A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Ovinos/Caprinos

Carente de oferta

Há falta de carne de ovelha para atender o mercado doméstico. Porém, antes de ampliar o rebanho, é preciso resolver problemas do segmento como a falta de padronização da carne e as poucas políticas públicas de incentivo aos criadores

Luiz Silva

Aprodução brasileira de ovinos não consegue atender a demanda crescente pela carne verificada nos últimos anos. Mesmo que o consumo per capita nacional seja relativamente pequeno (aproximadamente 700 gramas por habitante ao ano), observa-se um aumento da demanda nos últimos anos. O consumo de carne ovina no Brasil em 2012 foi de aproximadamente 89 mil toneladas, segundo o IBGE. Desse total, apenas 6,5 mil toneladas foram importadas, sendo 93% do Uruguai, 3,8% da Argentina, 2,8% do Chile, 0,3% da Nova Zelândia e 0,1% da Austrália. O pesquisador Juan Ferelli de Souza, da Embrapa Caprinos e Ovinos, lembra que as importações de carne ovina são importantes, mas representam apenas 7% da carne ovina consumida no País.

Estudo realizado pelo pesquisador Raimundo Nonato Braga Lôbo, da Embrapa Caprinos e Ovinos, com base em dados da FAO (2009), revela que o Brasil perde uma grande oportunidade ao desacelerar a produção de lã ovina. A comparação com os produtores e, especialmente, com os vizinhos do Mercosul, aponta uma disparidade grande. A Austrália é, sabidamente, a líder na produção de lã, com 519.660 toneladas/ano, seguida da China (388.777) e da Nova Zelândia (209.250). O dado que interessa ao Brasil refere-se às produções da Argentina (60 mil toneladas e 5º no ranking mundial) e o pequeno Uruguai (37.196 mil toneladas e na 14ª posição). O Brasil tem uma produção de 10.777 toneladas e ocupa a 35ª posição. Em valor exportado (US$ 6,309 milhões) está no 13º lugar.

Entre os potenciais das cadeias de ovinos e caprinos apontados por Lôbo em seu estudo estão o emprego de 300 mil famílias, com cerca de 1,5 milhão de pessoas, a geração de 120 mil empregos diretos e 286 mil indiretos, totalizando 300 mil. Também projeta o aumento na produção de lã em 85 mil toneladas (R$ 558 milhões) e na produção de peles em 53 mil toneladas (R$ 450 milhões). O pesquisador ainda avalia um aumento na produção de leite em 22 mil toneladas (R$ 18 milhões).

Alguns estudos projetam déficits de oferta da carne ovina no Brasil, oscilando em torno de 13 mil toneladas, ou 1 milhão de animais por ano. Para o pesquisador, existe área para expansão e demanda pela carne ovina, mas o crescimento do setor ainda esbarra em alguns problemas, como a falta de padronização da carne, políticas públicas insuficientes para auxiliar os produtores e a falta de aproximação entre os diversos elos da cadeia da ovinocultura.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o rebanho nacional de caprinos é estimado em 14 milhões de animais, distribuído em 436 mil estabelecimentos agropecuários

Ele explica que o desenvolvimento do setor da ovinocultura depende da adoção de tecnologias de produção e de tecnologias de gestão em todos os estágios da cadeia produtiva, desde o setor de fornecimento de insumos aos produtores rurais até o setor varejista, passando pelos estágios de produção rural, abate e processamento. ”No estágio da produção rural, a principal carência está na adoção de tecnologias de produção que, mesmo simples, podem proporcionais incrementos de produtividade muito altos aos produtores rurais”, sustenta Souza. A seu ver, no estágio de abate e processamento da carne, os altos custos de produção impostos pela legislação sanitária em vigor, que é muito antiga, inviabilizam a atividade em muitos casos.

Souza salienta que o rebanho de ovinos no Brasil é o maior das Américas. Isto implica em avaliar se é necessário buscar o crescimento do rebanho ou se é necessário se preocupar e criar melhor e aproveitar melhor as oportunidades já estabelecidas no Brasil. “A minha opinião é que devemos, em primeiro lugar, buscar a qualificação do rebanho e da produção já existente e depois buscar a expansão do rebanho”, opina o especialista. Na avaliação dele, o primeiro passo para estimular o consumo do produto é melhorar a sua qualidade, e isto tem ocorrido. Diz que a carne de cordeiro hoje comercializada, especialmente nos restaurantes, já não é mais a mesma do “carneiro”, como no passado. “A responsabilidade de divulgação dos produtos deve ser da cadeia produtiva toda, que pode se organizar por meio das câmaras setoriais ou das associações e realizar campanhas de divulgação do produto. No entanto, não adianta divulgar um produto se ele não estiver disponível para atender a demanda quando ela surgir”, pondera. Portanto, existem problemas prioritários a serem resolvidos na atividade.

Para obtenção de um produto dirigido ao padrão que a indústria procura, no caso do Centro-Oeste e do Sudeste, um cordeiro com 16 a 20 kg de carcaça, a melhor estratégia continua sendo o cruzamento entre raças puras para obtenção de animais F1, ou cruzamento industrial. A escolha das raças deverá resultar em aumento do número de cordeiros desmamados, ganhos de precocidade e qualidade no acabamento de carcaça.

Caprinos —- Segundo dados mais recentes do Ministério da Agricultura, o rebanho nacional de caprinos é estimado em 14 milhões de animais, distribuído em 436 mil estabelecimentos agropecuários, colocando o Brasil em 18º lugar do ranking mundial. Já a FAO estima em pouco mais de 10 milhões de animais, com a 16ª colocação no ranking. Grande parte do rebanho caprino encontra-se no Nordeste, com ênfase para Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará.

Quanto à produção de carne caprina, na Região Nordeste predominam animais sem padrão racial definido. Em alguns arranjos produtivos (APL’s), mais especializados em produção de carne caprina, observa-se a utilização de reprodutores das raças Boer e Anglo-nubiano. Independentemente da raça, procura-se atender o que o mercado sinaliza. Essa foi a receita de sucesso alcançada pela bovinocultura de corte, preocupando-se mais com o desempenho animal e menos com a caracterização racial.