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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestas

Franco crescimento

O ano de 2014 deverá ser de recorde na produção brasileira de celulose. O segmento florestal é de extrema relevância ao País, pois representa 6% do PIB industrial e emprega 5% da população economicamente ativa

Luiz Silva

Aprodução de celulose e papel no Brasil encaminha-se para bater novo recorde de produção em 2014. Mantidos os resultados do primeiro semestre, o setor poderá fechar o ano com uma produção em torno de 16 milhões de toneladas de celulose, superando o volume de 15,129 milhões de toneladas de 2013 e também o melhor desempenho até então. Trata-se de um cenário auspicioso e que leva a cadeia produtiva a projetar grandes saltos até 2020. Um exemplo de pujança é a comparação com 2003, quando a produção brasileira de celulose foi de 9,069 milhões de toneladas. Passados dez anos, considerando-se 2013 como último dado oficial, o crescimento foi de 66,82%. Em relação a 2012 (13,977 milhões de toneladas), o crescimento do ano passado foi de 8,07%.

Os números de 2014 garantem solidez ao segmento de celulose. Segundo estatística elaborada pela recém lançada entidade Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), em junho a produção alcançou 1,320 milhão de toneladas, crescimento de 7,6% na comparação com igual período do ano passado (1,227 milhões de toneladas). No semestre, a variação positiva foi de 5,4% – a produção alcançou 7,810 milhões de toneladas ante as 7,408 milhões de toneladas dos primeiros seis meses de 2013.

A produção de papel também aumentou. No semestre, em comparação com o período do ano anterior, o acréscimo foi de 0,19% – de 5,157 milhões de toneladas para 5,167 milhões de toneladas. Em junho, a produção de papel alcançou 864 mil toneladas, com crescimento de 0,23% ante as 862 mil toneladas do mesmo mês de 2013. No ano passado, o segmento apresentou uma produção de 10,444 milhões de toneladas, indicando uma evolução de 0,28% perante o período anterior (10,260 milhões de toneladas).

Se a tendência de alta permanecer no segundo semestre, a produção de celulose e papel no Brasil manterá, no mínimo, a estabilidade dos últimos três anos, quando houve recuperação depois dos prejuízos sucessivos durante dois anos por conta da crise financeira mundial. De acordo com a presidente executiva da IBÁ, Elisabeth Carvalhaes, o foco das empresas nos últimos anos ateve-se à recuperação das perdas de receita de 2009. Com isso, de 2010 a 2012 a estabilidade foi a marca da produção do setor, enquanto o crescimento foi acentuado em 2013 e com evolução neste ano.

Os resultados do setor de árvores plantadas em 2013 indicam a importância deste novo setor econômico-industrial para a economia brasileira. Em 2013, o setor de árvores plantadas alcançou receita bruta de R$ 60 bilhões, montante que representa 6% do Produto Interno Bruto (PIB). As exportações totalizaram US$ 8 bilhões, o que equivale a mais de 3% das exportações brasileiras. Além disso, o setor é responsável por 5 milhões de empregos, cerca de 5% da população nacional economicamente ativa. Nossas empresas estão realizando grandes investimentos até 2020, seja para novos plantios ou para a modernização ou construção de novas unidades, informa Elisabeth.

A expectativa do setor é de duplicar a base florestal dos atuais 7 milhões de hectares para 14 milhões de hectares. Com isso, os principais indicadores são vistosos. Celulose: de 14 milhões de toneladas em 2010 para 22 milhões em 2020; papel: de 10 milhões de toneladas em 2010 para 13 milhões em 2020; e painéis de madeira: de 6,5 milhões de metros cúbicos em 2010 para 10 milhões em 2020.

