A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Produtor de Trigo

COOPERATIVISMO com C maiúsculo

A C.Vale deverá expandir o faturamento para R$ 5 bilhões em 2014, e assim como seus associados, ampliou seus investimentos

A Granja do Ano — Quais são as expectativas do associado triticultor da C.Vale quanto à safra 2014 do cereal em relação a área, produção, produtividade e rentabilidade?

Alfredo Lang — O produtor apostou no trigo esperando um bom retorno. Na época do plantio, a saca estava na faixa dos R$ 40. Essa questão do preço e mais as dificuldades de clima para o plantio do milho safrinha até fizeram o produtor aumentar a área do trigo no Paraná. Mas aí, no meio da safra, o Governo decide autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de trigo sem a Tarifa Externa Comum. O preço veio abaixo e deixou o produtor muito frustrado porque a regra mudou no meio de jogo e a rentabilidade ficou muito comprometida com esse novo patamar de preços. Já não se tinha muito entusiasmo com a cultura e agora então o produtor ficou mais decepcionado ainda. E tem a questão climática pela frente ainda. Com a projeção de muita chuva na primavera, existe o risco de o resultado final não ser nada animador. Realmente, é muito difícil ser feliz com trigo no Paraná.

O que deveria se implementado, sobretudo nas esferas do Governo Federal, para que a triticultura paranaense – e brasileira – se tornasse um segmento mais seguro para o produtor investir, ampliar área, promover a autossuficiência do País?

O Brasil é muito tímido na defesa de seus interesses. A Europa taxa as importações de frango, os Estados Unidos cobram impostos sobre o suco de laranja brasileiro, a Argentina taxa produtos brasileiros. Quando não são os impostos diretos, a proteção aos mercados vem disfarçada de exigências sanitárias. Todo mundo faz isso, não existe livre mercado. O que acontece com o trigo brasileiro: nosso produto concorre com o importado mais barato, mas o Governo tem receio de ser mais enérgico na proteção do setor. E isso vem de muito tempo atrás. Por isso que o trigo perdeu muito de seu espaço. O trigo estrangeiro entra e derruba o preço do produto nacional, desestimulando o produtor. Além do mais, falta pesquisa para melhorar as cultivares e falta também um sistema de seguro agrícola mais eficiente. O trigo é uma cultura muito sensível, muito sujeita a geadas e perde muita qualidade com dois ou três dias de chuva na colheita.

Alfredo Lang é presidente da C. Vale

Quais os mais recentes investimentos da C.Vale e quais são os previstos para breve? E o que melhoraram ou melhorarão a vida do associado?

Estamos aplicando R$ 347 milhões para melhorar a estrutura de recebimento de grãos de nossas unidades. Com a modernização do maquinário e a concentração do plantio em um período muito curto, a colheita se acelera e aí o produtor quer agilidade na entrega da produção. Investimos pesado em novos silos, moegas, correias transportadoras e em secadores maiores para reduzir as filas no pico da colheita.

Em que o associado da C.Vale tem investido nos recentes anos? Terras, máquinas, mais tecnologia...

Muitos associados aproveitaram os bons preços dos últimos dois ou três anos para renovar o maquinário, aproveitando as linhas de crédito com juros subsidiados, principalmente pelo programa PSI. Isso trouxe benefícios para todos: para o produtor, que ganhou em agilidade e conforto, para a cooperativa e indústrias que venderam mais e para o País, que se beneficiou com empregos e impostos. Outros aproveitaram a capitalização para comprar mais terras. Agora, a nossa preocupação é daqui para frente, já que a tendência é de os grãos perderem valor pelo excesso de produção. A tendência é de o aumento da oferta dar início a um período de vacas magras. Então, estamos pedindo cautela aos associados, que usem suas reservas para quitar os financiamentos e façam investimentos naquilo que for mais prioritário.