A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Cooperativismo

Um MODELO no amparo a associados

Coamo abriga em seu guarda-chuva 27 mil associados e seus familiares, que entregaram à instituição 6,9 milhões de toneladas de grãos no ano passado

A Granja do Ano — No âmbito da Coamo, que avaliação o senhor faz da atual safra em termos de produção, produtividade e rentabilidade do associado? E quais as suas estimativas para a safra 2014/15?

Aroldo Galassini — No ano passado, tivemos um ano bom de produção, normal, e bons preços. Isso vem de vários anos. Neste ano, tivemos uma boa produção, mais ou menos 6,9 milhões de toneladas de grãos. Os preços foram um pouco inferiores e estão caindo, mas vai haver um faturamento previsto mais ou menos semelhante ao do ano passado, ou um pouco maior. Porque caiu um pouco a previsão da produção e também os preços estão caindo. E tem mais um detalhe que pode acontecer, e está acontecendo: o cooperado, como está folgado do ponto de vista econômico, deixa muito produto para faturar no ano que vem. Como ele não fatura, não aumenta o faturamento da cooperativa. Mas de um modo geral, o cooperado está muito bem do ponto de vista econômico e agora vai enfrentar uma grande safra americana, prevista em 104 milhões de toneladas de soja, a ser colhida a partir de setembro, que tem influenciado nos preços futuros. Hoje na bolsa está US$ 12 por bushel, mas já está previsto a partir do mês que vem (setembro/2014) a US$ 10 e pouco. Até maio de 2015, a US$ 10.

Mas de uma maneira geral, o associado da cooperativa está bem animado para a safra de verão 2014/ 15?

Ele vai plantar mais soja e menos milho. Quanto ao milho, ele está desanimado por causa do preço, que caiu muito. Nossa previsão é de que o Brasil vá produzir 91 milhões de toneladas de soja. O milho de verão caiu um pouco, e o produtor vai plantar mais soja. Aí ele tem que ficar agora aguardando esta questão de preços por causa do excessivo volume de produção americana, brasileira e argentina, que pelo clima que está nos Estados Unidos, a coisa vai ser grande, pois 104 milhões de toneladas eles nunca produziram. E se o clima colaborar, 91 milhões de toneladas nós nunca produzimos também. Isso está fazendo com que tenha algum reflexo na bolsa. Mas o americano terá que chegar na colheita, e nós temos ainda que plantar. Tem muita coisa para ocorrer com relação a clima. Outra coisa que pode influenciar na cotação é o dólar. O dólar a R$ 2,26 é tido como baixo, e o Governo tem interferido para a moeda não subir. Então, se o dólar subir, e todos estão esperando que suba, poderemos ter melhores resultados no preço dos produtos. O outro ponto que pode interferir no preço é algum problema na safra, que seria na argentina e na brasileira, porque a americana está praticamente garantida. Se tiver uma quebra por clima é pouca coisa. Mas o produtor está bem capitalizado. Nós temos uma medida da vida do associado que é a baixa inadimplência. Ele está bem capitalizado, sem grandes problemas e tem muito produto para vender. Então, ele está em um momento bom.

Bem capitalizado, em que o cooperado da Coamo está investindo?

O produtor está investindo em máquinas, mas deu uma parada. Ele botou o pé no freio. E tem muito produto guardado, que é uma poupança dele. Terra não há condições de comprar muito por causa dos preços altos. Mas ele está mudando o parque de máquinas. Um ano atrás ou menos, o volume de compras era muito grande. Mas com esta queda de preço agora, e esta crise brasileira tão falada, ele está botando o pé no freio para ver o que acontece. Nós fizemos uma feira de máquinas aqui e o volume de vendas não foi o esperado. Vendeu bem, tudo o mais, mas podia ter sido melhor. Eu vejo que as vendas de tratores e colheitadeiras caíram. Mas ainda não é momento de desespero. É um momento mais de preocupação.

Aroldo Galassini é diretor presidente da Coamo