Produtividade inigualável -— Para a dirigente, a produtividade das florestas plantadas brasileiras em comparação à de seus principais concorrentes é um importante diferencial competitivo nacional. Principalmente porque em muitos países, com índices de produtividade inferiores, não há terras disponíveis para novos plantios. Elisabeth explica ainda que as perspectivas para o setor de árvores plantadas são bastante otimistas e baseadas na estimativa da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), de que mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo têm nas florestas e nas plantações florestais uma fonte de alimento, energia e renda. Outro ponto importante é o crescimento da população mundial que, em 2050, chegará a 9 bilhões de pessoas, o que, consequentemente, levará ao aumento da demanda por produtos florestais. “Nesse contexto, o Brasil, pela qualidade das fibras de eucalipto e pinus e seus atributos de sustentabilidade, será um player global cada vez mais importante”, confia a dirigente da IBÁ.

De acordo com o Paulo Roberto Pupo, superintendente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), um estudo recente divulgado pela entidade e pelo Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal revela o tamanho e a importância desse setor para a economia brasileira. Os números revelam, por exemplo, que em 2012 a indústria de base florestal foi responsável por 35,4% do superávit total do Brasil, chegando a US$ 6,9 bilhões. Desse montante, a indústria de madeira processada mecanicamente respondeu por 8,1%. O levantamento revelou ainda que a indústria de base florestal somou 58,2 mil empresas ativas em 2012. Desse total, a indústria de madeira processada mecanicamente é responsável por 42%, ou seja, 24,4 mil empresas ativas no referido período. Além disso, de acordo com o dirigente, o setor foi um dos poucos que mostrou crescimento no número de empregos diretos, quando comparado com o último período. Passou de 706 mil para os atuais 735 mil. Desde 2008, com a crise norteamericana, o mercado interno passou a ter um peso importante nos negócios dos fabricantes de produtos de madeira processada mecanicamente. Além das demandas de madeira para energia no País, que é crescente, um dos setores de maior potencial é o da construção civil.

Atenta a isso, a indústria de madeira tem investido em normalização e melhoria da qualidade dos produtos. Pupo ressalta o resultado alcançado pelos fabricantes de portas de madeira, que após um longo trabalho para padronização das normas, conseguiram certificar os primeiros produtos este ano de acordo com a Norma Brasileira NBR 15930, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

ILP —- O pesquisador da Embrapa Florestas, Vanderley Porfírio da Silva, recorda que o crescimento do setor florestal teve alavancagem com a adoção da integração lavoura-pecuária- floresta (ILPF), que quebrou alguns paradigmas, especialmente nas lavouras. “A árvore era um problema, um empecilho. Nossa cultura é agrícola e não silvícola. De repente, foi integrada”. Por isso, o especialista acredita que em algumas regiões o crescimento da ILPF é mais lento.

Silva recorda que, no Paraná, era feito inicialmente um controle de florestas plantadas. Cerca de 10 mil hectares foi o começo. Embora a meta do Governo Federal é a de chegar a 4 milhões de hectares plantados em ILPF no Brasil até 2015, o dirigente vê dificuldade em estimar o espaço plantado atualmente. “Não tenho a mínima ideia. As pessoas copiam tecnologias e depois têm problemas com o uso da terra”, explica o especialista, que tem orientado o produtor a fazer uma área piloto, dominar a tecnologia e crescer aos poucos. “Se as espécies arbóreas forem adequadamente escolhidas, o produtor terá a oportunidade de aumentar sua carteira de negócios. Isto é, passará também a ser produtor de madeira”, destaca.

O crescimento do setor florestal também teve alavancagem com a adoção da integração lavoura-pecuária-floresta, que quebrou alguns paradigmas, especialmente nas lavouras

União da cadeia -— Lançada em abril de 2014, a IBÁ significa uma revolução no setor, pois representa a união de boa parte da cadeia produtiva. A nova entidade reúne as 70 empresas e entidades estaduais que participavam da Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa), da Associação Brasileira da Indústria de Piso Laminado de Alta Resistência (Abiplar), da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf) e da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).