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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Frango

Voos para novos mercados

As lideranças do segmento avícola buscam aumentar o número de países compradores da carne, além de ampliar os embarques aos já conquistados. No mercado doméstico, o preço ao avicultor melhorou

Luiz Silva

O volume de produção brasileira de carne de frango deverá se manter inalterado em 2014 em comparação ao ano passado. Conforme levantamento feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção totalizou 6,090 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2014, resultado apenas 0,43% maior em relação ao primeiro semestre do ano passado. Desse total, 4,188 milhões de toneladas de carne foram destinadas ao mercado interno, número 0,34% maior em relação aos seis primeiros meses de 2013. Com isso, segundo o presidente-executivo da entidade, Francisco Turra, é bastante provável que o setor feche o ano com uma produção levemente superior ao volume alcançado em 2013 (12,5 milhões de toneladas).

Essa perspectiva leva em consideração os níveis atuais de produção, conforme o alojamento de pintos de corte e de matrizes. De acordo com o dirigente, o consumo interno e as exportações de carne de frango tendem a aumentar no segundo semestre de cada ano, especialmente durante os períodos festivos. A pequena variação comparativa entre 2013 e 2014 na produção de frango mostra o cenário ajustado de oferta de produtos, com pequena elevação em frangos do nível de consumo per capita – para 43 quilos/habitante/ano.

E de acordo como o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o setor atravessa um momento de evolução dos preços do frango vivo. Essa situação é resultado do ajuste de oferta que foi verificado durante o primeiro semestre. Já os custos de produção em queda favorecem a maximização dos lucros da atividade.

Em meio a esse panorama, Turra destaca o leve impacto de consumo percebido como resultado da realização da Copa do Mundo. Os efeitos foram sentidos nas vendas de asas e de coração. ”O evento consolidou-se como uma oportunidade para a promoção dos setores e a realização de negócios. Em parceria com a Apex-Brasil, a ABPA trouxe para o País dezenas de importadores. Ações de imagem junto a jornalistas estrangeiros também foram promovidas. Para o público do mercado interno, realizamos ações especiais nas redes sociais e em pontos de encontros das torcidas, como a Vila Madalena, em São Paulo”, destaca Turra.

Iglesias ressalta que as exportações em bom nível fazem o setor deparar-se com uma menor disponibilidade interna, o que é excelente para a alta dos preços no mercado doméstico. Para os próximos meses, avalia que o setor deve se deparar com bom desempenho, alicerçado no bom nível de embarques. “A avicultura de corte brasileira segue em franca evolução, com bom nível tecnológico e cada vez mais capaz de atender à demanda dos importadores mais exigentes. A presença do selo Halal é um diferencial para as exportações voltadas à comunidade islâmica”, explica Iglesias.

Usando dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Iglesias diz que as exportações brasileiras de carne de frango apresentaram avanço de apenas 1% frente ao primeiro semestre de 2013, ou seja, o setor praticamente repete o desempenho do ano passado. “Os custos de produção estão em queda nesse momento, tornando o frango brasileiro mais barato. Enquanto que a paridade cambial ainda é positiva para os embarques. Portanto, o setor tem condições de apresentar bom nível de embarques durante o restante do ano, repetindo o desempenho de 2013”, pondera Iglesias.

Novos mercados -— A ABPA também vislumbra novos horizontes externos em 2014. A entidade destaca que está em fase final de negociação para abertura do mercado do Paquistão para a carne de frango do Brasil. Também resultada em impacto positivo neste ano a habilitação de cinco novas plantas exportadoras de aves para a China (agora, com 29 plantas habilitadas), influenciando diretamente no saldo embarcado para o país asiático.

A busca por novos mercados, aliás, está na pauta prioritária da ABPA, e é uma de suas principais metas. Em suínos, Coreia do Sul e México estão com negociações avançadas. Segundo Turra, uma missão organizada pela ABPA está prevista para o mercado mexicano, focando na ampliação dos embarques de carne de frango, ovos férteis e abertura para material genético.

Durante o VI Encontro da Cúpula dos Brics (julho de 2014, em Fortaleza), a ABPA participou de uma série de reuniões com autoridades da China, Índia, Rússia e África do Sul. "Com a presença de autoridades chinesas, a entidade buscou agilizar a habilitação de sete plantas frigoríficas de aves e uma de carne suína para o país asiático – que já foram visitadas por missão em 2012 – e tratou da viabilização de novas missões para habilitação de outras unidades", destaca o dirigente.

Iglesias chama a atenção para o aumento dos embarques destinados à Venezuela e para a China. Além deles, os principais importadores de carne de frango brasileira têm o volume de embarques mantido se comparado ao primeiro semestre de 2013. O Brasil pode aumentar o volume de embarques para a Ásia e para a África nos próximos anos. “O problema é que as negociações internacionais de uma maneira geral costumam ser lentas e podem levar anos para um desfecho. Apesar disso, o Brasil, junto dos EUA, permanece como principal exportador de carne de frango em escala global. Essa situação não vai se alterar no curto e no médio prazo”, pondera o consultor.

O setor deverá fechar 2014 com uma produção levemente superior ao volume alcançado em 2013, de 12,5 milhões de toneladas de carne, projeção baseada no alojamento de pintos e de matrizes

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando frango inteiro, cortes, processados e salgados) entre janeiro e junho deste ano apresentaram alta de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 1,902 milhão de toneladas. Em receita, houve queda de 9,2% segundo a mesma comparação, com US$ 3,717 bilhões. Considerando apenas o mês de junho, foi registrado decréscimo de 3,1% nos volumes exportados pelo segmento, totalizando 296,3 mil toneladas – resultado direto das chuvas ocorrentes no período, que atrapalharam os embarques. Também houve redução na receita, de 2,4%, com US$ 616,6 milhões.

Conforme o presidente executivo da ABPA, um dos fatores que influenciaram a queda em junho foi o fim do ano-cota para a União Europeia, que restringiu o período de embarques para o velho continente a apenas dez dias no mês. "É uma situação esperada dentro do ciclo deste mercado. Iniciaremos em julho um novo anocota", argumenta. A ocorrência de chuvas no período também atrapalhou os embarques nos principais portos. Segundo o vicepresidente de aves da entidade, Ricardo Santin, há retomada nos níveis de receita das exportações de carne de frango. "O percentual de queda de volume maior que o de receita mostra um comportamento que já havíamos notado em maio, de melhora nos níveis dos preços internacionais", ressalta.