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Arroz

Em tranquila alta

As cotações do arroz nos primeiros meses de 2014 foram superiores às do mesmo período do ano anterior. E apesar do mercado ter "travado" no período da Copa do Mundo, a expectativa é que haja reação no início do segundo semestre, inclusive porque não há previsão de aumento da produção

Rodrigo Ramos rodrigo@safras.com.br

Os preços do arroz tiveram, no primeiro semestre de 2014, uma variação bastante parecida com a ocorrida na temporada anterior. As cotações ficaram mais altas nos dois primeiros meses do ano, mostraram uma desvalorização após a colheita e uma nova alta entre abril e junho, com o início da entressafra. “Apesar das variações estarem quase no mesmo padrão, os preços, no atual ano, estavam acima do que havia sido negociado durante o primeiro semestre da temporada de 2013”, destaca o analista de Safras & Mercado João Giménez Nogueira.

Em janeiro e fevereiro de 2014, as cotações tinham uma alta significativa em comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo cerca de R$ 36,31 a saca de 50 quilos no primeiro mês e R$ 35,86 no segundo, o que correspondia a acréscimos de 5,4% e 5,2%. As altas deveram-se, principalmente, ao período de plantio, quando houve chuvas que atrasaram a semeadura e que poderiam prejudicar a produtividade das lavouras. “Além disso, o calor em demasia que ocorreu nesses meses também influenciou de maneira altista nos preços do início do ano, pois as temperaturas altas também poderiam acarretar em perdas na produção”, acrescenta Nogueira.

Em março, quando é feita a maior parte da colheita, os valores arrefeceram. “Os dois principais motivos foram a maior oferta do cereal dentro do mercado nacional e a expectativa de produtividade, que era de baixa, mas superou o que havia sido esperado, atingindo cerca de 7.460 quilos por hectare na Região Sul, que atende pela maior produção no País”, lembra.

 

partir do final do mês de março e início de abril, as cotações no mercado nacional tiveram uma reação, que foi suportada pela retenção de venda por parte dos produtores que possuíam outras atividades, como soja e boi. “Assim, puderam vender outros produtos e ter maior receita”, explica o analista. “Consequentemente, tinham maior poder de negociação em relação ao arroz”. Com os preços altos, a demanda industrial retraiu-se, comprando somente o suficiente para manter o mercado e varejo abastecidos. Em maio, o preço no mercado local manteve-se elevado pela baixa oferta no mercado. Além disso, as exportações brasileiras estavam em um ritmo bom, o que sustentava os valores um pouco mais. “Apesar disso, as indústrias continuaram comprando somente o necessário para abastecer o mercado”, frisa.

O preço médio em maio no mercado gaúcho atingiu cerca de R$ 35,53/saca, aumento de quase 7% em relação ao que havia sido registrado durante o mesmo período de 2013 (R$ 32,97). Em junho, devido ao “efeito Copa do Mundo”, o mercado manteve-se bastante travado, o que desacelerou as exportações e os preços começaram a se estabilizar, pois os produtores e exportadores tiveram que se voltar para o mercado interno para arrecadar receita, fazendo com que as indústrias pudessem pressionar os preços.

O décimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a recente safra 2013/14 apurou produção de 12,184 milhões de toneladas, acréscimo de 3,1% sobre as 11,819 milhões de toneladas de 2012/13. A área foi de 2,396 milhões de hectares, ante 2,399 milhões em 2012/13. A produtividade foi de 5.085 quilos/ hectare, superior em 3,2% aos 4.926 na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, teve safra de 8,112 milhões de toneladas, avanço de 2,3%, em área de 1,120 milhão de hectares, ganho de 5% ante os 1,066 milhão de 2012/13, com rendimento de 7.243 quilos/hectare, ante 7.438 quilos. Em Santa Catarina, segundo produtor, houve avanço de 4,1%, para 1,067 milhão de toneladas.

Já para a safra 2014/15, segundo relatório de intenção de plantio de Safras & Mercado, divulgado julho, a área plantada com o cereal deverá sofrer leve corte de 0,5% na comparação com o ano anterior, de 2,452 milhões para 2,440 milhões de hectares. Levando em conta uma produtividade de 5.012 quilos por hectare (5.036 quilos no ano anterior), a produção brasileira deverá cair 1%, totalizando 12,230 milhões de toneladas. No ano anterior, a safra somou 12,35 milhões de toneladas.

Para a safra 2014/15, Safras & Mercado estima que a área no Brasil deverá sofrer leve corte de 0,5% na comparação com o ano anterior, de 2,452 milhões para 2,440 milhões de hectares

Balança positiva — Com três meses seguidos de balança comercial positiva, o País apresentou um superávit de 164,3 mil toneladas de arroz no primeiro trimestre do ano comercial – período que abrange os meses de março a maio. Foram 383,3 mil toneladas exportadas contra 218,9 mil importadas. Do total exportado, 96% foram do Rio Grande do Sul. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Na comparação entre os três primeiros meses comerciais dos últimos seis anos, a quantidade de arroz exportado só não é maior que a de 2012, quando os preços baixos do mercado interno e a ausência de barreiras tributárias pela Nigéria possibilitaram a exportação de 556,9 mil toneladas. Em relação ao mesmo período de 2013, as exportações cresceram 66% e as importações caíram 32%. Entre março e maio de 2013, a balança comercial apresentou um déficit de 92,8 mil toneladas.

