade, com o plantio de soja, por exemplo?
Apesar de considerar o assunto técnico, nossa posição é que será quase vital o arrozeiro possuir outra cultura. Entretanto, as exigências de gestão serão cada vez maiores, seja sobre os aspectos técnicos e agronômicos, seja sobre econômicos e financeiros. Tenho visto muitos arrozeiros plantando soja com muito sucesso, assim como já avaliei alguns casos em que o arroz está “sustentando” essa segunda atividade.

Como o Brasil poderia ampliar seus mercados internacionais de arroz? O que o Governo e o segmento têm feito neste sentido e o que deveriam fazer?
De forma geral, o Brasil faz muito pouco pelos mercados a serem desenvolvidos. Tenho a impressão que inclusive é ideológico! Observo pessoas criticando a atuação dos EUA, mas esse deveria ser nosso benchmarking. Temos bons exemplos de atuações individuais, de ministros que realmente saíram para vender nossos produtos, mas são atuações isoladas e pontuais, sem uma atuação conjunta e consistente do restante do Governo como Itamaraty, Ministério da Indústria, Comércio e Desenvolvmento, etc., Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz) e Federarroz estão permanentemente alerta para a solução de gargalos e atuações nas negociações de acordos fitossanitários. Também, estamos participando de eventos internacionais com objetivo de coletar a real percepção de nosso produto nos diferentes mercados e tendências.

Henrique Osório Dornelles é sócio proprietário da Passo do Angico