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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Produtor de Algodão

 

MAESTRIA na produção de algodão

O Grupo Horita vai cultivar 38 mil hectares de algodão em 2015/16, além de mais 10 mil de milho e 50 mil de soja

A Granja do Ano — Na safra 2015/2016, qual o planejamento e os objetivos do Grupo Horita para o algodão?
Walter Horita —
Quanto à área, para 2015/16, vamos mantê-la como na safra anterior, em 38 mil hectares. Estes serão ocupados com 80% de variedades de algodão geneticamente modificadas tolerantes/resistentes a lagartas e ao glifosato. Começamos cada safra com o melhor pacote tecnológico possível voltado para altas produtividades. Entretanto, apesar de mitigar os riscos com esses investimentos, dependemos também dos fatores climáticos para alcançar todo o potencial produtivo das nossas lavouras. A decisão de manter a área plantada foi tomada com base no que o mercado sinaliza neste momento. Isso em um cenário que, segundo a Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), será de redução de área plantada com algodão no estado da Bahia.

E o planejamento e as metas do Grupo Horita em 2015/16 para milho e soja?
Manteremos a mesma área total plantada, de 98 mil hectares, não havendo mudanças também para milho e para a soja, que ocuparão respectivamente, 10 mil hectares e 50 mil hectares, ficando 38 mil hectares para o algodão.

O algodão é uma cultura cara para ser produzida, e os custos de produção da agricultura brasileira nesta safra são considerados recordes. Quais são as ações, sejam administrativas como técnicas e tecnológicas (na lavoura), que o Grupo Horita empreende para reduzir os custos?
Em um empreendimento agrícola a gestão de custos deve ser prioridade número 1, juntamente com a busca por maiores produtividades. E nós, do Grupo Horita, fazemos isso obstinadamente. Sempre empreendemos ações nas áreas administrativa e técnica, cuidando de todos os processos, implementando tecnologias e inovações que nos tragam maior produtividade e, consequentemente, menor custo por unidade produzida. Dito isso, fica claro que não deixaremos de investir. Muito pelo contrário. Contemplaremos os investimentos em determinadas tecnologias que podem até trazer um aumento de custo por hectare, mas uma redução por unidade de soja, de milho ou de algodão produzida que, no final, é o que importa e nos garantirá a lucratividade. Buscamos sempre reduzir o custo por unidade produzida e não apenas o custo por hectare.

Quais deveriam ser as ações, as políticas do Brasil para ampliar mercados internacionais da pluma? Ao mesmo tempo, o que o segmento deve fazer para se mais competitivo internacionalmente.
Hoje o Brasil já é visto como um importante player de algodão. Entretanto, somos ainda apenas provedores, não definimos tendência de mercado. Não sei bem se seriam políticas brasileiras o que precisamos. Afinal, as regras do jogo quem dita são as leis do mercado. O que esperamos, e deveríamos ter garantidos, são os investimentos públicos em infraestrutura, sobretudo logística. Não esperamos que o Governo brasileiro saia vendendo o nosso algodão. O produtor, através das suas entidades representativas, como a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), é capaz de fazer isso e o tem feito muito bem. Somos eficientes na produção de algodão e devemos nos preocupar a cada ano em melhorar os processos de colheita e beneficiamento, que nos garantirá uma melhor qualidade da pluma. Uma referência em qualidade a ser almejada é o algodão australiano. A Austrália, com uma produção bem menor que a do Brasil, alcançou muita credibilidade e poder de decisão no mercado, pois tem regularidade na produção e, principalmente, na qualidade do algodão que produzem. O algodão australiano chega a valer 12 centavos de dólar por libra a mais que o algodão brasileiro no mercado internacional, isso representa hoje mais de 15% do valor praticado.

Walter Horita é sócio proprietário do Grupo Horita