Preço pode reagir — O mercado de arroz fechou o primeiro semestre de 2014 travado e com preços em queda, reflexo da Copa do Mundo, que reduziu a demanda pelo cereal. “Além disso, alguns produtores tiveram de vender seu produto, com o objetivo de criação de receita para pagar os financiamentos feitos junto aos bancos”, explica Nogueira. Nesse contexto, cria-se a expectativa de que os preços possam ter uma recuperação no início do segundo semestre, devido à possível volta da demanda para o patamar considerado normal após a parada para a Copa. “Os produtores terão mais poder de negociação, fazendo com que os valores da saca mantenham-se ou tenham uma leve alta”, aposta.

Além disto, o fenômeno climático El Niño pode interferir de forma negativa nas lavouras do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. “Esta atividade climática pode fazer com que ocorram chuvas em excesso na Região Sul, atrasando o plantio da cultura e influenciando negativamente na produtividade dos Estados”, explica. “Porém, se os índices pluviométricos estiverem na média necessária, poderão abastecer rios e mananciais sem prejudicar as lavouras, fazendo com que a produção por hectare tenha um acréscimo”, pondera.

As intenções de plantio para a próxima safra também poderão influenciar no valor da saca no segundo semestre. Em relação ao mercado gaúcho, é esperado que a área total plantada tenha uma queda pouco significativa em relação ao que foi semeado na última safra (em torno de 0,3%). Já em relação à produtividade, existe uma tendência de que tenha uma queda, diminuindo a produção total no Estado. “Desta forma, é estimado que o preço do arroz para o final do ano tenha um valor acima do que se encontra atualmente, devido à menor oferta”, comenta.

No Mato Grosso, existe a expectativa de que a área também tenha uma queda no total plantado para a próxima temporada. “Esta diminuição na área semeada está bastante suportada pelo novo Código Florestal, que impede os produtores de desmatar o Cerrado e cultivar o seu produto”, destaca. “Além disto, o preço no Estado mato-grossense encontra-se bem abaixo do que a média nos Estados sulistas”, lembra.

No mercado internacional, um dos fatores que poderá influenciar nos preços brasileiros será a safra norte-americana, que nos últimos anos tem sofrido com as variações climáticas, fazendo com que as colheitas não sejam como o esperado. No entanto, nesta temporada os Estados Unidos provavelmente terão uma safra relativamente grande, assim podendo realizar exportações de maiores volumes em 2014/15.

Nos últimos anos, a Índia encontra-se como o maior exportador do cereal no mundo. A expectativa, porém, é de que a Tailândia retome a primeira posição, devido aos altos estoques (que foram feitos após o plano da Hipoteca de Arroz). “O Plano baixou as cotações internas. Por isso, o governo tailandês está adotando uma política de vendas mensais do produto, para que o preço interno reaja”, explica o analista. “Mas acaba pressionando as cotações para o mercado internacional, com o aumento da oferta”.

O preço médio em maio no mercado gaúcho atingiu cerca de R$ 35,53 a saca, aumento de quase 7% em relação ao mesmo período de 2013 (R$ 32,97)

Elevação americana - — O relatório de julho/2014 sobre oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) estimou a produção norteamericana de arroz beneficiado em 7,23 milhões de toneladas para a safra 2014/15, ante 6,81 milhões no ano anterior. Para 2013/14, a produção daquele país foi apontada em 6,12 milhões de toneladas. As exportações em 2014/15 foram previstas em 3,42 milhões de toneladas do produto beneficiado, ante 3,26 milhões no relatório anterior. A projeção de consumo doméstico é de 4,26 milhões de toneladas de arroz beneficiado em 2014/15, ante 4,1 milhões na safra passada. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos de arroz beneficiado foram previstos em 1,27 milhão de toneladas para a temporada 2014/15, ante 1,19 milhão no relatório anterior. Para a safra 2013/14, os estoques finais somaram 1,06 milhão de toneladas.

No quadro de oferta e demanda global, o Usda estimou a produção mundial de arroz beneficiado em 479,43 milhões de toneladas para 2014/15, e para 2013/14, 477,46 milhões de toneladas. As exportações mundiais do arroz beneficiado foram estimadas em 41,56 milhões de toneladas para 2014/ 15. A estimativa para o consumo é de 482,40 milhões de toneladas de beneficiado para 2014/15. Os estoques finais mundiais de arroz beneficiado na temporada 2014/15 foram previstos em 108,55 milhões de toneladas. Para 2013/ 14, foram estimados estoques de 111,52 milhões de toneladas. A Índia deverá produzir 104 milhões de toneladas beneficiadas em 2014/15; a Tailândia, 20,5 milhões; e o Vietnã, 28,2 milhões. A safra da Indonésia está projetada em 37,70 milhões de toneladas, e a chinesa, em 144 milhões de toneladas.